A 14 de Novembro de 2024, sábado, a manhã registava-se silenciosa, o que não carecteriza a maioria dos fins de semana de Maputo. Talvez fosse o medo, talvez o cansaço por tantos desafios que os cidadãos têm enfrentado. A Avenida 10 de Novembro replicava o mesmo remanso, com algumas barricadas e movimento da polícia, porém, por volta das 8:30, na zona do restaurante Water Front, já alguns artistas e outras pessoas da sociedade civil começavam a reunir-se para a concentração do movimento “Luto por Moçambique”. Uma concentração apartidária em prol da liberdade de expressão, democracia, direitos humanos, despartidarização estatal e transparência governamental. Afinal de contas, em tempos de crise e angústia, a arte ajuda a paralisar a dor e a recordar-nos que ela também serve para fortalecer e dar esperança. Daí, a música, a dança, o street art e a poesia que configuraram esta manifestação criativa e pacífica.

Numa altura de tanta turbulência, em que feridas profundas têm sido abertas, registando-se a perda de várias vidas, inclusive, mais recentemente, do blogueiro moçambicano Mano Shotas -que filmou a própria morte- nada resta fazer senão esperar que seja ressuscitada com alguma urgência, a tolerância e empatia no nosso país. Desta forma, a arte pode e deve continuar a apelar por um amanhã e um país construídos não sobre a intolerância e o medo, mas sobre a justiça e a paz.

O movimento impulsionado por Stuart Sukuma, contou também com um manifesto assinado por vários outros artistas. No panfleto circulado, constam as assinaturas de artistas como Sónia Sultuane, Kloro, Regina, Stewart Sukuma, Idio Chichava, Yuck Miranda, Sérgio Zimba, K9, Sufaida Moyane, Maria Helena Pinto, Rosa Mário, Énia Lipanga, Mingas, Kátia Vanessa, Maimuna Adam, Samuel Djive e Rico Biosse. O panfleto traz, ainda, textos/extractos de trabalhos dos escritores Elton Pila, Mélio Tinga, Natacha Socre, Euardo Quive, Leonel Matusse, Álvaro Taruma, Nelson Lineu e Lorna Zita, com ilustrações de Luís Santos, Psiconautah, Ventura Mulalene e Sérgio Zimba, cada um deixando o seu registo, na esperança de um futuro melhor para o país que ainda se quer para todos.

