Desabafo de uma qawwi

#19|Músicas para o casamento: as 30 melhores escolhas dignas do grande dia

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Imagem (GIF): TVD – do canal CW

Não imaginei que houvesse tanto para pensar e organizar em torno de um casamento. Desde a escolha dos padrinhos, a etiqueta, o orçamento, a roupa, o menú de copo de água, até a música de ambientação. Felizmente para mim e para Will, muitos destes aspectos são simples de resolver, já que optamos por uma cerimónia discreta, com apenas uma dúzia de convidados. Neste exacto momento, depois de ter experimentado o meu vestido de noiva, coloco headphones nos ouvidos para escutar a playlist organizada pelo meu noivo. Já escolhemos as músicas que não queremos para esse dia. Agora é chegada a hora de seleccionar aquelas canções que sussuram directo aos nossos corações.

A playlist de um casamento deve ser equilibrada para agradar tanto os convidados como os apaixonados. Para os momentos mais solenes, normalmente são escolhidas músicas pessoais, que têm uma história para o casal, ou que mostram a sua personalidade / o seu estilo. Na ausência de uma música pessoal, existem temas clássicos que de igual forma desempenham, e maravilhosamente bem, o mesmo papel. É como se estas músicas tivessem sido escritas especialmente para você, e para todos que estarão consigo neste grande dia. E no geral, são músicas agradáveis para qualquer ouvido.

Vamos escolher juntos?

PARTE 1 – ENTRADA OU ABERTURA DE SALA – PADRINHOS

  1. Unforgatable – Nat King Cole

Conforme o próprio título, este elegante clássico é inesquecivel e encata até os dias de hoje. Escute

2. At last – versão de Beyónce (original Etta James)

Esta canção carrega classe. Não foi por acaso que o ex-presidente dos EUA Barack Obama e a esposa Michelle, abriram a sala no dia da tomada de posse ao som desta melodia, na interpretação de Beyoncé. Escute

PARTE 2 – ENTRADA OU ABERTURA DE SALA – PAIS

3. Criação divina – Paula Fernandes e Zezé Di Camargo

Canção que fala universalmente do amor. Escute

4. To make you feel my love – versão de Adele

Na melodia e na voz de Adele, esta música derrete o mais frio dos corações. Escute

PARTE 3 – ENTRADA DOS NOIVOS NA IGREJA, NO REGISTO E NA RECEPÇÃO

Os tradicionais

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Crédito foto: Zigy Kaluzny-CharlesThatcher/The Image Bank/Getty Images

5. Marcha Nupcial

Para os mais tradicionais, a entrada pode ser feita ao som da marcha nupcial neste belo arranjo. Escute

Os modernos

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Crédito foto: Wedding Frog

Hoje em dia pode inovar-se nestas “entradas triunfantes”. A T-Mobile inclusive idealizou numa campanha, como seria uma animada entrada da família real do Reino Unido no casamento de Kate & William (veja aqui o vídeo da dança do casamento real que na altura tornou-se viral).

Assim sendo, os mais ousados que se sentem inclinados a entrar em ambiente de farra num beat mais uplifting, numa coreografia sensual ou engraçada, podem optar por um destes temas:

6. You’re the first, the last, my everything – Barry White – Escute

7. Shape of you – Ed SheeranEscute

8. I got a feeling – Black Eyed PeasEscute

9. Happy – PharellEscute

10. Just the two of us – Bill WhitersEscute

Já os mais românticos, podem entrar com temas como estes, que são verdadeiras e emocionantes declarações de amor de quem e para quem, está a subir no altar.

11. Porque queremos ver-nos – Vanesa Martin feat Matias Damásio – Escute

12. Beautiful in white – Westlife – Escute

13. Marry me – Train – Escute

14. From this moment on – Shania Twain – Escute

15. Thousand years – Cristina Perry – Escute

16. Amole Mu – Calema – Escute

PARTE 4 – ABERTURA DE SALA

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O momento mais especial para os apaixonados noivos merece uma música a altura. Qualquer um dos temas abaixo dignifica o momento:

17. De Janeiro e Janeiro – Roberta Campos e Nando Reis – Escute

18. I finally found someone – Bryan Adams feat Barbra Streisand – Escute

19. Soul on Soul – Rod Stewart – Escute

20. For the first time – Rod Stewart – Escute

21. Heaven sent – Keyshia Cole – Escute

22. Loucos – Matias Damásio – Escute

23. Para tu amor – Juanes – Escute

PARTE 5 – ATIRAR O BOUQUET DA NOIVA / LEILÃO DA GRAVATA DO NOIVO (OU OUTRAS BRINCADEIRAS/ TRADIÇÕES TOLAS)

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Foto crédito: Instagram: @wife_and_husband_247

Este são momentos de diversão e alegria. E já que a ideia é dar sorte aos solteiros, ninguém vai ficar parado se o DJ soltar uma destas animadas e vibrantes músicas.

Noivas:

24. Walking on sunshine – Katrina & the Waves – Escute 

25. Single ladies – Beyonce – Escute

Noivos:

26. Marry you – Bruno Mars – Escute

27. Number one – Mr. Bow & Liloca – Escute

PARTE 6 – CORTEJO DE SAÍDA

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Foto crédito: DJ Plus

E que tal sair da cerimónia em grande estilo, ao ritmo destas fabulosas músicas? Palmas, flores, fogos de artifício, bolhas de sabão, balões… tudo será bem vindo. Afinal, é uma nova vida que começa.

28. Time of my life – Bill Medley & Jennifer Warnes – Escute

29. Save the last dance for me – Michael Buble – Escute

30. Wedding Day – Brenda Fassie – Escute

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E porque tem uma história e significado especial para nós, Will e eu escolhemos para entrada na recepção a música Just the two of us, e para a nossa dança especial, a música de Janeiro e Janeiro.

Cinema (Filmes / Séries), Opiniões

Cinema | 8 filmes para quem decidiu pôr o anel

O casamento é uma das decisões mais importantes que um ser humano toma ao longo da sua vida. Afinal, trata-se de escolher com quem vai-se partilhar uma vida inteira e essa escolha pode ser a estrada para um sonho ou para um pesadelo. Não é por acaso que a indústria cinematográfica explora profundamente esta matéria, expondo o lado divertido, dramático ou trágico da coisa. Nota-se, porém, uma certa tendência de os filmes deste género possuirem uma característica previsível, com uma mulher perseguindo o sonho de colocar o vestido branco e um homem relutante em subir ao altar.

Este mês, como já devem ter reparado, é particularmente especial, pois casa-se a nossa qawwi. Com um humano. Inspirados por este inesperado evento, decidimos partilhar com vocês, alguns filmes que, dentro do tema, tentam explorar outros aspectos além do simples “casar”, fora das ideias padrão impostas pela sociedade, servindo assim de inspiração para buscar bases sólidas para o amor. Vamos conferir?

8. Até que a sorte nos separe 3: a falência final – 2015

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A comédia até que a sorte nos separe, é uma trilogia brasileira que conta a história de Tino, um homem que ganhou, e tão facilmente perdeu dinheiro. Nesta terceira parte da saga (a falência final), a filha de Tino fica noiva de um jovem de família de classe alta, mas Tino, cheio de orgulho, decide que irá arcar sozinho com os custos da cerimónia de casamento. Visto que não tem dinheiro para tal, ele aceita uma oferta de emprego na agência do seu compadre. Como era de esperar-se, Tino consegue, mais uma vez, perder dinheiro. Só que desta vez, Tino não leva apenas a agência do compadre à falência. Ele “arruina” também o próprio Brasil. Com este desastre e sem confessar que está falido, Tino continua a empreitada de tentar financiar um casamento de luxo para a filha. Uma comédia mediana, mas com um óptimo roteiro à volta de reflexões políticas e familiares.

Trailer:

7. Rachel Getting Married (o casamento de Rachel) – 2008

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O filme conta a história de Kym (Anne Hathaway) que sai de uma clínica de reabilitação e visita a família por ocasião do casamento da sua irmã Rachel. Os conflitos e o passado de Kym e da família acabam sobressaindo durante os preparativos da cerimónia. O filme aborda o valor do perdão e da superação. Por outro lado, retrata ao pormenor, a organização de uma cerimónia simples e invulgar, e a tradição americana do rehearsal dinner (jantar de ensaio). Entretanto, a angústia e os eventos familiares vividos no filme têm uma intensa carga emotiva que acabam inevitavelmente por arrancar-nos algumas lágrimas.

Trailer:

6. When we first met (Quando nos conhecemos) – 2018

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Inconformado com o noivado e casamento de Avery, aquela que ele acredita ser a mulher dos seus sonhos, Noah recebe uma inesperada chance de viajar no tempo e alterar a noite em que a conheceu, tentando assim mudar o destino.

Apesar de a trama estar mais voltada à temática sobre viagens no tempo, a comédia faz-nos pensar sobre as nuances das nossas escolhas, e sobre o que é que, de facto, leva-nos a acreditar que é “aquela pessoa” com quem queremos partilhar uma vida inteira.

5. Monster in Law – Uma sogra de fugir (2005)

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Mais do que um esposo, ou uma esposa perfeita, há que analisar-se a dinâmica das relações entre mães e filhos, sogros, noras e genros. Que Jennifer Lopes não nos deixe dizer o contrário, nesta comédia que retrata tal dinâmica.

Trailer:

4. My Greek fat wedding – Casamento Grego (2002)

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Toula Portokalos (Nia Vardalos) tem 30 anos, é grega, e ao contrário do sonho do seu pai, que é que ela arranje um bom marido grego, ela quer algo mais na vida. É ao ter aulas de informática numa universidade, que acaba por apaixonar-se por um professor de inglês, que é completamente o oposto do desejo de seu pai, ou seja, um não-grego. My Greek fat wedding não é apenas uma linda comédia romântica que explora uma relação intercultural. Ela ensina de forma bem humorada como aceitar diferenças.

Trailer:

3. Guess Who (A família da noiva) – 2005

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A trama principal é de Theresa e Simon, que enfrentam dificuldades pelo facto de Percy Jones, pai de Theresa, não ficar contente em ter um genro branco. Porém, a trama secundária também promete. Afinal, os pais de Theresa estão a preparar-se para celebrar 25 anos de casados. São os votos que Percy não consegue escrever, é Percy que quer minimizar os gastos com a cerimónia… parece familiar?

2. Mamma Mia – 2010

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Este musical com temas dos Abba (num cenário colorido proporcionado numa ilha da Grécia), segue a jovem Sofia e o seu desejo de ter o (desconhecido) pai, ao seu lado, para levá-la ao altar no dia do casamento. Mais do que os preparativos da festa de casamento, a história aflora a descoberta de segredos de família, resgate de amores e relacionamentos do passado, e sobretudo a realização de sonhos.

Trailer:

  1. The Wedding Party (2016)

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Desde os trajes coloridos, as amigas cúmplices da noiva, as tias que cantam com entusiasmo, os amigos malandros do noivo, os familiares penduras sem convite, o buffet que não é suficiente… tudo nesta película parece bastante verosímil no retrato de um casamento numa sociedade africana. Esta produção nigeriana (Nollywood), exibida pela Netflix, vai animar qualquer pessoa, seja ou não de cultura nigeriana / africana. Óptima aposta para quem sentir o coração leve e conhecer outras culturas.

Trailer:

Desabafo de uma qawwi, Dicas

#18| Imploramos: jamais toque estas músicas no dia do seu casamento

A música é das melhores criações do ser humano. Ela revela os vários sentimentos que trazemos dentro de nós. O meu noivo Will disse-me que num casamento, as músicas tocadas, especialmente as para os momentos mais solenes, definem o tom do próprio casamento. Por essa razão, eu e ele estamos a escolher com rigor os temas que vão ambientar a nossa cerimónia. Segundo o meu noivo, existem músicas que são bastante inapropriadas para este tipo de evento, mas que por serem tão populares (e de facto muito boas) ou por terem um caris (aparentemente) romântico, acabam por entrar no repertório e até são dançadas, sem nos apercebermos de que na verdade trazem uma mensagem oposta daquilo que sentimos ou que gostaríamos de partilhar. Nesta lista, Will e eu seleccionámos algumas músicas que não queremos, de jeito nenhum, no dia do nosso casamento. E partilhamos para que você também implore ao seu DJ para jamais tocar na sua cerimónia.

  1. O grande amor da minha vida – Vavá

Não deixe-se levar pelo título desta música. Você não vai querer dar a entender que está a casar-se mas que o grande amor da sua vida é outra pessoa. Portanto, mate o DJ se ele colocar esta música durante a cerimónia.

  1. When I was your Man – Bruno Mars

Por muito bonita e romântica que seja esta balada, a mensagem é simplesmente lamentável para um casamento.

  1. Suspicious Mind – Elvis Presley

Will e eu adoramos esta música, mas para um casamento a mensagem é inapropriada. Se decidimos casar, com certeza que não estamos presos numa armadilha, nem desconfiados um do outro.

  1. Gold Digger – Kenny Waste

Por acaso o(a) seu(sua) amado(a) é um(a) gold digger? Cremos que não, então, por amor do Deus, não toquemos esta música.

  1. To all the girls I loved before – Julio Iglesias e Willie Nelson

Clássico apelativo, mas totalmente fora do contexto. O dia é dedicado ao amor da sua vida, e não aos amores do seu passado.

  1. A outra – Matias Damásio

De facto, muito popular. Mas dá para um casamento? Escute e tire as suas próprias conclusões.

  1. Its over – Rod Stewart

Apesar de metade desta balada dedicar-se a descrever aquilo que foi um casamento bonito, a música fala de um divórcio sangrento. Risque do repertório

7 – Take a picture of this – Don Henley

A música (tradução) diz algo mais ou menos assim: “no dia do nosso casamento, todos os nossos amigos regressaram para dar os parabéns. Criamos a nossa família, fomos tão felizes. Mas agora essas crianças cresceram e seguiram em frente. Isto é uma mala. Já não há razão para ficar. Passaste toda a tua vida a olhar para fotos do passado. Aqui está mais uma para o álbum. Tira uma foto disto. Eu a ir embora. Tira uma foto disto. Eu a partir.”

  1. Send my love – Adele

Adele é das melhores artistas do planeta, mas sinceramente, é melhor evitar fomentar recadinhos de ex companheiros(as) no casamento. O mesmo aplica-se a outras músicas da Adele, como “somenone like you” e “hello”. Inconvenientes e constrangedoras, no mínimo.

  1. Everybreath you take – the Police

Começamos a entrar em território cada vez mais perigoso. Este maravilhoso clássico dos the Police, a primeira vista parece ser uma declaração de amor, mas não é. Trata-se de alguém com comportamento doentio, de “stalker” (perseguidor). Você não é um “stalker” na vida do(a) seu(sua) amado(a), pois não?

  1. Love Hurts – Nazareth

O amor não dói, nem é espinhoso para quem está a casar. Ou é?

  1. Highway to Hell – ACDC

Dá muita vontade de cantar e seguir o coro deste tema. De preferência usando uns óculos escuros, como nos filmes. 5 será que o altar é uma auto estrada para o inferno? Cremos que não.

  1. End of the Road – Boys II Men

Quantas pessoas já não abriram a sala ao som desta bonita balada? Entretanto, esta música fala de um casal que chegou ao fim da linha no seu relacionamento. Exactamente o oposto do que está a acontecer neste dia tão especial. Nao aposte neste tema para o seu casamento.

  1. You’re beautiful – James Blunt

Esta popular canção já foi muitas vezes escolhida para cortejar a entrada dos noivos na cerimónia. Não é para menos, pois é bastante romântica e de facto, teria tudo para ser perfeita para esta ocasião. Entretanto, o tema narra a história de um homem que lamenta o facto de o seu amor estar longe do seu alcance, ao lado de outro homem. E se prestarem atenção, o final (I will never be with you) não é nada feliz.

Livros, Opiniões, Resenhas

Literatura | Bodas de Papel, de Daniel Moraes – Opinião

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Autor: Daniel Moraes

Editora: Rouxinol; 2018

Opinião

Foi uma óptima experiência e um grande prazer para nós entrar em contacto com a escrita de Daniel Moraes, no seu livro de estreia, Bodas de Papel. Ao apresentar-nos Michelle e Michael, logo de início numa situação delicada, o autor coloca-nos no impulso de saltar para a última página, deixando claro que o seu objectivo é arrancar algumas lágrimas do leitor.

A história começa quando Michelle, uma jovem dedicada exclusivamente à faculdade e ao trabalho, acaba desafiada a aceitar o amor de Michael, já que este não mede esforços para derrubar as muralhas que a outra havia edificado à sua volta nos últimos anos.

“A minha vida deu uma reviravolta agora e não sei qual será o meu próximo passo, mas tenho a certeza que não será para longe de você”. São passagens como estas, que revelam a sensibilidade no interior do protagonista Michael, assim como no do próprio autor.

Na sua proposta, Daniel revela uma narrativa bem estruturada, personagens com um bom grau de densidade psicológica, desde as centrais, às secundárias, com especial destaque à adorável Kelly e até a “negligente” médica Claudete. Daniel não é comedido na ambientação e nos detalhes que compõem o cenário da narrativa. É verdade que os detalhes às vezes se tornam um pouco “abundantes”, mas se isso é bom ou mau, depende da apetência de cada leitor em querer familiarizar-se com a vida do personagem.

O drama que dá essência à história é bastante plausível. A dificuldade enfrentada pelo casal é facilmente relatável e faz desabrochar no leitor uma grande empatia. Isto torna o livro fácil de ler. Amantes de uma história romântica, cheia de sensualidade e ousada na sua simplicidade, vão adorar a proposta. O mesmo tipo de ousadia e força encontramos no livro “Fica Comigo” de Noemia Amarillo. Daniel, entretanto, vai um pouco além ao aflorar com segurança conhecimentos médicos, tornando a leitura não só prazerosa, como também educativa. Ao chegarmos ao fim, o autor revela-se pretender ser tão dramático como Nicholas Sparks. Se realmente o faz, é algo que convidamos o leitor a descobrir.

A nossa classificação: 4 de 5 estrelas

Desabafo de uma qawwi

#17| Dúvidas de uma qawwi: qual regime escolher no casamento?

O que é que se espera de uma mulher, uma humana normal, na sociedade terráquea? Que cresça, estude, arranje um trabalho de sucesso, case, e por fim tenha filhos. Esta é a ordem das coisas. Mas eu, pobre de mim, sou uma criatura a parte. Nem mulher, nem humana. Não tenho um emprego convencional e vivo à toa pelo planeta terra em busca de uma missão cada vez mais dúbia. E como um carangeujo, os meus passos foram na retaguarda. “Solteira”, se assim quiserem chamar, ao aceitar ficar com Will, ganhei uma menina que agora é minha filha. E então, depois de ganhar uma filha, aceitei o tal casamento.

As pessoas que desconhecem a minha história acreditam que fiz as coisas de forma errada. Têm pena de mim, consideram-me a “desgraçada que aceitou criar a filha do outro, sem sequer casar”.

Será que elas têm noção do que estão a dizer? Sabem a minha trajectória (como vocês sabem)? Claro que não. O mundo de fora julga-nos, alheio às nossas razões, aos nossos caminhos, e à nossa história. O universo supera comandos sociais. E embora estes tenham a sua razão de ser, não podemos esquecer que o universo concebeu cada um de nós com fórmulas únicas. Não adianta quereremos seguir o mesmo caminho. Caranguejos e cavalos, todos têm a sua corrida. É apenas uma questão de tempo.

Pois bem. Eis-me aqui, num novo caminho. Antes de vir a este planeta, desconhecia por completo a noção de “casamento”. Fiquei com medo. Daí a inicial reluctância em aceitar. Mas Will é persistente. A esta altura ele já devia saber que um papel assinado não vai assegurar, mais do que o meu abraço, que o amarei por toda a minha vida. Facto é, entretanto, que para ele e para os humanos no geral, esta oficialização é importante. E eu respeito isso. Respeito, acima de tudo, o humano que o meu coração escolheu. E estou contente em poder planear com ele todos os detalhes da cerimónia. Este mês vai ser muito agitado! O tal “casamento”, nas suas várias formas pelo mundo, costuma ser um evento assinalado com muita pompa e circunstância. O nosso não será necessariamente assim. Will teve que ceder e contentar-se com uma cerimónia bastante restrita.

Iremos fazer o enlace numa praia (oh mar, a mais bela das coisas da terra!) num lugar que é especial para mim: Moçambique. Depois dos últimos eventos, decidimos buscar refúgio nesta terra, por uns tempos. Na cerimónia, seremos nós dois, a nossa filha Érica, os pais de Will e a minha amiga Fatinha. Talvez mais alguns amigos comuns. Não mais de doze pessoas.

Há, entretanto, alguns aspectos do casamento, em toda a sua natureza e propósito, que são de difícil compreensão para uma qawwi como eu: o registo civil. O que será que isto implica? Embora para mim seja, sinceramente, despropositado, entendo e reconheço que pela condição humana e o meio em que esta espécie vive, seja de vital importância. Andei a estudar a questão e descobri algumas informações que podem ser úteis, não só para mim, mas para quem também estiver a organizar o seu casamento. O regime de bens a adoptar. Vamos analisar juntos?

Convenção antenupcial

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O casal pode optar, ou não, por um documento chamado “convenção antenupcial”. Se os noivos optarem por fazer uma convenção antenupcial, poderão escolher o regime que querem que se aplique na gestão dos bens do casamento. Entre outras matérias, podem também definir neste documento, como como será, por exemplo, a guarda dos filhos em caso de divórcio.

Estranho, não é? Mas para vocês humanos, talvez faça todo o sentido.

Comunhão de bens adquiridos

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Na falta da tal convenção antenupcial, o casamento considera-se celebrado sob o regime de bens adquiridos. O que significa que todos os bens adquiridos pelo casal depois do casamento, são de ambos (excepto bens que recebam como doação ou herança, ou material de trabalho de cada um).

Regime da comunhão geral de bens

Se o casal adoptar este regime, significa que o património comum é constituído por todos os bens presentes e futuros do casal. Ou seja, todas as coisas serão nossas.

Regime da separação de bens

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Se o casal adoptar este regime, cada um deles conservará o domínio de todos os bens futuros e presentes, podendo dispor livremente desses bens. Ou seja, o que é meu, é meu, o que é dele, é dele.

Espero que para vocês humanos a informação seja útil e faça sentido. Quanto a mim, completamente sem ideias. Algum conselho?

Cinema (Filmes / Séries), Dicas, Opiniões, Uncategorized

Cinema | Always a Witch – Siempre Bruja (Seriado 2019) – Opinião

siempre_bruja_0.jpgImagem via Netflix

Opinião

A magia e a bruxaria são temas aos quais a indústria cinematográfica não se cansa de recorrer. Deve ser por alguma razão. E ora vejamos, numa mistura entre magia e viagens no tempo, não parece sobrar espaço para uma receita falhada.

Assim, o trailer e a sinopse da nova série espanhola despertaram todos os nossos sentidos: uma bruxa de muitos séculos passados, viaja ao futuro nos dias de hoje, para salvar o amor da sua vida e ao mesmo tempo derrotar um perigoso inimigo.

A série desenlaça logo nos primeiros minutos, onde descobrimos que, afinal, Cármen Eguilaz (Angely Gaviria) é uma escrava acusada de bruxaria e de ter enfeitiçado o seu amo, com quem vive um romance proibido, sendo condenada à pena de morte e queimada na fogueira, como acontecia na época da inquisição. O seu amado, não suportando perdê-la, tenta salvá-la, mas acaba morto a tiro. Assim, enquanto arde na fogueira, Cármen consegue viajar ao futuro, para cumprir uma missão que lhe foi dada por um poderoso bruxo, com a promessa de no fim da missão, poder regressar ao momento em que o amado ainda está vivo e salvá-lo.

A opinião crítica latina sobre esta série é surpreendentemente confusa. Enquanto a audiência parece feliz em ver na TV uma poderosa protagonista Afro-Latina num seriado deste género, muitos torcem o nariz ao romance que impulsiona a trama, ou seja, a história de amor entre uma escrava e o seu senhorio. Nós, sinceramente, não vemos o porquê deste “plot” ferir tanto as sensibilidades e ser alvo de uma crítica feroz, quando está dentro de um contexto histórico que, no final das contas, não deixou de existir. O passado não se apaga, mas com ele podemos aprender a não repetir os erros.

Agora, se formos a falar de como comporta-se esta personagem que sai dos anos 1600 e chega ao futuro, aí sim, podemos ter bastante para questionar.

Eis o que achamos que foi executado de forma muito pobre nesta série: histórias que envolvem viagens no tempo, normalmente envolvem certo cepticismo da personagem que se vê num mundo diferente. Mas nesta série, a bruxa Cármen Eguilaz chega ao futuro e já vai marchando para a universidade, sem grandes dificuldades e sem ficar abismada com a modernidade a sua volta, nem com o tratamento igual entre pessoas (mais uma vez, ela vem da época da escravatura). Será que estava a evitar-se um cliché? Talvez, mas os lugares comuns, às vezes têm certa razão de ser, e aqui fizeram alguma falta.

Tirando este ponto que é uma espécie de falling flat para a expectativa dos telespectadores, a série é leve e mantém um bom ritmo, mostrando com sucesso o desenvolvimento de Cármen como figura feminina cheia de força, transformando-se num modelo a seguir. “Nós somos escravas, mas a senhora também é escrava. É escrava do seu marido, da sua religião e da sua sociedade. Se o preço para eu ser livre é casar-me, então não me caso”, é algo mais ou menos assim que lança Cármen Egulilaz, a dada altura, dotada pelo conhecimento dos seus direitos.

Destaque vai também para John-Kyi (Dylan Fuentes) que abrilhanta a série nos momentos em que esta precisa de um ar mais fresco.

A primeira temporada tem apenas 10 episódios, e para entretenimento geral, é uma série em que se pode apostar.

Confira o trailer:

A nossa classificação: 3 de 5 estrelas

 

Desabafo de uma qawwi

#16| A arte de sentir-se heróico

Talvez fosse por causa do efeito de “Love Never Dies”, que não nos apercebemos do estranho movimento. A rua estava deserta e nós, ainda embriagados pelo final do espectáculo. A arte é, e para sempre será, uma das melhores invenções dos humanos.

Assim, quando demos pela presença, já os três homens encontravam-se bem perto. Bloquearam o caminho, e o que estava na dianteira, pôs-se a rondar-nos como um cão que fareja ossos. De seguida puxou um pouco a camisola. A pistola na calças ficou visível.

– Joias e carteiras, rápido!

– Telefones, a porra dos telefones! – acrescentou o outro.

Instintivamente, Will meteu o braço à minha volta e puxou-me para trás.

– Deixem-nos em paz.

Melindrando pela ousadia, o homem sacou a pistola e reforçou a ordem:

– Dinheiro seus surdos, já!

Will afincou e senti que pretendia lutar. Travei-o. Ou ele esquecia-se de que eu era uma qawwi, cheia de poderes que nenhum outro humano tinha, ou ele simplesmente estava dominado por um impulso irracional. E isso era muito perigoso. Os humanos não deviam reagir em circunstâncias daquelas. Era preciso simplesmente obedecere o assaltante para sobreviver. Só que a tênue fronteira entre o terror e prazer, o ter que conviver com o medo como quem abraça um amigo, deu aso a uma revolução. A exacerbada violência nas ruas fez com que noções básicas de defesa pessoal tornassem-se tão necessárias como o acto de respirar. Era por isso que as artes marciais andavam em voga. E dependendo das cidades, as pessoas já começavam a carregar no bolso ferramentas de protecção, como canivetes, sprays de pimenta, teasers de choque, entre outros, desde que a sua posse fosse permitida pelas leis locais.

No meu planeta, eu fazia parte da segurança real, ou seja, era uma qawwi altamente treinada. Mas mesmo assim, achei boa ideia frequentar a academia de judo, com Will e com Érica. Aliás, o judo ajuda as crianças a aumentarem as suas capacidades físicas e psíquicas, e contribuem com valores importantes, como companheirismo e respeito pelos demais.

Pensar que a minha família não tinha os mesmos poderes que eu e que estava à mercê da sua própria fragilidade, deixava-me fora de controle. E não é bonito ver uma qawwi descontrolada.

– Senhores, deixem-nos ir para casa.

Eles agitaram-se, cheios de pressa.

– Vão morrer porra, passem o dinheiro!

Dei por mim a cerrar os dentes e punhos.

– Senhores, eu não vou repetir-me…

Então, calaram-se. E súbito:

– É uma bruxa! – após o grito, e para o meu espanto, fugiram como quem foge de uma queda de granizo. Menos o que estava armado. Guardou a pistola, e continuou a olhar-me. Mas desta vez, nutria um súbito ardor excitado no rosto.

– Os teus olhos moça…

Foi nesse instante que percebi o que tinha causado a fuga dos outros. Sacudi a cabeça para fazer o efeito desaparecer. É que quando fico alterada, as minhas reacções manifestam-se nos olhos que cobrem-se de um manto azul.

– És um deles, és uma qawwi! – constatou o outro na mesma incontrolável avidez – Estás com Vallen!

O sentimento anterior foi substituído por um medo de proporções alarmantes.

– Como… como o senhor sabe sobre os qawwis?

Não respondeu. Apenas sorriu e imprimiu velocidade quando correu em busca dos outros. Parecia feliz com a descoberta. Demasiado feliz.

Apreensiva, segurei a mão de Will.

– Depressa… temos de ir.

**

Em menos de uma semana, estávamos a fazer as malas. Cedo ou tarde Vallen ia aterrar naquela cidade. Se é que já não o tinha feito. Eu até poderia enfrentá-lo. Mas já não estava sozinha. Tinha de pensar na minha família. Mudar de cidade era a única forma de mantê-los a eles e a minha missão em segurança. Embora o confronto parecesse-me algo cada vez mais inadiável. Por essa mesma razão, optei por revelar um pouco mais do meu mundo a Will, ensinando-o a usar as flechas quentes. As armas dos qawwis. A resposta necessária, para o que há de pior no meu planeta.

Fui até ao jardim ver como ele estava a sair-se e nesse momento, uma flecha acertou um pequeno tabuleiro fixado há alguns metros. Assim que atingiu o alvo, a flecha desprendeu uma tira de fumo.

– Will… bravo!

Ele efectivamente já dominava as flechas quentes.

– Sinto-me heróico Linan, como um personagem dos jogos da fome

– Isto não é fome nem jogo Will! Mas sim… é uma arte saber usá-las! E se vamos casar, é justo que saibas lutar como um qawwi, para proteger a nossa família.

Will baixou o braço, boquiaberto.

– Vamos?

Devolvi um olhar que não logrou ser tranquilo.

– Ou mudaste de ideias?

O rosto dele ganhou um espectro de tons radiosos, como se tivessem acendido em lenta sucessão as luzes decorativas de uma festa. Com um só braço, atraiu-me para perto de si e murmurou ao pé dos meus lábios.

– Fazes de mim o homem mais feliz do mundo, Linan. E podes ter a certeza que – ergueu o arco – ninguém vai meter-se com a nossa família – e deixou outra flecha escapar.