Cinema (Filmes / Séries), Opiniões

Cinema | 8 filmes para quem decidiu pôr o anel

O casamento é uma das decisões mais importantes que um ser humano toma ao longo da sua vida. Afinal, trata-se de escolher com quem vai-se partilhar uma vida inteira e essa escolha pode ser a estrada para um sonho ou para um pesadelo. Não é por acaso que a indústria cinematográfica explora profundamente esta matéria, expondo o lado divertido, dramático ou trágico da coisa. Nota-se, porém, uma certa tendência de os filmes deste género possuirem uma característica previsível, com uma mulher perseguindo o sonho de colocar o vestido branco e um homem relutante em subir ao altar.

Este mês, como já devem ter reparado, é particularmente especial, pois casa-se a nossa qawwi. Com um humano. Inspirados por este inesperado evento, decidimos partilhar com vocês, alguns filmes que, dentro do tema, tentam explorar outros aspectos além do simples “casar”, fora das ideias padrão impostas pela sociedade, servindo assim de inspiração para buscar bases sólidas para o amor. Vamos conferir?

8. Até que a sorte nos separe 3: a falência final – 2015

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A comédia até que a sorte nos separe, é uma trilogia brasileira que conta a história de Tino, um homem que ganhou, e tão facilmente perdeu dinheiro. Nesta terceira parte da saga (a falência final), a filha de Tino fica noiva de um jovem de família de classe alta, mas Tino, cheio de orgulho, decide que irá arcar sozinho com os custos da cerimónia de casamento. Visto que não tem dinheiro para tal, ele aceita uma oferta de emprego na agência do seu compadre. Como era de esperar-se, Tino consegue, mais uma vez, perder dinheiro. Só que desta vez, Tino não leva apenas a agência do compadre à falência. Ele “arruina” também o próprio Brasil. Com este desastre e sem confessar que está falido, Tino continua a empreitada de tentar financiar um casamento de luxo para a filha. Uma comédia mediana, mas com um óptimo roteiro à volta de reflexões políticas e familiares.

Trailer:

7. Rachel Getting Married (o casamento de Rachel) – 2008

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O filme conta a história de Kym (Anne Hathaway) que sai de uma clínica de reabilitação e visita a família por ocasião do casamento da sua irmã Rachel. Os conflitos e o passado de Kym e da família acabam sobressaindo durante os preparativos da cerimónia. O filme aborda o valor do perdão e da superação. Por outro lado, retrata ao pormenor, a organização de uma cerimónia simples e invulgar, e a tradição americana do rehearsal dinner (jantar de ensaio). Entretanto, a angústia e os eventos familiares vividos no filme têm uma intensa carga emotiva que acabam inevitavelmente por arrancar-nos algumas lágrimas.

Trailer:

6. When we first met (Quando nos conhecemos) – 2018

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Inconformado com o noivado e casamento de Avery, aquela que ele acredita ser a mulher dos seus sonhos, Noah recebe uma inesperada chance de viajar no tempo e alterar a noite em que a conheceu, tentando assim mudar o destino.

Apesar de a trama estar mais voltada à temática sobre viagens no tempo, a comédia faz-nos pensar sobre as nuances das nossas escolhas, e sobre o que é que, de facto, leva-nos a acreditar que é “aquela pessoa” com quem queremos partilhar uma vida inteira.

5. Monster in Law – Uma sogra de fugir (2005)

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Mais do que um esposo, ou uma esposa perfeita, há que analisar-se a dinâmica das relações entre mães e filhos, sogros, noras e genros. Que Jennifer Lopes não nos deixe dizer o contrário, nesta comédia que retrata tal dinâmica.

Trailer:

4. My Greek fat wedding – Casamento Grego (2002)

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Toula Portokalos (Nia Vardalos) tem 30 anos, é grega, e ao contrário do sonho do seu pai, que é que ela arranje um bom marido grego, ela quer algo mais na vida. É ao ter aulas de informática numa universidade, que acaba por apaixonar-se por um professor de inglês, que é completamente o oposto do desejo de seu pai, ou seja, um não-grego. My Greek fat wedding não é apenas uma linda comédia romântica que explora uma relação intercultural. Ela ensina de forma bem humorada como aceitar diferenças.

Trailer:

3. Guess Who (A família da noiva) – 2005

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A trama principal é de Theresa e Simon, que enfrentam dificuldades pelo facto de Percy Jones, pai de Theresa, não ficar contente em ter um genro branco. Porém, a trama secundária também promete. Afinal, os pais de Theresa estão a preparar-se para celebrar 25 anos de casados. São os votos que Percy não consegue escrever, é Percy que quer minimizar os gastos com a cerimónia… parece familiar?

2. Mamma Mia – 2010

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Este musical com temas dos Abba (num cenário colorido proporcionado numa ilha da Grécia), segue a jovem Sofia e o seu desejo de ter o (desconhecido) pai, ao seu lado, para levá-la ao altar no dia do casamento. Mais do que os preparativos da festa de casamento, a história aflora a descoberta de segredos de família, resgate de amores e relacionamentos do passado, e sobretudo a realização de sonhos.

Trailer:

  1. The Wedding Party (2016)

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Desde os trajes coloridos, as amigas cúmplices da noiva, as tias que cantam com entusiasmo, os amigos malandros do noivo, os familiares penduras sem convite, o buffet que não é suficiente… tudo nesta película parece bastante verosímil no retrato de um casamento numa sociedade africana. Esta produção nigeriana (Nollywood), exibida pela Netflix, vai animar qualquer pessoa, seja ou não de cultura nigeriana / africana. Óptima aposta para quem sentir o coração leve e conhecer outras culturas.

Trailer:

Livros, Opiniões, Resenhas

Literatura | Bodas de Papel, de Daniel Moraes – Opinião

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Autor: Daniel Moraes

Editora: Rouxinol; 2018

Opinião

Foi uma óptima experiência e um grande prazer para nós entrar em contacto com a escrita de Daniel Moraes, no seu livro de estreia, Bodas de Papel. Ao apresentar-nos Michelle e Michael, logo de início numa situação delicada, o autor coloca-nos no impulso de saltar para a última página, deixando claro que o seu objectivo é arrancar algumas lágrimas do leitor.

A história começa quando Michelle, uma jovem dedicada exclusivamente à faculdade e ao trabalho, acaba desafiada a aceitar o amor de Michael, já que este não mede esforços para derrubar as muralhas que a outra havia edificado à sua volta nos últimos anos.

“A minha vida deu uma reviravolta agora e não sei qual será o meu próximo passo, mas tenho a certeza que não será para longe de você”. São passagens como estas, que revelam a sensibilidade no interior do protagonista Michael, assim como no do próprio autor.

Na sua proposta, Daniel revela uma narrativa bem estruturada, personagens com um bom grau de densidade psicológica, desde as centrais, às secundárias, com especial destaque à adorável Kelly e até a “negligente” médica Claudete. Daniel não é comedido na ambientação e nos detalhes que compõem o cenário da narrativa. É verdade que os detalhes às vezes se tornam um pouco “abundantes”, mas se isso é bom ou mau, depende da apetência de cada leitor em querer familiarizar-se com a vida do personagem.

O drama que dá essência à história é bastante plausível. A dificuldade enfrentada pelo casal é facilmente relatável e faz desabrochar no leitor uma grande empatia. Isto torna o livro fácil de ler. Amantes de uma história romântica, cheia de sensualidade e ousada na sua simplicidade, vão adorar a proposta. O mesmo tipo de ousadia e força encontramos no livro “Fica Comigo” de Noemia Amarillo. Daniel, entretanto, vai um pouco além ao aflorar com segurança conhecimentos médicos, tornando a leitura não só prazerosa, como também educativa. Ao chegarmos ao fim, o autor revela-se pretender ser tão dramático como Nicholas Sparks. Se realmente o faz, é algo que convidamos o leitor a descobrir.

A nossa classificação: 4 de 5 estrelas

Cinema (Filmes / Séries), Dicas, Opiniões, Uncategorized

Cinema | Always a Witch – Siempre Bruja (Seriado 2019) – Opinião

siempre_bruja_0.jpgImagem via Netflix

Opinião

A magia e a bruxaria são temas aos quais a indústria cinematográfica não se cansa de recorrer. Deve ser por alguma razão. E ora vejamos, numa mistura entre magia e viagens no tempo, não parece sobrar espaço para uma receita falhada.

Assim, o trailer e a sinopse da nova série espanhola despertaram todos os nossos sentidos: uma bruxa de muitos séculos passados, viaja ao futuro nos dias de hoje, para salvar o amor da sua vida e ao mesmo tempo derrotar um perigoso inimigo.

A série desenlaça logo nos primeiros minutos, onde descobrimos que, afinal, Cármen Eguilaz (Angely Gaviria) é uma escrava acusada de bruxaria e de ter enfeitiçado o seu amo, com quem vive um romance proibido, sendo condenada à pena de morte e queimada na fogueira, como acontecia na época da inquisição. O seu amado, não suportando perdê-la, tenta salvá-la, mas acaba morto a tiro. Assim, enquanto arde na fogueira, Cármen consegue viajar ao futuro, para cumprir uma missão que lhe foi dada por um poderoso bruxo, com a promessa de no fim da missão, poder regressar ao momento em que o amado ainda está vivo e salvá-lo.

A opinião crítica latina sobre esta série é surpreendentemente confusa. Enquanto a audiência parece feliz em ver na TV uma poderosa protagonista Afro-Latina num seriado deste género, muitos torcem o nariz ao romance que impulsiona a trama, ou seja, a história de amor entre uma escrava e o seu senhorio. Nós, sinceramente, não vemos o porquê deste “plot” ferir tanto as sensibilidades e ser alvo de uma crítica feroz, quando está dentro de um contexto histórico que, no final das contas, não deixou de existir. O passado não se apaga, mas com ele podemos aprender a não repetir os erros.

Agora, se formos a falar de como comporta-se esta personagem que sai dos anos 1600 e chega ao futuro, aí sim, podemos ter bastante para questionar.

Eis o que achamos que foi executado de forma muito pobre nesta série: histórias que envolvem viagens no tempo, normalmente envolvem certo cepticismo da personagem que se vê num mundo diferente. Mas nesta série, a bruxa Cármen Eguilaz chega ao futuro e já vai marchando para a universidade, sem grandes dificuldades e sem ficar abismada com a modernidade a sua volta, nem com o tratamento igual entre pessoas (mais uma vez, ela vem da época da escravatura). Será que estava a evitar-se um cliché? Talvez, mas os lugares comuns, às vezes têm certa razão de ser, e aqui fizeram alguma falta.

Tirando este ponto que é uma espécie de falling flat para a expectativa dos telespectadores, a série é leve e mantém um bom ritmo, mostrando com sucesso o desenvolvimento de Cármen como figura feminina cheia de força, transformando-se num modelo a seguir. “Nós somos escravas, mas a senhora também é escrava. É escrava do seu marido, da sua religião e da sua sociedade. Se o preço para eu ser livre é casar-me, então não me caso”, é algo mais ou menos assim que lança Cármen Egulilaz, a dada altura, dotada pelo conhecimento dos seus direitos.

Destaque vai também para John-Kyi (Dylan Fuentes) que abrilhanta a série nos momentos em que esta precisa de um ar mais fresco.

A primeira temporada tem apenas 10 episódios, e para entretenimento geral, é uma série em que se pode apostar.

Confira o trailer:

A nossa classificação: 3 de 5 estrelas

 

Livros, Opiniões, Resenhas

Literatura | Flashforward – e se pudéssemos ter uma visão do futuro? – opinião

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Autor: Robert J. Sawyer

Edição: 2010

Editora: Saída de Emergência

 

 

 

Sinopse

“Em Flashforward, é iniciada uma experiência científica que conduz ao inesperado: o mundo inteiro cai inconsciente por instantes e todas as mentes são projectadatas vinte anos no futuro. Quando a humanidade desperta, o caos impera por todo o lado: carros arruinados, cirurgias falhadas, quedas, destruição em massa e um elevado número de mortes. Mas esse é apenas o início. Passado o choque das visões, cada indivíduo tentará desesperadamente evitar ou assegurar o seu próprio futuro vislumbrado”

Opinião

O que o ser humano faria se tivesse uma visão do seu próprio futuro? Esta é a premissa básica que guia o enredo de Flashforward, romance que aborda uma experiência científica que acaba por provocar um desastre mundial, num cenário onde todos os seres humanos perdem a consciência durante cerca de 2 minutos. Nesse curto espaço, a humanidade faz um salto temporal e cada um dá por si a vislumbrar como será o futuro dali a 20 anos. Alguns ficam felizes. Outros, nem por isso.

Flashforward pode não ter a melhor escrita, mas o conceito proposto é dos mais brilhantes. O autor consegue facilmente prender a atenção do leitor. Sendo uma obra essencialmente de ficção científica, o tema é explorado de vários ângulos, inclusive na vertente do suspense, quando o personagem Theo Procopides, por exemplo, inicia uma incansável investigação para saber quem é o desgraçado que dali a 20 anos o vai matar.

A narrativa causa várias provocações filosóficas. Afinal de contas, podemos mudar o nosso destino? Ou o futuro já está traçado pelo universo e pelas leis da física? O que é que um governo normal faria se pudesse prever o futuro?

Flashforward foi adaptado para a televisão, numa das melhores séries de sempre, a qual carrega o mesmo nome. A série, contrariamente ao habitual, consegue em alguns aspectos ser melhor que o livro, ao explorar com mais profundidade o impacto deste conceito (previsão do futuro) nos relacionamentos e na vida pessoal. O livro o faz, mas superficialmente e com menos emoção.

A série, de igual modo, toma um rumo diferente do livro ao colocar Mark Benford (Joseph Fiennes), agente do FBI, como protagonista. No livro, os protagonistas são Llyod Simcoe e Theo Procopides, os dois cientistas responsáveis pelo evento. Na adaptação cinematográfica, as pessoas vem o seu futuro dali a 6 meses e não 20 anos, como no livro.

A diagramação e a paginação do livro são confortáveis e a leitura flui depressa. Recomendamos tanto o livro, como a série (já agora, pode conferir no link abaixo o trailer):

A nossa pontuação: 4 de 5 estrelas

Cinema (Filmes / Séries), Opiniões, Resenhas

Cinema | Bandersnatch – assista, mas com cautela | Opinião

 

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Título: Banrdersnatch

Direcção: David Slade

Elenco Principal: Fionn Whitehead; Will Poulter; Asim Chaundhry; Craig Parkinson; Género: Ficção interativa

Ano: 2018

 

Imagem via Netflix

Sinopse:

No ano de 1984, um jovem problemático começa a questionar a realidade ao seu redor, à medida em que tenta adaptar um livro para vídeo game, e começa a enfrentar questões perturbadoras.

Opinião:

O entusiasmo foi enorme quando a Netflix divulgou o trailer de Bandersnatch em finais de Dezembro de 2018, um filme baseado na série Black Mirror. A película começa com uma breve explicação ao telespectador, de que este terá 10 segundos para tomar decisões ao longo do filme, findo o qual, será feita uma decisão aleatória em seu lugar. Após este estimulante introdutório, seguimos a história de Stefan, um jovem programador que está a tentar adaptar um livro-jogo chamado Bandersnatch, para um vídeo-game. E vamos fazendo escolhas em nome do protagonista.

O percurso do longa é de cerca de 90 minutos, que pode, entretantoo, variar dependendo das decisões que o telespectador toma, com diferentes resultados. Apesar deste enigmático conceito, onde um filme torna-se vídeo-game e vice-versa, sentimos que Bandersntach caí num limbo, sem chegar necessariamente a ser um filme, nem um video game. Uma imprecisão que não retira a inovação da proposta. Aliás, a ideia de misturar os dois elementos e de envolver o telespectador num papel de um ente superior, lidando com temas como destino vs livre arbítrio, é fantástica.

Para quem, contudo, esperava sentir-se, digamos, desafiado (coisa facilmente de acontecer com Black Mirror) pode ficar desapontado, já que esta é uma proposta muito mais suave que o habitual. Por certo, Black Mirror conseguiu distanciar-se do que era previsível.

Recomedamos, entretanto, toda a cauetla nas respostas que você, como telespectador, vai dar durante o filme. Muitas das perguntas que são feitas têm um cunho ético e mesmo que seja para efeitos de mero entretenimento, a Netflix terá acesso as respostas dos telespectadores e ao perfil dos mesmos. Não queremos por descuido, deixar o rastro de um perfil de “psicopata” na base de dados da Netflix, pois não?

Tirando este senão, é uma experiência aceitável, e foi um bom presente da Netflix para os amantes de Black Mirror que encerraram 2018, na grande expectativa do que 2019 trará para esta série.

A nossa pontuação: 3.0 em 5 estrelas.

Confira o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=XM0xWpBYlNM

Lançamentos!, Livros, Opiniões

Meu chefe, meu pecado

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Autora: Karina Jamal

Edição: 2018

Real Design

 

 

 

 

O convite para o lançamento desta obra circulou muito nas redes sociais. Tanto, que acabou atraindo a nossa atenção, pese embora nunca tivéssemos ouvido falar da autora. Para começar, gostaríamos de dar os parabens a Karina Jamal, por escolher, entre tantos hobbies e desafios, este que é dos mais exigentes e só persiste por genuína paixão: a escrita. Felicitamos a autora não só por escrever, mas também pela coragem de lançar a obra de forma independente, num mercado editorial de natureza complexo (mas também, o que é que não é complexo?). Para nós do diário de uma qawwi, todos que trilham por este caminho merecem a nossa atenção e admiração.

Com relação ao livro: o romance é ambientado em Maputo e traz a história de uma jovem secretária que apaixona-se pelo chefe e envolve-se com este, num relacionamento secreto e um pouco, digamos, desiquilibrado. O título, típico das fan fictions abundantes no Wattpad e outras plataformas do género, já dava esses indícios. Por falar em fan fiction, é mesmo essa impressão que dá meu chefe meu pecado: de estar na trilha de 50 sombras de Grey. Não lemos o Grey. Mas sabemos que a legião de fãs discute alguns valores morais na referida obra. De igual forma, nós também questionamos a protagonista que Karina oferece, a qual desconstrói a noção de independência emocional da mulher. Ou do ser humano no geral, se assim quiserem. Por outro lado, encontramos no par da protagonista, um protótipo cada vez mais típico na sociedade masculina, pelo que, é um tipo de personagem facilmente de reconhecer entre nós. Seja como for, há muitos apreciadores deste gênero, razão pela qual, esta obra, poderia, por ventura, encontrar um apreciável nicho no mercado.

Todavia, não é só de história que vive a narrativa. Se a autora trouxe uma história de pecados no ofício, nesta resenha gostaríamos de falar de alguns pecados na escrita.

O mercado editorial de hoje tem outra face. Aspirantes a escritores já não precisam de levar com portas na cara, de editoras que só apostam em autores que enquadram-se nas suas directrizes. A possibilidade da auto publicação nunca esteve tão mais disponível quanto na actualidade. Grandes autores, como John Grisham, por exemplo, começaram assim a sua carreira.

É certo, porém, que o escritor que sai pela chancela de uma editora tem mais ajuda e facilidade para fazer chegar um maior número de obras ao público, e consequentemente, estar mais propenso a atingir o sucesso. O que não significa que um autor independente não possa igualar.

O que há então de comum entre estes escritores? Ambos seguem algumas regras básicas. Leitura como ferramenta de trabalho diária, e revisão na construção do texto. Por melhor que o escritor seja, é aconselhável solicitar, sempre, a revisão de um terceiro. Reparem que, mesmo após muita revisão, escapa sempre um ou outro erro. Que dirá na total ausência? A autora de meu chefe meu pecado, desculpou-se na nota, pelos eventuais erros de revisão, visto que ela própria encarregou-se desta actividade. Efectivamente, os olhos de um escritor estão tão habituados à sua obra, que não detectam as falhas, as quais podem, por fim, comprometer bastante a leitura.

A capa é sugestiva, mas a diagramação e a paginação podiam ser melhores. Fora isto, temos fé que a manter-se a paixão de Karina, e se ela aplicar melhor as ferramentas apropriadas, poderá vir a contribuir para este género no mercado editorial.

Cinema (Filmes / Séries), Opiniões, Resenhas

Cinema | 5 séries difíceis de não fazer bing watching

Cinema | 5 séries difíceis de não fazer bing watching

Tudo em excesso faz mal, diz o ditado, mas quem é que não cai na tentação do bing watching (maratona de TV) quando trata-se de séries infalivelmente viciantes? Especialmente num feriado ou fim de semana mais sossegado? Não há pecado (tão grande) nisso. Se você é fã de séries com suspense e “plot twists” inimagináveis, do género que quase leva ao ataque cardíaco, então não pode perder estas séries. Vai ser um episódio atrás do outro, sem remorso.

Confira:

How to get away with murder (BR como defender um assassino)

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Desde 2014 / 43 minutos / Drama legal, mistério

Produtor executivo: Shonda Rhimes

Idioma: inglês

A série revolve a volta de Annalise Keating, uma célebre advogada de direito penal que também dá aulas. Annalise selecciona cinco dos seus melhores alunos para trabalharem com ela no seu escritório e cedo, sem querer, todos eles vêem-se envolvidos numa trama de assassinatos. Uma série com ganchos muito bem conseguidos e bastante imprevisível. De cortar a respiração. Confira o trailer:

 

3 Por cento (BR)

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Desde 2014 / 38-49 minutos / Drama / Thriller / Ficção cientifica

Autor: Pedro Aguilera

Idioma: Português

Ficção científica brasileira, esta série é retratada num mundo pós apocalíptico, onde o planeta terra está devastado. A população encontra-se dividida em dois mundos: os do Continente (do lado de cá), um lugar degradado e sem recursos, e os do Maralato (do lado de lá), praticamente um paraíso, com abundância de recursos. O sonho de todos os habitantes do lado de cá é ir ao lado de lá. Para tal, existe apenas uma chance: aos 20 de idade, participar do “Processo”, que é a selecção dos que vão passar ao lado de lá. E só serão seleccionados apenas 3% da população. Uma série provocante e inteligente, que apesar de lembrar distopias como hunger games e divergentes, consegue ir bem mais além. O trailer fala por si:

 

Sense 8

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2015-2018 / 46 – 151 minutos / Ficção científica, drama

Autores: The Wachowskis; J. Michael Straczynski

Idioma: inglês

Sense 8 apresenta um conceito distinto do habitual. A história revolve a volta de oito desconhecidos, cada um a morar num continente diferente. Estas pessoas, de repente, ao mesmo tempo, tem uma visão violenta de uma mulher a morrer. Depois desta visão, elas descobrem que estão mentalmente e emocionalmente ligadas uma à outra. É o dom dos chamados “sensates”, e é esse mesmo dom que eventualmente os coloca em perigo,  na mira de “whispers”, um perigoso caçador de “sensates”. Se você gosta de conceitos inovadores, conhecer culturas e de temas novos, vai adorar esta série. Confira o trailer:

 

 

Black Mirror

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Desde 2011 / 41-89 minutos / Ficção cientifica, sátira

Produtor executivo: Charlie Brooker

Idioma: inglês

Black mirror é uma série de ficção científica que gira a volta de temas obscuros sobre a sociedade moderna e as consequências imprevistas das novas tecnologias. Trata-se de uma antologia, com episódios autônomos. É uma série que vai levar os seus neurónios ao extremo. De tão intensa e perturbadora, apesar de viciante, o melhor é não fazer longas maratonas desta série, sob pena de ficar com o sono perturbado.

Trailer:

 

La casa de papel (EN Money Heist / PT A casa de papel)

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2017 / 43 minutos / Drama, Suspense, assalto

Autor: Alex Pina

Idioma: Espanhol

Por unanimidade, os tripulantes do diário da qawwi elegeram esta como uma das melhores séries exibidas pela Netflix e quiçá da televisão. Um homem misterioso (o “professor”), planeia durante grande parte da sua vida um assalto na casa de moeda de Espanha. Para executar o plano, recruta oito pessoas que não tem nada a perder. O objectivo do professor é ter a opinião pública a seu favor. E será que você telespectador, vai apoiar a façanha destes ladrões? Simplesmente brilhante.

Trailer:

Imagens via ABC e Netflix