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Era manhã cedo quando Vallen despertou na prisão com uma forte dor de cabeça. Eram os efeitos da bebida — aquilo que os humanos chamam de ressaca. Apesar disso, percebia que os seus poderes estavam revigorados. Pela primeira vez, desde que pousara na Terra era, de facto, um qawwi supremo. Poderia simplesmente teletransportar-se e libertar-se das grades. Mas, não era apenas liberdade que queria: precisava enviar uma mensagem ao mundo, principalmente aos outros qawwis espalhados pelo planeta, em especial a Linan. Era necessário que soubessem que Vallen estava por perto — e que tivessem medo. O medo facilitaria a concretização da sua missão.
Os demais detentos ainda dormiam profundamente quando Vallen desatou a gritar:
— Alguém aí?! — bradou, sacudindo as grades. — Quero ir embora! Isto fede!
A resposta foi uma onda de gargalhadas, tanto dos prisioneiros quanto dos agentes de guarda naquela manhã.
— Achavas que isto fosse um hotel de cinco estrelas? — zombou um dos agentes, aproximando-se das grades.
Vallen fitou-o com intensidade.
— Quero ir embora! — repetiu, firme.
Outros guardas aproximaram-se, murmurando entre si que ele não passava de mais um arrogante, um filhinho de papai mimado.
— Ah, sim, eu sei bem como lidar com esse tipo — disse um deles, abrindo a cela com um sorriso de desdém, empunhando um chamboco. — Vou educar este rapaz!
Vallen sorriu, e um brilho estranho surgiu em seus olhos.
— Gosto disto…
Poucos minutos depois, seu rosto já estampava as televisões nacionais e internacionais. Era classificado como altamente perigoso. A população foi aconselhada a não enfrentá-lo e a comunicar imediatamente as autoridades.
Enquanto isso, especialistas militares e cientistas examinavam os escombros do que, até há instantes, fora uma prisão. Restava apenas um cenário marcado por uma explosão sinistra. Todos os especialistas concordavam: tratava-se de uma força ou ciência ainda desconhecida.
No dia seguinte, o Doutor Harmistrong, da Universidade de Harvard, chegou ao local. Viajara por cerca de vinte horas, desde que vira a notícia que dominava as manchetes internacionais como um “ataque terrorista atípico”. Nenhum grupo, porém, havia reivindicado o feito.
O doutor precisou de apenas um minuto para confirmar aquilo que já suspeitava.
— É o Vallen… — murmurou, sem disfarçar o pavor.
— O quê?! — exclamou um dos presentes.
— É o Vallen, porra! — gritou, e seus olhos brilharam de forma inquietante, assustando a todos ao redor.
Vallen,
30.08.2025
