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Énia Lipanga carrega a sua poesia e coração pelo Brasil com “Compostas de Ti”

A poeta e activista moçambicana Énia Lipanga é uma força da natureza. A sua arte e luta não são apenas para admirar – mas também para sentir, celebrar e partilhar com o mundo, num carrocel de emoções de tirar o fôlego. Assim, durante este mês de Setembro, esta diva da poesia levou a sua magia para o Brasil, numa digressão intitulada “Composta de Ti(s)”, uma experiência única e que ficará na memória, a qual artista partilha nas suas próprias palavras:

“Realizamos com todo o sucesso do mundo a minha primeira digressão artística internacional.

Não consigo encontrar palavras que caibam para expressar a minha emoção pela concretização deste sonho.

Fizemos o sarau Palavras São Palavras no lindo quilombo urbano Aparelha Luzia, em São Paulo, e de surpresa recebemos Preta Rara.

Realizamos uma oficina de escrita criativa com escritoras negras.

Estivemos a palestrar na Universidade de São Paulo.

O Rio de Janeiro ofereceu-me uma jornada de tirar o fôlego.

Realizamos três saraus com a presença de poetas de vários movimentos de declamação de poesia e teatro.

Estivemos no Bar do Papa, que lugar mágico e preenchemos a rua. Estivemos também na majestosa Sala Carlos Couto, no Teatro Municipal de Niterói (outra cidade linda).

Ganhei uma irmã gêmea por aqui. Chama-se Doralyce, é rapper, poeta, ativista e revoltada como eu. Ela recebeu-me e abrimos espaço para que o público viesse testemunhar a nossa miscigenação.

Falamos sobre a nossa moçambicanidade numa palestra na Universidade Federal Fluminense.

Ganhei uma avó do outro lado do Atlântico. Fui acolhida por uma das escritoras mais respeitadas do mundo e não poderia estar mais grata por este feito. Conceição Evaristo foi, com certeza, um sonho; ouvi as suas histórias e caminhei de mãos dadas com ela pelas ruas da favela.

E, para encerrar com chave de ouro, vim encontrar mulheres loucas aqui em Florianópolis.

Duas conversas com poesia e o sarau E quando me tornei corpo, organizado pela Secretaria de Cultura, Artes e Esportes da Universidade Federal de Santa Catarina, e estou, neste momento, ainda sob efeito destes momentos.

Sou grata aos meus amigos em Moçambique por acreditarem em mim. Aos grandes produtores culturais brasileiros: Laís, Basquiat, André, Colmeia, Oluwa, Gdarkestampas.
Às irmãs de trincheira: Tatiana Pequeno, Eliane Debus, Catita, Vera

Obrigada por terem sido o caminho: Carla, Andrea, Margot, Evellyn, Ivone, Laura, Eliza, Letícia (poetas que não mencionei aqui, o abraço ficou, e estou organizando uma publicação de todo o mundo).

Perdi-me bastante por aqui, fiquei confusa pelo lado contrário do trânsito, pela falta de dinheiro vivo para pagamentos, e só não tropecei graças ao guia turístico mais lindo de Fortaleza e do mundo Gabriel Carrião.”

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