Cinema (Filmes / Séries)

Cinema | When the Bough Breaks – o filme que não consegue quebrar as expectativas| Opinião

1473709627-when-the-bough-breaks-dom-df-11445_rgbTítulo: When the bough breaks

Direcção: Jon Cassar

Elenco Principal: Morris Chestnut, Regina Hall e Jaz Sinclair

Género: Drama

Ano: 2016

Imagens via comingsoon.net

O filme foi produzido pela Unique Productions e distribuído pela Screen Gems, mas pode ser encontrado no leque de propostas da Netflix. Com uma capa e título tão sugestivos, não sabemos por onde começar a opinar sobre a realidade deste decepcionante projecto. When the bough breaks conta a história de Laura (Regina Hall) e John (Morris Chestnut), um casal rico que infelizmente não consegue realizar o sonho de conceber um filho. Recorrendo ao último embrião que lhes resta, conseguem finalmente encontrar, através de uma agência, uma barriga de aluguer para o seu filho: Anna Walsh (Jaz Sinclair) uma jovem simpática, meiga, atraente e cheia de boas intenções.

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Depressa o casal convida a moça para morar com eles durante o período da gestação. Algo que logo a primeira desperta-nos um certo sentido de perigo, pois levar uma estranha para casa (pelo menos nos filmes), equivale a pedir sarilhos. Com efeito, Ana Walsh revela-se não ser tão estável nem tão inocente quanto parecia.

Este filme usa uma fórmula antiga (obsessão e afins) mas nada faz para acrescentar um diferencial que compense os cerca de 107 minutos cheios de treta. Como resultado, temos uma trama aborrecidamente previsível. Todos os “red flags” são praticamente atirados nos primeiros minutos da trama, mas mesmo assim, os protagonistas acabam envolvendo-se naquilo que torna-se o seu pior pesadelo. Para o telespectador, entretanto, o suspense é praticamente inexistente. Para que o roteiro funcione, a história obriga a que os personagens alterem o seu carácter e sejam inconsistentes. John, exemplo, o esposo exemplar, atento e esperto, começa a tomar decisões incrivelmente tolas nas horas mais importantes. Ou seja, os personagens não desenvolvem, nem movem a história. É ao contrário: a história sacrifica os personagens.

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Assim, nem o charme de Morris, a beleza de Sinclair ou o carisma de Hall salvam esta película. Certamente pretendeu-se passar aqui algumas boas lições, que até podem ser óbvias, mas ao usar este tipo de conceito, a indústria cinematográfica devia ter o cuidado de reformular e fazer sobressair os valores que realmente importam, de forma original, sob o risco de fracassar.

Confira o trailer o filme:

A nossa classificação: 2 de 5 estrelas

Cinema (Filmes / Séries), Opiniões, Resenhas

CINEMA | To the Bone (o mínimo para viver ) – Uma realidade incómoda| OPINIÃO

MV5BMTU1MTQ0NDAyNV5BMl5BanBnXkFtZTgwNjQ4MjE4MjI@._V1_UX182_CR0,0,182,268_AL_Título: To the Bone (BR: O mínimo para viver)

Direcção: Martin Noxi

Elenco Principal: Lily Collins, Carrie Preston, Lili Taylor, Keanu Reeves

Género: Drama, Comédia

Ano: 2017

 

Sinopse:

 “Uma jovem (Lily Collins) lida com um problema que afecta muitos jovens no mundo: a anorexia. Sem perspectivas de se livrar da doença e de ter uma vida feliz e saudável, a moça passa os dias sem esperança. Porém, quando ela encontra um médico (Keanu Reeves) não convencional que a desafia a enfrentar a sua condição e abraçar a vida, tudo pode mudar.”

Opinião:

Medos, paranoias, distúrbios mentais, muitos já experimentamos ou pelo menos temos noção das implicações que estes estados têm na nossa vida. A película “to the bone”, revela ao pormenor como a anorexia pode transformar-se no mais grave dos distúrbios psicológicos. Ao longo da trama, somos expostos ao absurdo dia-dia de quem sofre com este mal. Apesar de o conflito vivido pelos personagens ser angustiante, a trama tem alguns momentos engraçados. Todavia, algumas cenas são tão incómodas, que a graça acaba por ultrapassar-nos. Há que realçar, entretanto, que é exactamente nesse aspecto, na perplexidade que a estranha realidade causa, onde encontrámos o louvor do filme. A película tem também uma boa fotografia.

 

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Imagem via Netflix

Outra temática abordada na trama é a forma como famílias disfuncionais podem moldar comportamentos, e o impacto das redes sociais nos adolescentes. A actriz que dá vida à Ellen – Lily Collins – causa algum choque ao apresentar-se em pele e osso no ecrã. Ao que consta, na altura perdeu muito peso para entregar-se à personagem, no qual navegou com naturalidade, visto que ela própria, em algum momento, enfrentou um problema parecido. O esforço não passa despercebido aos olhos dos críticos que acharam tanto a transformação como a performance de Lily, excepcional. A agradável surpresa deste filme, é também a participação de Keanu Reeves, na pele do médico terapeuta de Ellen. Uma actuação leve, que mostra a versatilidade do astro que já nos habituou a papéis mais movimentados e densos. No geral o filme é comovente e passa uma forte mensagem, fazendo-nos reflectir sobre este problema que afinal, é bastante preocupante, nuns contextos mais que em outros.

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Imagens via Netflix

A nossa pontuação: 3,5 de 5 estrelas.

Confira o trailer:

 

Cinema (Filmes / Séries), Opiniões, Resenhas

Cinema | “NAPPILY EVER AFTER” – Porque é que as mulheres deviam ver este filme| Opinião

 

Título: Nappily Ever After (PT: Agarra-te à vida, não ao cabelo)

Direcção: Haifaa al-Mansour

Elenco Principal: Sanaa Lathan, Ernie Hudson, Lyig Bent, Lynn Whitfield, Ricky Whittle e Camile Guaty

Género: Drama, Comédia Romântica

Ano: 2018

Sinopse:

“Violet Jones é uma mulher bem-sucedida que considera a sua vida perfeita. Um óptimo namorado e uma rotina organizada meticulosamente para conseguir estar sempre impecável. Quando o seu namorado mostra-se não ser quem ela esperava, Violet muda a vida radicalmente, descobrindo que o caminho em que se encontrava não era o ideal”

Opinião:

A Netflix continua a apostar em comédias românticas que tendem a mirar-se no seu público. A história de Violet, uma mulher de sucesso, que desde cedo alisa o cabelo para ter a aparência ideal e desejável pela sociedade, não é uma realidade estranha. Como muitas pessoas, Violet tem tudo para ser feliz, mas falha esse desiderato por uma simples razão: é a felicidade dos outros, e não a sua, que ela persegue. Ela percebe isso quando raspa o cabelo, numa intensa cena que faz rir e chorar ao mesmo tempo. O filme é baseado no romance de Trisha R. Thomas, e aposta em Sanaa Lathan para emprestar o lado leve e vulnerável de Violet. A trama tem uma e outra reviravolta comovente, mas de forma geral acaba sendo um lugar comum.

Apesar disso, é um filme bastante oportuno para o seu público alvo, especialmente para as mulheres que gostam do cabelo natural, seja ele crespo, liso, ou de qualquer outro feitio. Afinal de contas, vivemos numa sociedade que incentiva-nos a ser tudo, menos nós mesmas. Somos codificadas a acreditar que certo tipo de cabelo, de roupa, de corpo e até de comportamento, são melhores que outros, e acabamos por nos esquecer que tudo isso não passa de mero fabrico da sociedade. Aliás, para cumprir agendas impostas por essa mesma sociedade, afundamos as nossas necessidades e prioridades e acabamos por nos perder no abismo. A verdade é que não existe beleza física possível, sem brilharmos por dentro. Não é errado gostar-se de extensões, ou de cabelos lisos, até porque tudo o que nos torna belas é desejável. Errado é fazerem-nos acreditar que o cabelo natural é feio. O filme desmistifica essas possíveis inverdades e revela de forma gratificante, a protagonista a assumir o seu verdadeiro eu, depois de muito rebuscar a sua alma.

Confira o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=3xh9XFxo2Hg

Imagens via Netflix.

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A nossa pontuação: 4 em 5 estrelas.

(por VF – da tripulação)