Desabafo de uma qawwi, Dia a dia de uma qawwi

#21| Leva contigo o meu coração

Apesar da grandeza do Rio de Janeiro, consegui localizá-lo. Mais rápido do que previ. Rondava pelo telhado do prédio, quando finalmente vi o meu inimigo. Aterrei no pulo de um gato e comecei a disparar várias flechas contra ele. Os qawwis só perecem se atingidos no peito ou na cabeça. Todavia, o ferimento que causei, embora fosse cicatrizar automaticamente, servira para o neutralizar. Lancei bolhas de energia e de seguida atirei-me sobre o seu pescoço.

– Devolve a humana, agora!

Vallen grunhiu.

– Ai sim? Se não o quê? – Apesar de sufocada, a voz abafada daquele qawwi vil continuava eivada de afronta. Isso irritou-me e fez-me cercá-lo com muito mais força.

– Se não eu mato-te e vou sozinha atrás dela. Vou encontrá-la, Vallen, demore o que demorar.

Podia ser pelo facto de ter passado as últimas noites em claro. Ou então, por apenas há alguns dias, eu ter casado e perdido a família. Numa única noite. Mas a verdade é que eu tinha sede daquele confronto. Sentia a morte no ventre. E não duvidava que um de nós fosse sucumbir. Estava na hora.

Vallen fez um novo grunhido. Uma gargalhada confinada.

– Tu não me vais matar, Linan.

– Qual seria a razão para não o fazer?

– É simples – as suas veias pulsavam como um vulcão em erupção – matas-me e estarás também a matar a tua querida humaninha. A minha vida está atada à dela, minha cara, portanto, tudo o que fizeres comigo, será sentido por ela.

Imediatamente tirei o braço. Sabia que o que ele dissera era possível, e portanto, havia todas as chances de ser verdade.

– Ai minha doce Linan…- Vallen ajeitou a camisa e cruzou os braços – Pelo Rei Réon tu já terias sido permanentemente banida de Stefanotis. Eu trago autorização dele para extirpar-te dos teus poderes. Só não o fiz porque ainda tenho esperança em ti. Estou ao teu lado, Linan.

– Faz-me rir. Se tivesses o poder de extirpar-me, já o terias feito…

– Acontece que preciso de ti com os teus plenos poderes. Da-me o oitavo qlub.

– Não sei nada sobre o oitavo qlub. Ainda estou a meio da minha missão.

Vallen adquiriu um brilho nos olhos.

– Eu sei. Mas acredito nas tuas habilidades, Linan. Ajuda-me a encontrar o oitavo qlub, e eu dou a minha palavra que não rei extirpar-te. Se não me obedeceres, executo a decisão do rei Réon agora mesmo.

O meu sangue gelou. Ser extirpado significa perder a essência. É um dos piores castigos no meu planeta. E só Reon, qawwi supremo, podia aplicar tal medida. Um qawwi extirpado deixa de ter os seus dons, fica imune às doenças e não demora a envelhecer. Em outras palavras, torna-se humano. Algo que eu, nem sequer, conseguia cogitar. Então quais eram as minhas opções? Pôr-me em primeiro lugar e salvar-me? Ajudar Vallen na destruição do planeta terra? Era isso que eu devia fazer?

– Prefiro morrer a juntar-me à ti, Vallen.

O brilho nos seus olhos desapareceu e ele avançou.

Na rapidez de um cometa, senti-me mergulhar num buraco negro. Ia deixar de ser uma qawwi.

Então, subitamente, Vallen retrocedeu. Parecia admirado:

– Preferes mesmo ser extirpada, do que obedecer o rei Réon? De facto deves amar bastante essa tal humanidade. O que é que eles fizeram por ti? – o vinco na testa dele desapareceu e o sorriso jocoso regressou – mas seja feita a tua vontade, Linan. Lembra-te apenas de uma coisa: os teus poderes e dons vão desaparecer para sempre e tudo o que fizeste antes será anulado. Eu faço-te a vontade…

– Espera!

Ergui o braço em defesa. Percebi nesse instante que não estava preparada para tamanha crueldade. Não queria deixar de ser uma qawwi. Essa revelação pesou ainda mais, ao lembrar-me de que eu tinha usado os meus poderes para curar Will de uma doença fatal. Se os meus poderes desaparecessem, era provável que tudo voltasse ao estado original. Will podia morrer. Coisa normal neste mundo que eu tanto queria abraçar. No entanto, não era capaz.

– Eu faço o que queres, Vallen. Vou contigo procurar o oitavo qlub – ele rompeu num urro de vitória, que tratei de interromper. – mas tem uma condição: temos de devolver a menina ao pai.

– Trato feito, minha amiga! Devolvemos a menina, e seguimos a nossa viagem.

Pouco depois, estávamos em frente de casa. Vallen permitiu que me despedisse de Will. Entretanto ao vê-lo de longe, pelo vidro da varanda, não tive coragem de entrar. Will esperava ardentemente pelo nosso regresso. Eu sentia-o. Mas se chegasse perto, não teria força para abondona-lo.

Ajoelhei-me em frente de Érica e arranjei-lhe a gola do vestidinho. Até os canários do jardim percebiam a minha tristeza.

– Quero que corras para casa, minha filha. Vai dar um abraço ao pai.

– Mãe… tu não vens?

Olhei mais uma vez para a varanda envidraçada. Will ainda não tinha dado pela nossa presença. Afaguei o cabelo de Érica.

– Venho mais tarde – era a primeira vez que mentia para a minha filha – Diz ao pai que a mãe ama muito vocês, e vai amar para sempre. Sê uma boa menina.

– Está na hora de partirmos Linan. – advertiu Vallen.

Abracei Érica com muita força.

– Corre, vai dar um abraço ao pai!

Ela correu. E com ela levou o meu coração.

Vallen estendeu-me a mão. Era como se a gravidade e os astros se tivessem feito ausentes. Precisava de recuperar o equilíbrio, e agarrei-me ao apoio mais próximo. A mão de Vallen. Foi nesse instante que Will abriu a porta para Érica e viu-me. Poucos segundos antes de Vallen e eu desparecermos pela noite preta.

Desabafo de uma qawwi

#20|Soneto de fidelidade – Meu casamento, meu pesadelo

É a minha pequena Érica quem lidera o cortejo. Entusiasmada com a tarefa, ela saltita pela trilha de areia, cercada de candeeiros e velas. As suas mãos vão largando pétalas vermelhas. A ínfima quantidade que os seus dedinhos conseguem tirar do cestinho.

Sigo atrás dela, acompanhada pelo pai de Will. Os meus pés descalços estão cobertos pelo longo cetim do vestido cor da lua. O mar e as estrelas, quietos, tentam disfarçar os risos, mas certamente estão espantados. Afinal, conheço Will há quê…? Três anos do planeta terra? Todavia, vendo-o ali, parado, trémulo, sorridente, pronto para jurar-me amor eterno num altar coberto de flores e de sonhos, fico com a impressão de que é a primeira vez que o vejo. E é uma visão que deixa-me muda. Inunda-me os olhos. Quando Will toma-me pela mão, o meu peito transborda. De infinito contentamento.

Caríssimos irmãos – inicia o tal “padre”. O ritual é bastante estranho. Mas na sua estranheza, sinto as palavras tornarem-se uma ponte de cristal, a reflectir a verdade que arde dentro de mim, quando chega a vez de dizer os votos:

– Will: contigo aprendi o que há de melhor nos seres humanos. Aprendi que amar é ter no outro o nosso lar, a nossa alma. Que o verdadeiro amor não vê diferenças, mesmo num universo vasto como este. Eu prometo, perante todos, que vou amar-te com força maior que a da gravidade. Cada segundo em que viver neste planeta.

Will mantém o seu olhar fixo no meu, deixa escapar um leve suspiro, e revela:

– Linan: até há algum tempo atrás, precisamente há três anos, o que eu queria era desaparecer. Despedir-me e esquecer-me de tudo. Mas acabei encontrando-te à ti, e contigo não há despedidas. Agradeço-te, infinitamente, por existires. Sobre o meu amor por ti, confesso com a ajuda de Vinícius de Moraes:

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

O jantar no restaurante da praia parece estar ao agrado dos 12 convidados. Isso tranquiliza-me. Enquanto dançámos ao som de “Janeiro à Janeiro”, sinto uma mãozinha puxar a cauda do meu vestido.

– Mãe… a tia Fatinha não deixa-me comer o bolo!

Carrego-a ao colo e dou-lhe um leve beijo.

– Daqui a pouco a tia Fatinha deixa, tens de ter paciência, está bem?

Para a minha surpresa, já que é uma criança persistente, Érica acena, desce do colo, e volta a estar com Fatinha, a minha grande amiga, agora também madrinha.

Will encosta a sua testa a minha. Parece esbaforido quando sussurra:

– Se pudesse, casava-me contigo todos os dias, Linan.

Uma falha na corrente eléctrica não permite que responda ao comentário. No minuto a seguir, a escuridão impera. E o meu coração acelera como um raio.

– Érica – é tudo o que consigo murmurar.

– O quê?

– Ele está lá fora. Vallen. Com ela!

A corrente é restabelecida mas eu já lancei-me à porta, sem nem perceber que Will corria na direcção oposta. Lá fora, uma brisa sopra na minha direcção, trazendo a visão que veste a forma do meu pior pesadelo: Vallen. Segurando Érica ao colo. A minha filha está dominada pela influência do poder de um qawwi.

– Linan, Linan… falta de educação não convidar os amigos ao casamento, não achas?

Levanto as mãos e faço emergir várias camadas de energia. Mas preciso encontrar a melhor de atacar, sem ferir Érica. É nesse momento que Will junta-se a mim. Para o meu espanto, vem munido de um arco e de flechas quentes.

Ergue uma das flechas:

– Larga a minha filha!

As sombras de Vallen curvam-se:

– A sério Linan? Tiveste o atrevimento de ensinar um humano a usar as nossas armas?

– Por favor – decido que não quero arriscar a vida de Érica – é a mim que queres, deixa a menina ir.

– Com certeza, Linan – Vallen agarra-se mais à Erica – Podes vir buscá-la quando quiseres. Localizei o qlub da esperança. Saberás muito bem onde encontrar-nos.

E em menos de segundos, tanto ele como a minha filha tinham desaparecido. Vallen acabara de fazer algo que poucos qawwis conseguem: teletransportar-se com um humano.

Os olhos de Will toldam-se de sombras. Ele está lívido. Nunca o vi tão transfigurado. O seu rosto é a moldura acesa do desespero. Da dor, e da fúria. É como se o amor e a vida tivessem secado naqueles poucos segundos.

– Não… eu não posso perder a minha filha!

– A nossa filha, Will. – corrijo com pesar – A nossa filha. Vou trazê-la de volta.

Ele encara-me, rígido.

– Leva-me contigo. Temos de ajudar a nossa filha… leva-me contigo!

Então, uma lágrima cai no meu rosto. Quem me dera ter a capacidade de teletransportar-me para tão longe, levando-o comigo. Mas não posso. Mesmo que pudesse, seria o equivalente a assinar a sua sentença de morte.

– Prometo que a terás de volta, sã e salva. Tão breve, meu amor. Confia em mim.

Fatinha, apercebendo-se do movimento, viera atrás de nós. Ela despe a camisola que traz e coloca-a sobre os meus ombros. Não percebe nada, mas de alguma pressente o terrível destino que me espera. A busca por Érica será longa. E o meu vestido de cetim, não é necessariamente o melhor traje para uma viagem destas.

Despeço-me deles. E dos dias de calor e de amor que tanto ansiamos mas que agora serão substituídas por noites geladas, numa estrada solitária. Olho para as estrelas, em busca de força.

– Linan – Will parece derradeiramente assustado quando segura-me pelo braço – não posso perder ambas. imploro.

Devolvo o olhar. Vejo os aneis nos nossos dedos. E com isso, teletransporto-me.

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Imagem: TVD – do canal CW

Desabafo de uma qawwi

#19|Músicas para o casamento: as 30 melhores escolhas dignas do grande dia

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Imagem (GIF): TVD – do canal CW

Não imaginei que houvesse tanto para pensar e organizar em torno de um casamento. Desde a escolha dos padrinhos, a etiqueta, o orçamento, a roupa, o menú de copo de água, até a música de ambientação. Felizmente para mim e para Will, muitos destes aspectos são simples de resolver, já que optamos por uma cerimónia discreta, com apenas uma dúzia de convidados. Neste exacto momento, depois de ter experimentado o meu vestido de noiva, coloco headphones nos ouvidos para escutar a playlist organizada pelo meu noivo. Já escolhemos as músicas que não queremos para esse dia. Agora é chegada a hora de seleccionar aquelas canções que sussuram directo aos nossos corações.

A playlist de um casamento deve ser equilibrada para agradar tanto os convidados como os apaixonados. Para os momentos mais solenes, normalmente são escolhidas músicas pessoais, que têm uma história para o casal, ou que mostram a sua personalidade / o seu estilo. Na ausência de uma música pessoal, existem temas clássicos que de igual forma desempenham, e maravilhosamente bem, o mesmo papel. É como se estas músicas tivessem sido escritas especialmente para você, e para todos que estarão consigo neste grande dia. E no geral, são músicas agradáveis para qualquer ouvido.

Vamos escolher juntos?

PARTE 1 – ENTRADA OU ABERTURA DE SALA – PADRINHOS

  1. Unforgatable – Nat King Cole

Conforme o próprio título, este elegante clássico é inesquecivel e encata até os dias de hoje. Escute

2. At last – versão de Beyónce (original Etta James)

Esta canção carrega classe. Não foi por acaso que o ex-presidente dos EUA Barack Obama e a esposa Michelle, abriram a sala no dia da tomada de posse ao som desta melodia, na interpretação de Beyoncé. Escute

PARTE 2 – ENTRADA OU ABERTURA DE SALA – PAIS

3. Criação divina – Paula Fernandes e Zezé Di Camargo

Canção que fala universalmente do amor. Escute

4. To make you feel my love – versão de Adele

Na melodia e na voz de Adele, esta música derrete o mais frio dos corações. Escute

PARTE 3 – ENTRADA DOS NOIVOS NA IGREJA, NO REGISTO E NA RECEPÇÃO

Os tradicionais

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Crédito foto: Zigy Kaluzny-CharlesThatcher/The Image Bank/Getty Images

5. Marcha Nupcial

Para os mais tradicionais, a entrada pode ser feita ao som da marcha nupcial neste belo arranjo. Escute

Os modernos

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Crédito foto: Wedding Frog

Hoje em dia pode inovar-se nestas “entradas triunfantes”. A T-Mobile inclusive idealizou numa campanha, como seria uma animada entrada da família real do Reino Unido no casamento de Kate & William (veja aqui o vídeo da dança do casamento real que na altura tornou-se viral).

Assim sendo, os mais ousados que se sentem inclinados a entrar em ambiente de farra num beat mais uplifting, numa coreografia sensual ou engraçada, podem optar por um destes temas:

6. You’re the first, the last, my everything – Barry White – Escute

7. Shape of you – Ed SheeranEscute

8. I got a feeling – Black Eyed PeasEscute

9. Happy – PharellEscute

10. Just the two of us – Bill WhitersEscute

Já os mais românticos, podem entrar com temas como estes, que são verdadeiras e emocionantes declarações de amor de quem e para quem, está a subir no altar.

11. Porque queremos ver-nos – Vanesa Martin feat Matias Damásio – Escute

12. Beautiful in white – Westlife – Escute

13. Marry me – Train – Escute

14. From this moment on – Shania Twain – Escute

15. Thousand years – Cristina Perry – Escute

16. Amole Mu – Calema – Escute

PARTE 4 – ABERTURA DE SALA

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O momento mais especial para os apaixonados noivos merece uma música a altura. Qualquer um dos temas abaixo dignifica o momento:

17. De Janeiro e Janeiro – Roberta Campos e Nando Reis – Escute

18. I finally found someone – Bryan Adams feat Barbra Streisand – Escute

19. Soul on Soul – Rod Stewart – Escute

20. For the first time – Rod Stewart – Escute

21. Heaven sent – Keyshia Cole – Escute

22. Loucos – Matias Damásio – Escute

23. Para tu amor – Juanes – Escute

PARTE 5 – ATIRAR O BOUQUET DA NOIVA / LEILÃO DA GRAVATA DO NOIVO (OU OUTRAS BRINCADEIRAS/ TRADIÇÕES TOLAS)

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Foto crédito: Instagram: @wife_and_husband_247

Este são momentos de diversão e alegria. E já que a ideia é dar sorte aos solteiros, ninguém vai ficar parado se o DJ soltar uma destas animadas e vibrantes músicas.

Noivas:

24. Walking on sunshine – Katrina & the Waves – Escute 

25. Single ladies – Beyonce – Escute

Noivos:

26. Marry you – Bruno Mars – Escute

27. Number one – Mr. Bow & Liloca – Escute

PARTE 6 – CORTEJO DE SAÍDA

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Foto crédito: DJ Plus

E que tal sair da cerimónia em grande estilo, ao ritmo destas fabulosas músicas? Palmas, flores, fogos de artifício, bolhas de sabão, balões… tudo será bem vindo. Afinal, é uma nova vida que começa.

28. Time of my life – Bill Medley & Jennifer Warnes – Escute

29. Save the last dance for me – Michael Buble – Escute

30. Wedding Day – Brenda Fassie – Escute

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E porque tem uma história e significado especial para nós, Will e eu escolhemos para entrada na recepção a música Just the two of us, e para a nossa dança especial, a música de Janeiro e Janeiro.

Desabafo de uma qawwi, Dicas

#18| Imploramos: jamais toque estas músicas no dia do seu casamento

A música é das melhores criações do ser humano. Ela revela os vários sentimentos que trazemos dentro de nós. O meu noivo Will disse-me que num casamento, as músicas tocadas, especialmente as para os momentos mais solenes, definem o tom do próprio casamento. Por essa razão, eu e ele estamos a escolher com rigor os temas que vão ambientar a nossa cerimónia. Segundo o meu noivo, existem músicas que são bastante inapropriadas para este tipo de evento, mas que por serem tão populares (e de facto muito boas) ou por terem um caris (aparentemente) romântico, acabam por entrar no repertório e até são dançadas, sem nos apercebermos de que na verdade trazem uma mensagem oposta daquilo que sentimos ou que gostaríamos de partilhar. Nesta lista, Will e eu seleccionámos algumas músicas que não queremos, de jeito nenhum, no dia do nosso casamento. E partilhamos para que você também implore ao seu DJ para jamais tocar na sua cerimónia.

  1. O grande amor da minha vida – Vavá

Não deixe-se levar pelo título desta música. Você não vai querer dar a entender que está a casar-se mas que o grande amor da sua vida é outra pessoa. Portanto, mate o DJ se ele colocar esta música durante a cerimónia.

  1. When I was your Man – Bruno Mars

Por muito bonita e romântica que seja esta balada, a mensagem é simplesmente lamentável para um casamento.

  1. Suspicious Mind – Elvis Presley

Will e eu adoramos esta música, mas para um casamento a mensagem é inapropriada. Se decidimos casar, com certeza que não estamos presos numa armadilha, nem desconfiados um do outro.

  1. Gold Digger – Kenny Waste

Por acaso o(a) seu(sua) amado(a) é um(a) gold digger? Cremos que não, então, por amor do Deus, não toquemos esta música.

  1. To all the girls I loved before – Julio Iglesias e Willie Nelson

Clássico apelativo, mas totalmente fora do contexto. O dia é dedicado ao amor da sua vida, e não aos amores do seu passado.

  1. A outra – Matias Damásio

De facto, muito popular. Mas dá para um casamento? Escute e tire as suas próprias conclusões.

  1. Its over – Rod Stewart

Apesar de metade desta balada dedicar-se a descrever aquilo que foi um casamento bonito, a música fala de um divórcio sangrento. Risque do repertório

7 – Take a picture of this – Don Henley

A música (tradução) diz algo mais ou menos assim: “no dia do nosso casamento, todos os nossos amigos regressaram para dar os parabéns. Criamos a nossa família, fomos tão felizes. Mas agora essas crianças cresceram e seguiram em frente. Isto é uma mala. Já não há razão para ficar. Passaste toda a tua vida a olhar para fotos do passado. Aqui está mais uma para o álbum. Tira uma foto disto. Eu a ir embora. Tira uma foto disto. Eu a partir.”

  1. Send my love – Adele

Adele é das melhores artistas do planeta, mas sinceramente, é melhor evitar fomentar recadinhos de ex companheiros(as) no casamento. O mesmo aplica-se a outras músicas da Adele, como “somenone like you” e “hello”. Inconvenientes e constrangedoras, no mínimo.

  1. Everybreath you take – the Police

Começamos a entrar em território cada vez mais perigoso. Este maravilhoso clássico dos the Police, a primeira vista parece ser uma declaração de amor, mas não é. Trata-se de alguém com comportamento doentio, de “stalker” (perseguidor). Você não é um “stalker” na vida do(a) seu(sua) amado(a), pois não?

  1. Love Hurts – Nazareth

O amor não dói, nem é espinhoso para quem está a casar. Ou é?

  1. Highway to Hell – ACDC

Dá muita vontade de cantar e seguir o coro deste tema. De preferência usando uns óculos escuros, como nos filmes. 5 será que o altar é uma auto estrada para o inferno? Cremos que não.

  1. End of the Road – Boys II Men

Quantas pessoas já não abriram a sala ao som desta bonita balada? Entretanto, esta música fala de um casal que chegou ao fim da linha no seu relacionamento. Exactamente o oposto do que está a acontecer neste dia tão especial. Nao aposte neste tema para o seu casamento.

  1. You’re beautiful – James Blunt

Esta popular canção já foi muitas vezes escolhida para cortejar a entrada dos noivos na cerimónia. Não é para menos, pois é bastante romântica e de facto, teria tudo para ser perfeita para esta ocasião. Entretanto, o tema narra a história de um homem que lamenta o facto de o seu amor estar longe do seu alcance, ao lado de outro homem. E se prestarem atenção, o final (I will never be with you) não é nada feliz.

Desabafo de uma qawwi

#17| Dúvidas de uma qawwi: qual regime escolher no casamento?

O que é que se espera de uma mulher, uma humana normal, na sociedade terráquea? Que cresça, estude, arranje um trabalho de sucesso, case, e por fim tenha filhos. Esta é a ordem das coisas. Mas eu, pobre de mim, sou uma criatura a parte. Nem mulher, nem humana. Não tenho um emprego convencional e vivo à toa pelo planeta terra em busca de uma missão cada vez mais dúbia. E como um carangeujo, os meus passos foram na retaguarda. “Solteira”, se assim quiserem chamar, ao aceitar ficar com Will, ganhei uma menina que agora é minha filha. E então, depois de ganhar uma filha, aceitei o tal casamento.

As pessoas que desconhecem a minha história acreditam que fiz as coisas de forma errada. Têm pena de mim, consideram-me a “desgraçada que aceitou criar a filha do outro, sem sequer casar”.

Será que elas têm noção do que estão a dizer? Sabem a minha trajectória (como vocês sabem)? Claro que não. O mundo de fora julga-nos, alheio às nossas razões, aos nossos caminhos, e à nossa história. O universo supera comandos sociais. E embora estes tenham a sua razão de ser, não podemos esquecer que o universo concebeu cada um de nós com fórmulas únicas. Não adianta quereremos seguir o mesmo caminho. Caranguejos e cavalos, todos têm a sua corrida. É apenas uma questão de tempo.

Pois bem. Eis-me aqui, num novo caminho. Antes de vir a este planeta, desconhecia por completo a noção de “casamento”. Fiquei com medo. Daí a inicial reluctância em aceitar. Mas Will é persistente. A esta altura ele já devia saber que um papel assinado não vai assegurar, mais do que o meu abraço, que o amarei por toda a minha vida. Facto é, entretanto, que para ele e para os humanos no geral, esta oficialização é importante. E eu respeito isso. Respeito, acima de tudo, o humano que o meu coração escolheu. E estou contente em poder planear com ele todos os detalhes da cerimónia. Este mês vai ser muito agitado! O tal “casamento”, nas suas várias formas pelo mundo, costuma ser um evento assinalado com muita pompa e circunstância. O nosso não será necessariamente assim. Will teve que ceder e contentar-se com uma cerimónia bastante restrita.

Iremos fazer o enlace numa praia (oh mar, a mais bela das coisas da terra!) num lugar que é especial para mim: Moçambique. Depois dos últimos eventos, decidimos buscar refúgio nesta terra, por uns tempos. Na cerimónia, seremos nós dois, a nossa filha Érica, os pais de Will e a minha amiga Fatinha. Talvez mais alguns amigos comuns. Não mais de doze pessoas.

Há, entretanto, alguns aspectos do casamento, em toda a sua natureza e propósito, que são de difícil compreensão para uma qawwi como eu: o registo civil. O que será que isto implica? Embora para mim seja, sinceramente, despropositado, entendo e reconheço que pela condição humana e o meio em que esta espécie vive, seja de vital importância. Andei a estudar a questão e descobri algumas informações que podem ser úteis, não só para mim, mas para quem também estiver a organizar o seu casamento. O regime de bens a adoptar. Vamos analisar juntos?

Convenção antenupcial

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O casal pode optar, ou não, por um documento chamado “convenção antenupcial”. Se os noivos optarem por fazer uma convenção antenupcial, poderão escolher o regime que querem que se aplique na gestão dos bens do casamento. Entre outras matérias, podem também definir neste documento, como como será, por exemplo, a guarda dos filhos em caso de divórcio.

Estranho, não é? Mas para vocês humanos, talvez faça todo o sentido.

Comunhão de bens adquiridos

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Na falta da tal convenção antenupcial, o casamento considera-se celebrado sob o regime de bens adquiridos. O que significa que todos os bens adquiridos pelo casal depois do casamento, são de ambos (excepto bens que recebam como doação ou herança, ou material de trabalho de cada um).

Regime da comunhão geral de bens

Se o casal adoptar este regime, significa que o património comum é constituído por todos os bens presentes e futuros do casal. Ou seja, todas as coisas serão nossas.

Regime da separação de bens

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Se o casal adoptar este regime, cada um deles conservará o domínio de todos os bens futuros e presentes, podendo dispor livremente desses bens. Ou seja, o que é meu, é meu, o que é dele, é dele.

Espero que para vocês humanos a informação seja útil e faça sentido. Quanto a mim, completamente sem ideias. Algum conselho?

Desabafo de uma qawwi

#16| A arte de sentir-se heróico

Talvez fosse por causa do efeito de “Love Never Dies”, que não nos apercebemos do estranho movimento. A rua estava deserta e nós, ainda embriagados pelo final do espectáculo. A arte é, e para sempre será, uma das melhores invenções dos humanos.

Assim, quando demos pela presença, já os três homens encontravam-se bem perto. Bloquearam o caminho, e o que estava na dianteira, pôs-se a rondar-nos como um cão que fareja ossos. De seguida puxou um pouco a camisola. A pistola na calças ficou visível.

– Joias e carteiras, rápido!

– Telefones, a porra dos telefones! – acrescentou o outro.

Instintivamente, Will meteu o braço à minha volta e puxou-me para trás.

– Deixem-nos em paz.

Melindrando pela ousadia, o homem sacou a pistola e reforçou a ordem:

– Dinheiro seus surdos, já!

Will afincou e senti que pretendia lutar. Travei-o. Ou ele esquecia-se de que eu era uma qawwi, cheia de poderes que nenhum outro humano tinha, ou ele simplesmente estava dominado por um impulso irracional. E isso era muito perigoso. Os humanos não deviam reagir em circunstâncias daquelas. Era preciso simplesmente obedecere o assaltante para sobreviver. Só que a tênue fronteira entre o terror e prazer, o ter que conviver com o medo como quem abraça um amigo, deu aso a uma revolução. A exacerbada violência nas ruas fez com que noções básicas de defesa pessoal tornassem-se tão necessárias como o acto de respirar. Era por isso que as artes marciais andavam em voga. E dependendo das cidades, as pessoas já começavam a carregar no bolso ferramentas de protecção, como canivetes, sprays de pimenta, teasers de choque, entre outros, desde que a sua posse fosse permitida pelas leis locais.

No meu planeta, eu fazia parte da segurança real, ou seja, era uma qawwi altamente treinada. Mas mesmo assim, achei boa ideia frequentar a academia de judo, com Will e com Érica. Aliás, o judo ajuda as crianças a aumentarem as suas capacidades físicas e psíquicas, e contribuem com valores importantes, como companheirismo e respeito pelos demais.

Pensar que a minha família não tinha os mesmos poderes que eu e que estava à mercê da sua própria fragilidade, deixava-me fora de controle. E não é bonito ver uma qawwi descontrolada.

– Senhores, deixem-nos ir para casa.

Eles agitaram-se, cheios de pressa.

– Vão morrer porra, passem o dinheiro!

Dei por mim a cerrar os dentes e punhos.

– Senhores, eu não vou repetir-me…

Então, calaram-se. E súbito:

– É uma bruxa! – após o grito, e para o meu espanto, fugiram como quem foge de uma queda de granizo. Menos o que estava armado. Guardou a pistola, e continuou a olhar-me. Mas desta vez, nutria um súbito ardor excitado no rosto.

– Os teus olhos moça…

Foi nesse instante que percebi o que tinha causado a fuga dos outros. Sacudi a cabeça para fazer o efeito desaparecer. É que quando fico alterada, as minhas reacções manifestam-se nos olhos que cobrem-se de um manto azul.

– És um deles, és uma qawwi! – constatou o outro na mesma incontrolável avidez – Estás com Vallen!

O sentimento anterior foi substituído por um medo de proporções alarmantes.

– Como… como o senhor sabe sobre os qawwis?

Não respondeu. Apenas sorriu e imprimiu velocidade quando correu em busca dos outros. Parecia feliz com a descoberta. Demasiado feliz.

Apreensiva, segurei a mão de Will.

– Depressa… temos de ir.

**

Em menos de uma semana, estávamos a fazer as malas. Cedo ou tarde Vallen ia aterrar naquela cidade. Se é que já não o tinha feito. Eu até poderia enfrentá-lo. Mas já não estava sozinha. Tinha de pensar na minha família. Mudar de cidade era a única forma de mantê-los a eles e a minha missão em segurança. Embora o confronto parecesse-me algo cada vez mais inadiável. Por essa mesma razão, optei por revelar um pouco mais do meu mundo a Will, ensinando-o a usar as flechas quentes. As armas dos qawwis. A resposta necessária, para o que há de pior no meu planeta.

Fui até ao jardim ver como ele estava a sair-se e nesse momento, uma flecha acertou um pequeno tabuleiro fixado há alguns metros. Assim que atingiu o alvo, a flecha desprendeu uma tira de fumo.

– Will… bravo!

Ele efectivamente já dominava as flechas quentes.

– Sinto-me heróico Linan, como um personagem dos jogos da fome

– Isto não é fome nem jogo Will! Mas sim… é uma arte saber usá-las! E se vamos casar, é justo que saibas lutar como um qawwi, para proteger a nossa família.

Will baixou o braço, boquiaberto.

– Vamos?

Devolvi um olhar que não logrou ser tranquilo.

– Ou mudaste de ideias?

O rosto dele ganhou um espectro de tons radiosos, como se tivessem acendido em lenta sucessão as luzes decorativas de uma festa. Com um só braço, atraiu-me para perto de si e murmurou ao pé dos meus lábios.

– Fazes de mim o homem mais feliz do mundo, Linan. E podes ter a certeza que – ergueu o arco – ninguém vai meter-se com a nossa família – e deixou outra flecha escapar.

Desabafo de uma qawwi, Dia a dia de uma qawwi, Dicas

#15| Sete premissas que aumentam as chances de o seu filho tornar-se um adulto equilibrado e feliz

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Planear o futuro não é somente hábito dos humanos. Como qawwi, eu também traço (e tracei) metas e objectivos para a minha vida. Mas, como todos vocês certamente compreendem, por mais fantásticos que os nossos planos sejam, as águas do destino desviam o percurso e os levam pela correnteza. A mesma correnteza que acabou por fazer-me apaixonar-me por um humano e tornar-me mãe adoptiva de uma linda menina. Quer dizer, mãe e ponto final. Sem falar do facto de que estou prestes a casar-me, mas os detalhes sobre isto ficam para os próximos dias.

Por ora, resta-me afirmar, sem muita margem de dúvida, que não há forma mais bonita e sublime de aperfeiçoarmos a nossa essência humana, senão pela experiência de sermos pais. Entretanto, a sociedade e todo o planeta terra, exige muito dos humanos como pais. Como se já não bastasse a pressão imposta por nós próprios quando se trata de educar. Afinal, o que mais importa para os pais, senão criar os filhos para que estes sejam felizes e bem sucedidos?

Não, não é fácil. Educar Érica, por exemplo, tem se revelado um desafio maior do que previsto. Onde é que Will e eu estamos a errar? De onde surge tanta rebeldia? É normal que o coração de um pai, especialmente de primeira viagem, que tanto desejou a chegada do filho, derrame de amor e acabe por exagerar nos mimos. O bem-estar das crianças é vital e muitas vezes é difícil encontrar um equilíbrio no acto de dar amor, dar o melhor e dar o que é preciso.

É nisto que tenho estado a reflectir e por isso decidi partilhar convosco, sete valores e premissas essenciais a incutir na infância do seu filho, para que no futuro ele seja um adulto equilibrado e feliz. Vamos reflectir juntos?

  1. Autonomia

Segundo alguns estudos, o estimulo da autonomia da criança desde cedo, impacta positivamente no desenvolvimento cognitivo. Esta função engloba a memória de trabalho, raciocínio, capacidade de resolução de problemas e flexibilidade de tarefas. Por essa razão, é importante que você como pai/mãe, diminua a tendência de resolver todos os problemas para o seu filho. Ao aprender a andar, por exemplo, o seu filho vai cair, inúmeras vezes. Correr automaticamente para o levantar do chão, apenas prolongará a dependência da criança. Por mais difícil que seja, é importante deixar a criança levantar-se sozinha e perceber que a queda é natural e faz parte do processo de aprendizagem.

  1. Honestidade

Você já reparou que certas crenças e valores que nos acompanham na fase de adulto, fazem parte de um conjunto de informação que recebemos muito cedo, quando crianças? Pois bem, os valores importantes para o ser humano devem ser inculcados logo cedo. De acordo com a neurocientista e psicóloga Bruna Velasques, “de zero aos seis anos é o momento mais importante, chamada idade de ouro para o desenvolvimento cerebral. É quando os neurônios estão mais aptos a receber informações do ambiente”. Fonte | Fonte BBC

Esta é a fase mais propícia para se aprender (línguas por exemplo) e é importante que já nesta altura se comece a transmitir os ensinamentos que nos são mais vitais. E a propósito disto, um dos pilares para que o seu filho seja um adulto equilibrado e gentil, é a honestidade. Ensine o seu filho a honestidade, sendo você o modelo. Não faça promessas que não irá cumprir, por mais inofensivas que pareçam, pois apesar de pequenas, as crianças gravam essa informação e ficam com a percepção de que não tem problema faltar com a palavra.

  1. Merecimento

Ensine o seu filho a merecer e a lutar pelas coisas que quer. Por exemplo, não se limite simplesmente a comprar aquele carrinho ou boneca que ele quer, só porque pediu e chorou por ele. Estimule-o a explicar exactamente o porquê de ele querer aquele e não outro brinquedo (quando, por exemplo, já tem outro em casa). Ensine-o, sobretudo, a ter paciência.

  1. Boas maneiras

Usar desde cedo as palavras “obrigada”, “desculpa” e “por favor” na interacção com os seus filhos, irá ajudá-los a tornarem-se adultos gentis e amáveis.

  1. Saber partilhar

Esta questão tem gerado controvérsia entre os humanos. Saber dividir é importante, e incube-nos a nós, como pais, ensinar esta qualidade aos nossos filhos. Todavia, existe uma corrente de estudiosos que advoga que não devemos ensinar a criança a partilhar. Segundo esta teoria, na primeira fase da educação, a criança está a apreender a ser capaz de reconhecer as próprias obrigações e não se pretende que ela sinta-se no dever de interromper o seu trabalho para ‘dar’ alguma coisa para outra criança só porque aquela pediu”. (Confira: Porque não ensinar a partilhar)

Seja qual for o método que você adopte, assegure-se de encontrar um equilíbrio, e ensinar, pelo menos em casa, a importância de saber partilhar, sobretudo com os que ama. Isto vai ser um grande alicerce para que como adulto, ele(a) saiba corresponder as necessidades de outro ser humano e não se torne uma pessoa egoísta.

  1. Saber lidar com o não

Esta é talvez a maior dificuldade dos pais, especialmente os de primeira viagem como Will e eu. Nós dois tínhamos imensas dificuldades em dizer “não” a um pedido de Érica, o que por fim, chegou a resultar com que ela usasse o choro como uma espécie de manipulação. A verdade é que é necessário estabelecer limites e ensinar a virtude da paciência. A frustração e a desilusão fazem parte da natureza e do crescimento humano. Quanto mais cedo o seu filho aprender a lidar com momentos de frustração, mais facilmente ele aprenderá a ter autocontrole e a saber esperar, tornando-se assim, no futuro, uma pessoa equilibrada.

  1. Ensine-os a quererem o melhor

Polite-Child

É sempre boa ideia a mãe envolver tanto meninos como meninas nas tarefas da casa, inclusive na gestão. Assim, ambos saberão que a lida e a gestão da casa podem ser feitas por todos, independente do género. E o pai, por exemplo, pode sempre ser atencioso e cavalheiro com a mãe e com as crianças, para que os meninos sigam o exemplo e as meninas, saibam o que esperar de um parceiro no futuro.