Desabafo de uma qawwi

#17| Dúvidas de uma qawwi: qual regime escolher no casamento?

O que é que se espera de uma mulher, uma humana normal, na sociedade terráquea? Que cresça, estude, arranje um trabalho de sucesso, case, e por fim tenha filhos. Esta é a ordem das coisas. Mas eu, pobre de mim, sou uma criatura a parte. Nem mulher, nem humana. Não tenho um emprego convencional e vivo à toa pelo planeta terra em busca de uma missão cada vez mais dúbia. E como um carangeujo, os meus passos foram na retaguarda. “Solteira”, se assim quiserem chamar, ao aceitar ficar com Will, ganhei uma menina que agora é minha filha. E então, depois de ganhar uma filha, aceitei o tal casamento.

As pessoas que desconhecem a minha história acreditam que fiz as coisas de forma errada. Têm pena de mim, consideram-me a “desgraçada que aceitou criar a filha do outro, sem sequer casar”.

Será que elas têm noção do que estão a dizer? Sabem a minha trajectória (como vocês sabem)? Claro que não. O mundo de fora julga-nos, alheio às nossas razões, aos nossos caminhos, e à nossa história. O universo supera comandos sociais. E embora estes tenham a sua razão de ser, não podemos esquecer que o universo concebeu cada um de nós com fórmulas únicas. Não adianta quereremos seguir o mesmo caminho. Caranguejos e cavalos, todos têm a sua corrida. É apenas uma questão de tempo.

Pois bem. Eis-me aqui, num novo caminho. Antes de vir a este planeta, desconhecia por completo a noção de “casamento”. Fiquei com medo. Daí a inicial reluctância em aceitar. Mas Will é persistente. A esta altura ele já devia saber que um papel assinado não vai assegurar, mais do que o meu abraço, que o amarei por toda a minha vida. Facto é, entretanto, que para ele e para os humanos no geral, esta oficialização é importante. E eu respeito isso. Respeito, acima de tudo, o humano que o meu coração escolheu. E estou contente em poder planear com ele todos os detalhes da cerimónia. Este mês vai ser muito agitado! O tal “casamento”, nas suas várias formas pelo mundo, costuma ser um evento assinalado com muita pompa e circunstância. O nosso não será necessariamente assim. Will teve que ceder e contentar-se com uma cerimónia bastante restrita.

Iremos fazer o enlace numa praia (oh mar, a mais bela das coisas da terra!) num lugar que é especial para mim: Moçambique. Depois dos últimos eventos, decidimos buscar refúgio nesta terra, por uns tempos. Na cerimónia, seremos nós dois, a nossa filha Érica, os pais de Will e a minha amiga Fatinha. Talvez mais alguns amigos comuns. Não mais de doze pessoas.

Há, entretanto, alguns aspectos do casamento, em toda a sua natureza e propósito, que são de difícil compreensão para uma qawwi como eu: o registo civil. O que será que isto implica? Embora para mim seja, sinceramente, despropositado, entendo e reconheço que pela condição humana e o meio em que esta espécie vive, seja de vital importância. Andei a estudar a questão e descobri algumas informações que podem ser úteis, não só para mim, mas para quem também estiver a organizar o seu casamento. O regime de bens a adoptar. Vamos analisar juntos?

Convenção antenupcial

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O casal pode optar, ou não, por um documento chamado “convenção antenupcial”. Se os noivos optarem por fazer uma convenção antenupcial, poderão escolher o regime que querem que se aplique na gestão dos bens do casamento. Entre outras matérias, podem também definir neste documento, como como será, por exemplo, a guarda dos filhos em caso de divórcio.

Estranho, não é? Mas para vocês humanos, talvez faça todo o sentido.

Comunhão de bens adquiridos

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Na falta da tal convenção antenupcial, o casamento considera-se celebrado sob o regime de bens adquiridos. O que significa que todos os bens adquiridos pelo casal depois do casamento, são de ambos (excepto bens que recebam como doação ou herança, ou material de trabalho de cada um).

Regime da comunhão geral de bens

Se o casal adoptar este regime, significa que o património comum é constituído por todos os bens presentes e futuros do casal. Ou seja, todas as coisas serão nossas.

Regime da separação de bens

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Se o casal adoptar este regime, cada um deles conservará o domínio de todos os bens futuros e presentes, podendo dispor livremente desses bens. Ou seja, o que é meu, é meu, o que é dele, é dele.

Espero que para vocês humanos a informação seja útil e faça sentido. Quanto a mim, completamente sem ideias. Algum conselho?

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Cinema | Always a Witch – Siempre Bruja (Seriado 2019) – Opinião

siempre_bruja_0.jpgImagem via Netflix

Opinião

A magia e a bruxaria são temas aos quais a indústria cinematográfica não se cansa de recorrer. Deve ser por alguma razão. E ora vejamos, numa mistura entre magia e viagens no tempo, não parece sobrar espaço para uma receita falhada.

Assim, o trailer e a sinopse da nova série espanhola despertaram todos os nossos sentidos: uma bruxa de muitos séculos passados, viaja ao futuro nos dias de hoje, para salvar o amor da sua vida e ao mesmo tempo derrotar um perigoso inimigo.

A série desenlaça logo nos primeiros minutos, onde descobrimos que, afinal, Cármen Eguilaz (Angely Gaviria) é uma escrava acusada de bruxaria e de ter enfeitiçado o seu amo, com quem vive um romance proibido, sendo condenada à pena de morte e queimada na fogueira, como acontecia na época da inquisição. O seu amado, não suportando perdê-la, tenta salvá-la, mas acaba morto a tiro. Assim, enquanto arde na fogueira, Cármen consegue viajar ao futuro, para cumprir uma missão que lhe foi dada por um poderoso bruxo, com a promessa de no fim da missão, poder regressar ao momento em que o amado ainda está vivo e salvá-lo.

A opinião crítica latina sobre esta série é surpreendentemente confusa. Enquanto a audiência parece feliz em ver na TV uma poderosa protagonista Afro-Latina num seriado deste género, muitos torcem o nariz ao romance que impulsiona a trama, ou seja, a história de amor entre uma escrava e o seu senhorio. Nós, sinceramente, não vemos o porquê deste “plot” ferir tanto as sensibilidades e ser alvo de uma crítica feroz, quando está dentro de um contexto histórico que, no final das contas, não deixou de existir. O passado não se apaga, mas com ele podemos aprender a não repetir os erros.

Agora, se formos a falar de como comporta-se esta personagem que sai dos anos 1600 e chega ao futuro, aí sim, podemos ter bastante para questionar.

Eis o que achamos que foi executado de forma muito pobre nesta série: histórias que envolvem viagens no tempo, normalmente envolvem certo cepticismo da personagem que se vê num mundo diferente. Mas nesta série, a bruxa Cármen Eguilaz chega ao futuro e já vai marchando para a universidade, sem grandes dificuldades e sem ficar abismada com a modernidade a sua volta, nem com o tratamento igual entre pessoas (mais uma vez, ela vem da época da escravatura). Será que estava a evitar-se um cliché? Talvez, mas os lugares comuns, às vezes têm certa razão de ser, e aqui fizeram alguma falta.

Tirando este ponto que é uma espécie de falling flat para a expectativa dos telespectadores, a série é leve e mantém um bom ritmo, mostrando com sucesso o desenvolvimento de Cármen como figura feminina cheia de força, transformando-se num modelo a seguir. “Nós somos escravas, mas a senhora também é escrava. É escrava do seu marido, da sua religião e da sua sociedade. Se o preço para eu ser livre é casar-me, então não me caso”, é algo mais ou menos assim que lança Cármen Egulilaz, a dada altura, dotada pelo conhecimento dos seus direitos.

Destaque vai também para John-Kyi (Dylan Fuentes) que abrilhanta a série nos momentos em que esta precisa de um ar mais fresco.

A primeira temporada tem apenas 10 episódios, e para entretenimento geral, é uma série em que se pode apostar.

Confira o trailer:

A nossa classificação: 3 de 5 estrelas

 

Desabafo de uma qawwi

#16| A arte de sentir-se heróico

Talvez fosse por causa do efeito de “Love Never Dies”, que não nos apercebemos do estranho movimento. A rua estava deserta e nós, ainda embriagados pelo final do espectáculo. A arte é, e para sempre será, uma das melhores invenções dos humanos.

Assim, quando demos pela presença, já os três homens encontravam-se bem perto. Bloquearam o caminho, e o que estava na dianteira, pôs-se a rondar-nos como um cão que fareja ossos. De seguida puxou um pouco a camisola. A pistola na calças ficou visível.

– Joias e carteiras, rápido!

– Telefones, a porra dos telefones! – acrescentou o outro.

Instintivamente, Will meteu o braço à minha volta e puxou-me para trás.

– Deixem-nos em paz.

Melindrando pela ousadia, o homem sacou a pistola e reforçou a ordem:

– Dinheiro seus surdos, já!

Will afincou e senti que pretendia lutar. Travei-o. Ou ele esquecia-se de que eu era uma qawwi, cheia de poderes que nenhum outro humano tinha, ou ele simplesmente estava dominado por um impulso irracional. E isso era muito perigoso. Os humanos não deviam reagir em circunstâncias daquelas. Era preciso simplesmente obedecere o assaltante para sobreviver. Só que a tênue fronteira entre o terror e prazer, o ter que conviver com o medo como quem abraça um amigo, deu aso a uma revolução. A exacerbada violência nas ruas fez com que noções básicas de defesa pessoal tornassem-se tão necessárias como o acto de respirar. Era por isso que as artes marciais andavam em voga. E dependendo das cidades, as pessoas já começavam a carregar no bolso ferramentas de protecção, como canivetes, sprays de pimenta, teasers de choque, entre outros, desde que a sua posse fosse permitida pelas leis locais.

No meu planeta, eu fazia parte da segurança real, ou seja, era uma qawwi altamente treinada. Mas mesmo assim, achei boa ideia frequentar a academia de judo, com Will e com Érica. Aliás, o judo ajuda as crianças a aumentarem as suas capacidades físicas e psíquicas, e contribuem com valores importantes, como companheirismo e respeito pelos demais.

Pensar que a minha família não tinha os mesmos poderes que eu e que estava à mercê da sua própria fragilidade, deixava-me fora de controle. E não é bonito ver uma qawwi descontrolada.

– Senhores, deixem-nos ir para casa.

Eles agitaram-se, cheios de pressa.

– Vão morrer porra, passem o dinheiro!

Dei por mim a cerrar os dentes e punhos.

– Senhores, eu não vou repetir-me…

Então, calaram-se. E súbito:

– É uma bruxa! – após o grito, e para o meu espanto, fugiram como quem foge de uma queda de granizo. Menos o que estava armado. Guardou a pistola, e continuou a olhar-me. Mas desta vez, nutria um súbito ardor excitado no rosto.

– Os teus olhos moça…

Foi nesse instante que percebi o que tinha causado a fuga dos outros. Sacudi a cabeça para fazer o efeito desaparecer. É que quando fico alterada, as minhas reacções manifestam-se nos olhos que cobrem-se de um manto azul.

– És um deles, és uma qawwi! – constatou o outro na mesma incontrolável avidez – Estás com Vallen!

O sentimento anterior foi substituído por um medo de proporções alarmantes.

– Como… como o senhor sabe sobre os qawwis?

Não respondeu. Apenas sorriu e imprimiu velocidade quando correu em busca dos outros. Parecia feliz com a descoberta. Demasiado feliz.

Apreensiva, segurei a mão de Will.

– Depressa… temos de ir.

**

Em menos de uma semana, estávamos a fazer as malas. Cedo ou tarde Vallen ia aterrar naquela cidade. Se é que já não o tinha feito. Eu até poderia enfrentá-lo. Mas já não estava sozinha. Tinha de pensar na minha família. Mudar de cidade era a única forma de mantê-los a eles e a minha missão em segurança. Embora o confronto parecesse-me algo cada vez mais inadiável. Por essa mesma razão, optei por revelar um pouco mais do meu mundo a Will, ensinando-o a usar as flechas quentes. As armas dos qawwis. A resposta necessária, para o que há de pior no meu planeta.

Fui até ao jardim ver como ele estava a sair-se e nesse momento, uma flecha acertou um pequeno tabuleiro fixado há alguns metros. Assim que atingiu o alvo, a flecha desprendeu uma tira de fumo.

– Will… bravo!

Ele efectivamente já dominava as flechas quentes.

– Sinto-me heróico Linan, como um personagem dos jogos da fome

– Isto não é fome nem jogo Will! Mas sim… é uma arte saber usá-las! E se vamos casar, é justo que saibas lutar como um qawwi, para proteger a nossa família.

Will baixou o braço, boquiaberto.

– Vamos?

Devolvi um olhar que não logrou ser tranquilo.

– Ou mudaste de ideias?

O rosto dele ganhou um espectro de tons radiosos, como se tivessem acendido em lenta sucessão as luzes decorativas de uma festa. Com um só braço, atraiu-me para perto de si e murmurou ao pé dos meus lábios.

– Fazes de mim o homem mais feliz do mundo, Linan. E podes ter a certeza que – ergueu o arco – ninguém vai meter-se com a nossa família – e deixou outra flecha escapar.

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#15| Sete premissas que aumentam as chances de o seu filho tornar-se um adulto equilibrado e feliz

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Planear o futuro não é somente hábito dos humanos. Como qawwi, eu também traço (e tracei) metas e objectivos para a minha vida. Mas, como todos vocês certamente compreendem, por mais fantásticos que os nossos planos sejam, as águas do destino desviam o percurso e os levam pela correnteza. A mesma correnteza que acabou por fazer-me apaixonar-me por um humano e tornar-me mãe adoptiva de uma linda menina. Quer dizer, mãe e ponto final. Sem falar do facto de que estou prestes a casar-me, mas os detalhes sobre isto ficam para os próximos dias.

Por ora, resta-me afirmar, sem muita margem de dúvida, que não há forma mais bonita e sublime de aperfeiçoarmos a nossa essência humana, senão pela experiência de sermos pais. Entretanto, a sociedade e todo o planeta terra, exige muito dos humanos como pais. Como se já não bastasse a pressão imposta por nós próprios quando se trata de educar. Afinal, o que mais importa para os pais, senão criar os filhos para que estes sejam felizes e bem sucedidos?

Não, não é fácil. Educar Érica, por exemplo, tem se revelado um desafio maior do que previsto. Onde é que Will e eu estamos a errar? De onde surge tanta rebeldia? É normal que o coração de um pai, especialmente de primeira viagem, que tanto desejou a chegada do filho, derrame de amor e acabe por exagerar nos mimos. O bem-estar das crianças é vital e muitas vezes é difícil encontrar um equilíbrio no acto de dar amor, dar o melhor e dar o que é preciso.

É nisto que tenho estado a reflectir e por isso decidi partilhar convosco, sete valores e premissas essenciais a incutir na infância do seu filho, para que no futuro ele seja um adulto equilibrado e feliz. Vamos reflectir juntos?

  1. Autonomia

Segundo alguns estudos, o estimulo da autonomia da criança desde cedo, impacta positivamente no desenvolvimento cognitivo. Esta função engloba a memória de trabalho, raciocínio, capacidade de resolução de problemas e flexibilidade de tarefas. Por essa razão, é importante que você como pai/mãe, diminua a tendência de resolver todos os problemas para o seu filho. Ao aprender a andar, por exemplo, o seu filho vai cair, inúmeras vezes. Correr automaticamente para o levantar do chão, apenas prolongará a dependência da criança. Por mais difícil que seja, é importante deixar a criança levantar-se sozinha e perceber que a queda é natural e faz parte do processo de aprendizagem.

  1. Honestidade

Você já reparou que certas crenças e valores que nos acompanham na fase de adulto, fazem parte de um conjunto de informação que recebemos muito cedo, quando crianças? Pois bem, os valores importantes para o ser humano devem ser inculcados logo cedo. De acordo com a neurocientista e psicóloga Bruna Velasques, “de zero aos seis anos é o momento mais importante, chamada idade de ouro para o desenvolvimento cerebral. É quando os neurônios estão mais aptos a receber informações do ambiente”. Fonte | Fonte BBC

Esta é a fase mais propícia para se aprender (línguas por exemplo) e é importante que já nesta altura se comece a transmitir os ensinamentos que nos são mais vitais. E a propósito disto, um dos pilares para que o seu filho seja um adulto equilibrado e gentil, é a honestidade. Ensine o seu filho a honestidade, sendo você o modelo. Não faça promessas que não irá cumprir, por mais inofensivas que pareçam, pois apesar de pequenas, as crianças gravam essa informação e ficam com a percepção de que não tem problema faltar com a palavra.

  1. Merecimento

Ensine o seu filho a merecer e a lutar pelas coisas que quer. Por exemplo, não se limite simplesmente a comprar aquele carrinho ou boneca que ele quer, só porque pediu e chorou por ele. Estimule-o a explicar exactamente o porquê de ele querer aquele e não outro brinquedo (quando, por exemplo, já tem outro em casa). Ensine-o, sobretudo, a ter paciência.

  1. Boas maneiras

Usar desde cedo as palavras “obrigada”, “desculpa” e “por favor” na interacção com os seus filhos, irá ajudá-los a tornarem-se adultos gentis e amáveis.

  1. Saber partilhar

Esta questão tem gerado controvérsia entre os humanos. Saber dividir é importante, e incube-nos a nós, como pais, ensinar esta qualidade aos nossos filhos. Todavia, existe uma corrente de estudiosos que advoga que não devemos ensinar a criança a partilhar. Segundo esta teoria, na primeira fase da educação, a criança está a apreender a ser capaz de reconhecer as próprias obrigações e não se pretende que ela sinta-se no dever de interromper o seu trabalho para ‘dar’ alguma coisa para outra criança só porque aquela pediu”. (Confira: Porque não ensinar a partilhar)

Seja qual for o método que você adopte, assegure-se de encontrar um equilíbrio, e ensinar, pelo menos em casa, a importância de saber partilhar, sobretudo com os que ama. Isto vai ser um grande alicerce para que como adulto, ele(a) saiba corresponder as necessidades de outro ser humano e não se torne uma pessoa egoísta.

  1. Saber lidar com o não

Esta é talvez a maior dificuldade dos pais, especialmente os de primeira viagem como Will e eu. Nós dois tínhamos imensas dificuldades em dizer “não” a um pedido de Érica, o que por fim, chegou a resultar com que ela usasse o choro como uma espécie de manipulação. A verdade é que é necessário estabelecer limites e ensinar a virtude da paciência. A frustração e a desilusão fazem parte da natureza e do crescimento humano. Quanto mais cedo o seu filho aprender a lidar com momentos de frustração, mais facilmente ele aprenderá a ter autocontrole e a saber esperar, tornando-se assim, no futuro, uma pessoa equilibrada.

  1. Ensine-os a quererem o melhor

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É sempre boa ideia a mãe envolver tanto meninos como meninas nas tarefas da casa, inclusive na gestão. Assim, ambos saberão que a lida e a gestão da casa podem ser feitas por todos, independente do género. E o pai, por exemplo, pode sempre ser atencioso e cavalheiro com a mãe e com as crianças, para que os meninos sigam o exemplo e as meninas, saibam o que esperar de um parceiro no futuro.

Desabafo de uma qawwi

#13| Finanças em tempos de crise: como prosperar – sem tornar-se um vírus perigoso para o sistema

Como é que alguns humanos conseguem prosperar e gerir as suas contas, enquanto outros afundam em dívidas? É nisto que estou a pensar enquanto coloco dois garrafões de água no carrinho, e vou ao encontro de Will e Erica no caixa do supermercado.

Neste planeta tudo tem um preço. Inclusive a água. E os humanos chamaram esta invenção de “laissez-faire”. Um mercado, onde as coisas só funcionam à base de troca. Para quem vem de um planeta onde toda e qualquer criatura tem acesso aos recursos, sem restrições, compreender essa tal “economia” é traumatizante.

Seja como for, por mais absurdo que seja, a verdade é que neste planeta, a sobrevivência depende desse factor: o dinheiro. Para lidar com isto, uma parte dos humanos recebe um “salário”, e o que é um salário? Uma espécie de prémio atribuído pelo sistema, mediante 30 dias de “trabalho” consecutivo prestado à outrem. Outros, entretanto, fazem o rendimento acontecer por conta própria. Há também os que agem de forma muito bizarra, mais ou menos como vírus. Estes são uma ameaça, pois podem corromper o sistema.

Corrupção

Viver neste planeta é isto. É saber lidar com a gestão de uma casa, de uma família, e de um salário para sobreviver. Normalmente eu não utilizo os meus poderes de qawwi para burlar o sistema e arranjar dinheiro. Isso só faria de mim mais um vírus.

Mas então, será que no meio deste caos, existe alguma forma de gerir correctamente as finanças e ter um equilíbrio? Estou inclinada a dizer que sim. Ora vejamos:

  1. Trabalhar no que se gosta

Na minha perspectiva de qawwi (que pode estar errada), quem realmente gosta do que faz, está mais propenso a ter êxito e consequentemente, a gerar melhor uma renda. Certo?

  1. Gastar menos do que ganha

Aqui a lógica parece simples. Utilizar somente os recursos de que se dispõem. Mas a realidade neste planeta não é essa. Muitos humanos têm a tendência de gastar além do que a sua conta permite, contraindo assim dívidas. O primeiro passo para o equilibro é eliminar este hábito.

  1. Controlar e moderar os hábitos

No meu planeta eu não precisava de alimentar-me, mas bastou chegar à terra para transformar-me no monstro do garfo. Quando trata-se de finanças, a comida é a minha ruina. Não sei qual é a sua fraqueza, mas para a mesma, tenho apenas uma palavra: moderação. Não apegue-se demasiado ao dinheiro, mas também não esbanje. Crie um budget mensal e respeite esse bugdet. Tenha autocontrole e adquira, primeiro, aquilo que realmente precisa.

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4. Traçar prioridades e metas

O tempo de estadia dos humanos no planeta terra é bastante curto. Logo, os humanos preocupam-se em aproveitar o máximo deste reduzido tempo (se não o fazem, deviam). As metas e prioridades são particulares à cada um. A minha prioridade, por exemplo, é viajar pelo mundo inteiro, até resgatar os qlubs. Mas para humanos como Will, por exemplo, a meta e o sonho pode ser fazer o tal “doutoramento”, passear num cruzeiro, casar, ter casa própria ou então organizar a tal “reforma”.

Estabeleça as suas prioridades e prazos realistas para atingir os seus objectivos.

5. Fazer uma poupança

A realização de alguns sonhos e metas requer planificação. Pela “poupança”, o humano guarda parte do seu rendimento para ter uma reserva que o permite mais tarde realizar os sonhos a longo prazo (ou aguentar imprevistos). Não importa o tamanho do seu salário/mesada/rendimento. O acto de poupar dinheiro, pouco que seja, ajuda a construir disciplina. É melhor poupar 10 e ao fim de um ano ter 120, do que não poupar nada. Eis alguns exemplos de como poupar:

As crianças e adolescentes (e também os adultos), podem ter um mealheiro para gerir as suas economias, criando deste modo, desde pequenino, o hábito de poupar;

– Crédito rotativo informal (xitique) – dependendo do número de pessoas a participar, é possível a curto e médio prazo ter um retorno garantido, sem estar sujeito à taxas nem comissões.

Depósitos a prazo – está a guardar dinheiro para projectos a longo prazo? Em vez de o deixar parado debaixo do colchão, porque não abrir uma conta a prazo ou uma conta poupança num banco? Assim, o seu dinheiro não só vai estar guardado, como também vai crescer e dar lucros que você pode utilizar.

6. Não se tornar um gatuno nem corromper o sistema:

Quaisquer que sejam as circunstâncias, não caia na tentação de apossar-se de dinheiro que não o pertence nem de o adquirir de forma ilegal. Isso só fara de você um vírus no sistema, que prejudica os demais.

Não imponha limites nos seus sonhos, nem nas formas de obter rendimentos para os realizar. Apenas o faça com responsabilidade e honestidade.

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Desabafo de uma qawwi, Dicas

#12| 9 coisas que devia saber antes de ir estudar fora

Desabafos de uma qawwi – 2019

 

Tēnā koutou e ngā manuhiri o te ao whānui. Saudações queridos visitantes!

É assim que se diz na Nova Zelândia! É verdade, desculpem não ter contado antes. Will, Érica e eu mudamo-nos para este maravilhoso canto do mundo!

Eu, uma qawwi, que nunca pensou apegar-se tanto aos humanos, de repente, tenho uma família. Eis-me aqui neste planeta, com um parceiro e uma filha. E o que ensinam-me estes dois humanos que tanto amo? Aprendo com eles, todos os dias, que as pessoas que gostam, fazem compromissos. Quaisquer divergências, acabam em meio termos.

Ora vejamos, Will, o meu parceiro, queria fazer um tal “doutoramento” (demorou algum tempo até eu compreender o que era isso). Eu, por outro lado, tinha de seguir a minha missão. E ambos precisávamos de pensar no melhor para a pequena Érica. Nova Zelândia foi o meio termo.

Com efeito, tem sido interessante observar a vida de Will como estudante. Para os humanos, mudar de país para estudar, pode ser um desafio. Um bom desafio, dependendo de como prepara-se para ele. É fascinante conhecer pessoas e lugares novos. Mas atenção: lidar com o stress de não ter um sítio para ficar ou descobrir que a inscrição na universidade não foi feita, não é uma experiência tão fascinante assim.

No registo de hoje, decidi partilhar 9 coisas que aprendi sobre este assunto. Lições que Will e desejávamos ter sabido, antes mesmo de viajar e espero que esta informação seja útil para você que pensa um dia, ou que já está a preparar, a aventura de estudar fora!

  1. Bolsa de estudos

 

Estudar num país diferente pode trazer benefícios para aquilo que vocês humanos chamam “CV” e “carreira profissional”. Por outro lado, esta experiência permite conviver com novas culturas, aprender/melhorar outros idiomas e desenvolver a nível pessoal.

Educação no estrangeiro, entretanto, requer planeamento e investimento (ainda não sei se o dinheiro qualifica como uma boa ou horrível invenção do humano). Quem, entretanto, precisa de ajuda financeira para realizar este plano (como era o caso de Will), também pode tentar obter algo chamado “bolsa de estudos”. Pesquise sobre isso, veja os requisitos e siga avante com a submissão!

2. Pondere com atenção o destino

Universidades. Há muitas delas e de facto é sensato escolher a melhor para o seu curso. Contudo, tenha também em consideração a localização e o clima do país. Se é asmático, por exemplo, pense bem antes de mudar-se para um país extremamente frio. Por outro lado, é óptimo poder estudar num país bem localizado, para que nas férias e feriados visite outras cidades do planeta.

3. Prepare de antemão a sua chegada

Ao chegarmos na Nova Zelândia, Will e eu ficamos num hotel provisório, aguardando a acomodação definitiva. Demorou mais tempo do que o previsto e o pouco dinheiro que tínhamos minguou a olhos vistos. Evite passar por esse sufoco. Certifique-se de que leva dinheiro suficiente para emergências. Outra coisa que pode ser útil é falar com pessoas que já estudaram ou trabalharam no país de destino. Podem dar dicas valiosas, incluindo sobre alojamento.

4. Família

Se você é um jovem estudante solteiro, pode saltar esta dica. Mas, se você tem família, então a dica é que inicie a viagem sozinho(a). Afinal de contas, você vai para um país que é, para todos os efeitos, desconhecido. Os primeiros dias tendem a ser caóticos. Vai facilitar bastante o processo se você tiver tempo para organizar-se e assentar, antes de receber a família.

5. Acomodação

Descubra se a sua universidade oferece acomodação. Normalmente costuma ser um pouco mais caro, mas se você tem uma boa bolsa e está sozinho(a), os benefícios de viver perto do ensino compensarão o valor. Se, ao contrário, você tem uma família, então considere arrendar um lugar mais espaçoso e económico, ainda que seja distante da universidade. Foi o que Will e eu fizemos.

Apenas certifique-se de que esse local tem transporte próximo e acessível.

6. Housemates

Uma das experiências mais comuns quando se vai estudar fora é ter housemates. Alguns tornam-se amigos. Mas atenção, o convívio com housemates nem sempre é fácil. Não romantize um cenário das novelas. Avalie com atenção a(s) pessoa(s) com que vai morar, os hábitos, e seja, sobretudo, tolerante às diferenças.

d929_39_084_12007. Convívio internacional

Por mais incrível que pareça, os estudantes internacionais acabam por conviver mais com outros estudantes internacionais do que com os locais. Portanto, não estranhe se a princípio não for muito fácil fazer amizades com os locais. O mais importante é conhecer pessoas. Fique atento e participe nos eventos da universidade, inscreva-se em cursos e hobbies que interessem e com o tempo, acabará integrando-se melhor.

8. Aproveite viajar

Se é estudante bolseiro, vai notar que na maioria desses países, a “bolsa/salário” é paga quinzenalmente. Use a primeira parte para liquidar as despesas, e aproveite a segunda para economizar e conhecer outros países. É certo que não dá para ir à outras galáxias, com muita pena, mas não deixa de ser maravilhoso!

gifts-studyabroad9. Não se esqueça do principal

Enquanto tira o máximo proveito de estar no estrangeiro, não se esqueça do principal. Certamente não viajou tão longe para ir chumbar em território alheio! Esmere-se. Em caso de dificuldades, peça ajuda num centro de estudos ou de apoio aos estudantes. Normalmente os humanos do corpo académico estão lá para o ajudar a triunfar no desafio a que você se propôs.

Acima de tudo, seja feliz.

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Informação extra para os humanos em Moçambique:

Bolsas de Estudo para Licenciatura e Mestrado na China – 2019

O Ministério de Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional (MCTESTP) através do Instituto de Bolsas de Moçambique (IBE) torna público que estão abertas candidaturas para bolsas para Licenciatura e Mestrado, oferecidas pelo Governo da República Popular da China para o ano académico 2019 – 2020.

As candidaturas decorrerão em todo o território nacional, via ON-LINE no www.csc.edu.cn/studyinchina ou www.campuschina.org.

Todos os documentos submetidos em on-line deverão ser descarregados, impresso e submetidos ao IBE.

1. Requisitos para licenciatura

• Ser cidadão (ã) moçambicano (a);
• Ter idade máxima de 24 anos;
• Ter concluído a 12a classe ou equivalente com a media igual ou superior a 12 valores;
• Possuir, pelo menos 12 valores nas disciplinas básicas do curso para o qual se candidata;
• Não estar a beneficiar de outra bolsa de estudo;
• Apresentar plano de estudo ate 200 palavras.

2. Requisitos para o Mestrado

• Ser cidadão (ã) moçambicano (a);
• Idade máxima de 35 anos;
• Ter concluído a licenciatura;
• Ter domínio da língua inglesa e/ ou inglesa falada e escrita;
• Apresentar plano de estudo com ate 800 palavras.

Prazo:

O prazo da entrega de todos os processos físicos submetidos, via on-line, é até às 15h30m do dia 05 de Março de 2019.

Para mais informações aceda ao link:
http://cloud.mctestp.gov.mz/clo…/index.php/s/2yDk5vc8h63Jwdc

Outras maravilhas humanas

As monções e os templos do amor

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 Por: Jorge Ferrão

Índia aproveita a suavidade do inverno tropical, para alinhar os seus ideais, metas e objectivos. Estes períodos de transição, grosso modo, se imbuem de espíritos benignos, esperanças renovadas e certezas de um presente, que não pode ser futuro e muito menos passado.

Visitar India, não importam as razões, parece um sonho, longo e inacabado. Todos, sem excepção, queremos, um dia, desfrutar desse misticismo dos templos, contemplar a grandeza Gandhiana, mergulhar na sétima maravilha do mundo, imponente Taj Mahal, arrepiar com o inacreditável Ganges, lacrimejar as papilas gustativas com sabores picantes de caril dos ventos, reverenciar  a diversidade e a espiritualidades das línguas. Todos queremos provar o chá, com ou sem Massala, que não é apenas uma bebida, mas uma cultura milenar.

A Índia está segura que será o país mais populoso do mundo nos anos dois mil e vinte e dois mil e vinte e cinco. Igualmente, fará parte das cinco maiores economias do planeta. Estas perspectivas já remexem as posições políticas estratégicas geo-políticas. As monções se configuram generosas. A natureza tem sido benevolente. A India não procura parceiro, são estes que vasculham os caminhos que vão dar as Índias, como foi a rota milenar das sedas e especiarias.

Um pouco mais de 93 países e 600 convidados desdobram-se em explicações e conjecturas, sugerem modelos e roteiros para assegurar que não ficarão excluídos das rotas e círculos finais. Assegurar que as novas geometrias os incorporem. São sonhadores, políticos, governantes, estudiosos, generais e peritos que se antecipam a aurora do novo gigante.

Os mares foram os responsáveis e a principal via de ligação entre os nossos povos e países. O oceano Índico serviu de berço e estrada de civilizações, segredos, partilhas e amizades. Os ventos, em particular, as monções, facilitaram as rotas e interações.

Mares e ventos, com todo o secretíssimo que os tipificam e com os misticismos que os rodeiam, são a base de uma sociedade de conhecimento, ancestral, porém eficaz e perene. Portanto, mesmo que não conheçamos a Índia física, a conhecemos de forma cultural, nutricional, espiritual e comercial. Conhecemos a Índia como nos conhecemos a nós mesmos e, só os indianos, conseguem falar, com tanta fluência, as nossas próprias línguas.

Moçambique representa a sexta maior diáspora indiana no mundo, com cerca de vinte e cinco mil (25.000) cidadãos de origem indiana residentes no interior e litoral do país.

Este longo percurso respalda as actuais relações diplomáticas, comercias, formação e de cooperação entre os dois povos e países. Os povos indianos aqui residentes, não serão, jamais, tidos como uma diáspora, mas como uma extensão das restantes comunidades que aqui se instalaram e constituem a matriz étnica, cultural e racial moçambicana. Só em 2016 a Índia investiu cerca de dois biliões de dólares, colocando-se como o terceiro maior parceiro de exportação de Moçambique e, sétimo maior parceiro de importação.

Moçambique e Índia também se associaram a duas questões estratégicas na actualidade. Em primeiro lugar a questão demográfica e, em segundo lugar as mudanças climáticas. Estes são os desafios da actualidade, pois, as economias, num período de grandes mudanças tecnológicas, precisam de se adaptar. A estabilidade social dos nossos povos e países, depende da melhoria das condições sociais e, do bem-estar dos jovens e dos nossos povos.

Neste período caracterizado pela constitucionalização da ordem global, a Índia também nos ensina a manejar as ferramentas da interdependência, multilateralismo, cooperação regional e Internacionais. Tudo sem clichés. Tira o maior proveito da ciência, não apenas para a governação, mas e principalmente, para a própria segurança nacional e bem-estar societário.

No final, Taj Mahal, esse majestoso mausoléu, localizado na cidade de Agra, foi construído em mármore branco, entre os anos de 1630 e 1652. Neste período mais fresco recebe mais de 50000 visitantes diários.

Todos ganham desse turismo de grande intensidade e baixo rendimento. Porém, ganham mais ainda os intermédios. Esse segmento que fica alheio a tudo e todos e encaixa receitas fabulosas.

Neste pós-neoliberalismo, sobrevivem os visionários e audazes. Porém, só se tornam eternos, os que amam o próximo, seus familiares e seus povos. As monções carregam amor e os amores são sinónimos de novos tempos.

categoria: maravilhas humanas

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