Cinema (Filmes / Séries), Lançamentos!, Opiniões, Resenhas

Cinema|Avengers – Endgame (o inexplicável e inevitável) |Opinião

Título: Avengers: Endgame

Direcção:Joe Russo, Anthony Russo

Elenco Principal: todos os avengers

Género: Acção, aventura, fantasia, fantasia científica

Ano: 2019

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Imagem: BGR

Sinopse:

Nos eventos de Avengers – Infinity War, Thanos conseguiu deixar o universo em ruínas. Agora, os Vingadores remanescentes, irão juntar-se e aliar forças para desfazer as acções de Thanos e restaurar a ordem no universo, de uma vez por todas.

Opinião:

(SEM SPOILERS)

Estreou ontem Quinta-Feira (25.04.2019).

Os directores da película apelaram aos fãs que evitassem spoilers. Embora tenhamos muitos comentários e questionamentos, estes ficarão por ser feitos, em respeito aos que ainda não viram o filme. Portanto, a nossa opinião será breve e sem spoilers.

A projecção do filme no cinema rendeu inúmeras palmas da audiência. Muito mais do que às vezes acontece num show ao vivo. Tal por si só, compensou a experiência. Afinal, é um encerrar, gigante e épico, de mais de 6 anos de história dos avengers, numa jornada verdadeiramente única. A trama começa leve, mas desenrola como tempestade, revelando gradualmente plot twists (alguns há muito aguardados) e um elenco cheio de surpresas. A trilha sonora está lá. Talvez seja boa, mas acaba sendo engolida pelas cenas que roubam completamente a atenção do telespectador.

É bem possível, entretanto, que o filme deixe os seguidores divididos. Será que este inevitável desfecho, faz justiça à saga inteira e ao desenvolvimento dos personagens que foram cuidadosamente construídos ao longo dos anos? Se por um lado era necessário, e tal desfecho foi executado de forma arrebatante, não achamos coerência nenhuma nas teorias mal justificadas que foram apresentadas como suporte para o grande “endgame”. E mesmo assim… foi inevitável: aplaudimos a película durante a noite inteira.

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Imagem: Marvelstudio; Digitalspy

A nossa classificação: 4 de 5 estrelas

Confira o trailer:

(por VF – da tripulação)

Cinema (Filmes / Séries), Opiniões, Resenhas

Cinema | 5 séries difíceis de não fazer bing watching

Cinema | 5 séries difíceis de não fazer bing watching

Tudo em excesso faz mal, diz o ditado, mas quem é que não cai na tentação do bing watching (maratona de TV) quando trata-se de séries infalivelmente viciantes? Especialmente num feriado ou fim de semana mais sossegado? Não há pecado (tão grande) nisso. Se você é fã de séries com suspense e “plot twists” inimagináveis, do género que quase leva ao ataque cardíaco, então não pode perder estas séries. Vai ser um episódio atrás do outro, sem remorso.

Confira:

How to get away with murder (BR como defender um assassino)

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Desde 2014 / 43 minutos / Drama legal, mistério

Produtor executivo: Shonda Rhimes

Idioma: inglês

A série revolve a volta de Annalise Keating, uma célebre advogada de direito penal que também dá aulas. Annalise selecciona cinco dos seus melhores alunos para trabalharem com ela no seu escritório e cedo, sem querer, todos eles vêem-se envolvidos numa trama de assassinatos. Uma série com ganchos muito bem conseguidos e bastante imprevisível. De cortar a respiração. Confira o trailer:

 

3 Por cento (BR)

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Desde 2014 / 38-49 minutos / Drama / Thriller / Ficção cientifica

Autor: Pedro Aguilera

Idioma: Português

Ficção científica brasileira, esta série é retratada num mundo pós apocalíptico, onde o planeta terra está devastado. A população encontra-se dividida em dois mundos: os do Continente (do lado de cá), um lugar degradado e sem recursos, e os do Maralato (do lado de lá), praticamente um paraíso, com abundância de recursos. O sonho de todos os habitantes do lado de cá é ir ao lado de lá. Para tal, existe apenas uma chance: aos 20 de idade, participar do “Processo”, que é a selecção dos que vão passar ao lado de lá. E só serão seleccionados apenas 3% da população. Uma série provocante e inteligente, que apesar de lembrar distopias como hunger games e divergentes, consegue ir bem mais além. O trailer fala por si:

 

Sense 8

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2015-2018 / 46 – 151 minutos / Ficção científica, drama

Autores: The Wachowskis; J. Michael Straczynski

Idioma: inglês

Sense 8 apresenta um conceito distinto do habitual. A história revolve a volta de oito desconhecidos, cada um a morar num continente diferente. Estas pessoas, de repente, ao mesmo tempo, tem uma visão violenta de uma mulher a morrer. Depois desta visão, elas descobrem que estão mentalmente e emocionalmente ligadas uma à outra. É o dom dos chamados “sensates”, e é esse mesmo dom que eventualmente os coloca em perigo,  na mira de “whispers”, um perigoso caçador de “sensates”. Se você gosta de conceitos inovadores, conhecer culturas e de temas novos, vai adorar esta série. Confira o trailer:

 

 

Black Mirror

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Desde 2011 / 41-89 minutos / Ficção cientifica, sátira

Produtor executivo: Charlie Brooker

Idioma: inglês

Black mirror é uma série de ficção científica que gira a volta de temas obscuros sobre a sociedade moderna e as consequências imprevistas das novas tecnologias. Trata-se de uma antologia, com episódios autônomos. É uma série que vai levar os seus neurónios ao extremo. De tão intensa e perturbadora, apesar de viciante, o melhor é não fazer longas maratonas desta série, sob pena de ficar com o sono perturbado.

Trailer:

 

La casa de papel (EN Money Heist / PT A casa de papel)

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2017 / 43 minutos / Drama, Suspense, assalto

Autor: Alex Pina

Idioma: Espanhol

Por unanimidade, os tripulantes do diário da qawwi elegeram esta como uma das melhores séries exibidas pela Netflix e quiçá da televisão. Um homem misterioso (o “professor”), planeia durante grande parte da sua vida um assalto na casa de moeda de Espanha. Para executar o plano, recruta oito pessoas que não tem nada a perder. O objectivo do professor é ter a opinião pública a seu favor. E será que você telespectador, vai apoiar a façanha destes ladrões? Simplesmente brilhante.

Trailer:

Imagens via ABC e Netflix

Cinema (Filmes / Séries)

Cinema |Top 7 filmes para ajudar a curar um coração partido|

Desde os mais experientes até os novatos, no amor todos nós já experimentamos em algum momento, partir o coração. Às vezes somos abandonados, e em outras ocasiões, abandonamos. Ambas situações não são nada divertidas. Uns recorrem à uma cervejinha e aos amigos, tentando dissimular a solidão que acomete nessa hora. Na ala feminina, o abraço das amigas, um bom vinho e a almofada, ou uma festa de pijama para as mais novas, normalmente serve. O bom é que todos superamos. Uns mais rápido que outros. O importante é não esquecer que sarar um coração partido é um processo, e quanto mais ajuda interior e exterior tivermos, melhor.

Se o seu coração neste momento deu uma de curtir um buraco negro, ou se você simplesmente quer sorrir e relaxar um pouco, continue a ler. O diário de uma qawwi seleccionou nesta resenha 7 maravilhosos filmes que vão ajudar a olhar para este drama da vida com outra perpesctiva. Sayonara às mazelas amorosas, agarre a tal cervejinha (ou não) e divirta-se com uma das nossas sugestões.

  1. 500 days of summer (500 dias de Summer) – 2009Screen_Shot_2018-08-08_at_12.51.04_PM

Não se pode falar de um filme para curar o coração partido, sem mencionar o clássico 500 days of summer. Neste filme, um romântico escritor surpreende-se quando a sua namorada termina o namoro repentinamente. Retratando como um rompimento pode nos deixar devastados, especialmente se acreditamos que quem nos deixou era “a tal”, a nossa “alma gémea”, este filme mostra como recuperar e redescobrir as nossas paixões individuais, e que pese embora pareça o fim do mundo, há sempre uma reviravolta e todos os dias são um recomeço. O importante é não deixar de acreditar.

Confira o trailer:

  1. Table 19 (Mesa 19) – 2017

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É chato irmos para uma festa de casamento sozinhos, especialmente se o irmão da noiva é quem acabou de nos dar um pé na bunda para ficar com outra, não é verdade? Mas sabem o quê? Bola para frente, não vamos deixar de viver, nem de nos divertir. Afinal, sempre podemos fazer novos amigos e nunca sabemos o que, de facto, o destino e o futuro nos reserva.

Confira o trailer:

 

  1. Qualquer gato vira lata – 2011

qualquer-gatoDepois de ser desprezada pelo namorado mimado e mulherengo, Tati busca maneiras de reconquistá-lo. Para isso, ela procura Conrado, um professor de biologia que defende uma polêmica tese sobre as conquistas afectivas humanas e as atitudes dos animais.

Apesar de ser uma comédia romântica mediana e previsível, Malvino Salvador e Cleo Pires conseguem arrancar gargalhadas de qualquer gatinho/gatinha pinguço/a perdido nos becos dessa tragédia. Jamais se esqueça, você é um ser maravilhoso e ele (ou ela) está prestes a arrepender-se por o/a ter deixado/a.

Confira o trailer:

 

  1. Hes just not that into you (Ele não está tão a fim de você) – 2009

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Estão a ver quando alguém vem e nos diz “o problema não és tu, sou eu”? ou então “não tenho capacidade de assumir um compromisso agora?” não duvide da palavra, pois esta pessoa não está a brincar.

Esta é uma comédia deliciosa que vai fazer você entender, de uma vez por todas, que de nada serve forçar alguém a nos amar. Quando se ama, ama-se, senão, azar. O melhor está sempre por vir.

Confira o trailer:

  1. The War of the Roses (A Guerra das Rosas) – 1989

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Talvez sejam muitos anos de convivência, talvez você (acha que) ainda o/a ama, talvez haja o medo da sociedade, do que as pessoas vão falar, ou simplesmente tenha medo da solidão, seja como for, se a coisa está mal, não vale a pena insistir. Respire fundo e saia por bem da situação, antes que acabe saindo por mal. Na dúvida, dê uma olhada neste filme.

  1. Sliding Doors (1998)

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“Helen pode pegar o trem ou não. A sua vida será completamente diferente de acordo com o que fizer: se pegar o trem, vai conhecer James e encontrar seu namorado com outra, se não pegar, vai chegar tarde em casa tarde e continuar uma vida de enganos.”

O maravilhoso deste filme, é que nos deixa com uma inspiradora revelação. Nada acontece por acaso. Aquilo que hoje parece mau e nos deixa arrasados, amanhã pode ser uma verdadeira benção.

Trailer:

  1. Man Up (Desencontro Perfeito) – 2015

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Para o nosso top 1, escolhemos man up, pois este filme britânico é uma daquelas comédias românticas algo subestimadas. Com actuações leves e impecáveis, plausibilidade palpável no enredo a que se propõe, o filme deixa-nos com uma sensação de calor no coração, esperança no amor repentino e a ajustar a auto-estima. Antes de reclamarmos o amor de alguém, temos de nos permitir amar-nos a nós mesmos, e que quem tiver de gostar de nós, irá o fazer, com todas as nossas imperfeições. Só assim vale a pena.

Trailer:

 

Esperemos que goste 🙂

Especial Halloween

 

 

Dicas, Opiniões, Yummy Food

Food |Mimini de Peixe – Restaurante Sal & Grafia – Uma Deliciosa Gastronomia Moçambicana| Review

YUMMY FOOD

Na correria típica dos humanos, quando chega a hora das refeições, domina a pressa e procuramos um local de fácil acesso, observando sempre a relação qualidade/preço. Tanto para quem vem de visita e está num ritmo mais calmo, como para os residentes atarefados, Maputo oferece várias opções. Um dos primeiros lugares visitados pela nossa tripulação nesta cidade, foi o restaurante Sal & Grafia, na Fundação Fernando Leite Couto. Mal entramos, já damos um maravilhoso mergulho num bar de cocktails e de livros, e depois, adentramos numa colorida e fresca esplanada. Se estiver mau tempo, podemos optar pelo interior que é aconchegante, e de brinde ver alguma arte em exposição. A experiência é agradável. O Sr. Francisco, de sorriso incansável, assegurou que o serviço (prato do dia) fosse entregue em pouquíssimos minutos. Aliás, todo o pessoal do restaurante é impecável. Mas a verdadeira estrela do dia, foi e é sem dúvida o mimini de peixe.

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Menu das quartas-feiras, este prato é económico e vale a visita. A base de peixe, mandioca, molho de coco e especiarias, a suavidade do mesmo mantém-se intensa na memória. Alguém terá dito tratar-se de uma variação de um prato típico do Norte do país. O menu destaca-se também pelas interessantes propostas de doces tradicionais. O “memória da cozinha”, que envolve sorvete de malambe, linfete, fiosses e matoritori é uma boa aposta para quem gosta de sabores fortes. Confessamos que o doce não nos impressionou tanto, pois os fiosses tinham um caldo ligeiramente pesado (da próxima iremos pelo “delícia moçambicana”). Mas de resto, revelou-se uma boa aposta. Então já sabem, se estiverem pelas bandas, numa quarta feira e em busca de um local para almoçar, experimentem esta delícia gastronómica. Não se irão arrepender.

Sal & Grafia

A nossa pontuação: 4 em 5 estrelas

[Onde: Avenida Kim Il Sung, 951

Info: http://www.fflc.org.mz/por/Sal-Grafia]

Livros, Opiniões

Literatura |”Em busca do mar certo” de Cri Essencia|Opinião

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Título: Em Busca do Mar Certo

Autora: Cri Essência

Editora: Alcance

http://www.alcanceeditores.co.mz

Sinopse

 “Após a morte da mãe, ainda que sem dinheiro para continuar com os estudos, decidiu não voltar para Moçambique. Preferiu navegar por marés desconhecidas, em busca do pico mais alto da sua existência. Sabia que voltar para casa era um dado adquirido, mas tencionara adiar tal regresso, para que não tivesse de se confrontar com o irmão, na luta pela herança que a mãe deixara. Longe do luxo a que se habituara, ajoelhando-se para limpar casas de banho de outrem, encontrou amor próprio numa nova dimensão.”

Opinião:

Uma capa esmerada é meio caminho para se conquistar um leitor. Esta premissa funcionou bem na ilustração desta capa, a qual captou de imediato a nossa atenção na prateleira da livraria. O romance (semi-biográfico), traz-nos a história de Paula Chonguene, uma corajosa moçambicana de coração aberto e malas cheias de esperanças, que decide aventurar-se pela Europa, experimentado os caminhos incertos de um imigrante. Desde a feitiçaria como motivo de desavenças familiares, até aos preconceitos e choques entre culturas quentes e frias, a autora confronta com honestidade crua, os dramas e os buracos negros dentro das nossas sociedades.

Há muitos personagens que compõem o mundo de Paula Chonguene, mas alguns  acabam por tornar-se silenciosos ou distantes ao longo da trama. Miguel e James são  exemplos. Todavia, o afastamento de James (par romântico de Paula) parece servir para permitir o desenvolvimento da protagonista.

Durante a narrativa, percebem-se também algumas pausas em que a protagonista mergulha em reflexões e analisa do seu ponto de vista a condição de quem vive na diáspora e os desafios que enfrenta, a condição de uma mulher que busca independência, e por fim, a condição do próprio ser humano. As reflexões fazem uma incursão pela história dos países europeus que a protagonista visitou, o posicionamento destes com relação aos estrangeiros, rumando à debates teológicos e de ideologias sobre o comunismo vs individualismo. Embora estes momentos desviem-se um pouco do foco principal do romance, não comprometem a leitura, pois estão inseridos no contexto e no ambiente íntimos à protagonista.

Faltou uma melhor diagramação na obra, mas tirando isso, adoramos conhecer Paula Chonguene, uma mulher inteligente, difícil, amorosa e batalhadora, que aprecia vinhos, e que tem uma bagagem valiosa por partilhar (sem falar do final surpreendente do romance, licorzinho para aquecer o coração dos leitores mais românticos como nós).

Sobre a autora: Cri Essência nasceu em Maputo e estudou na Escola Secundária Francisco Manyanga. É jurista pela Universidade de Lisboa, mestrada pela University of Groningen e actualmente residente em Londres.

A nossa pontuação: 4 em 5 estrelas.

(A tripulação de Linan)

Cinema (Filmes / Séries), Opiniões, Resenhas

Cinema | “NAPPILY EVER AFTER” – Porque é que as mulheres deviam ver este filme| Opinião

 

Título: Nappily Ever After (PT: Agarra-te à vida, não ao cabelo)

Direcção: Haifaa al-Mansour

Elenco Principal: Sanaa Lathan, Ernie Hudson, Lyig Bent, Lynn Whitfield, Ricky Whittle e Camile Guaty

Género: Drama, Comédia Romântica

Ano: 2018

Sinopse:

“Violet Jones é uma mulher bem-sucedida que considera a sua vida perfeita. Um óptimo namorado e uma rotina organizada meticulosamente para conseguir estar sempre impecável. Quando o seu namorado mostra-se não ser quem ela esperava, Violet muda a vida radicalmente, descobrindo que o caminho em que se encontrava não era o ideal”

Opinião:

A Netflix continua a apostar em comédias românticas que tendem a mirar-se no seu público. A história de Violet, uma mulher de sucesso, que desde cedo alisa o cabelo para ter a aparência ideal e desejável pela sociedade, não é uma realidade estranha. Como muitas pessoas, Violet tem tudo para ser feliz, mas falha esse desiderato por uma simples razão: é a felicidade dos outros, e não a sua, que ela persegue. Ela percebe isso quando raspa o cabelo, numa intensa cena que faz rir e chorar ao mesmo tempo. O filme é baseado no romance de Trisha R. Thomas, e aposta em Sanaa Lathan para emprestar o lado leve e vulnerável de Violet. A trama tem uma e outra reviravolta comovente, mas de forma geral acaba sendo um lugar comum.

Apesar disso, é um filme bastante oportuno para o seu público alvo, especialmente para as mulheres que gostam do cabelo natural, seja ele crespo, liso, ou de qualquer outro feitio. Afinal de contas, vivemos numa sociedade que incentiva-nos a ser tudo, menos nós mesmas. Somos codificadas a acreditar que certo tipo de cabelo, de roupa, de corpo e até de comportamento, são melhores que outros, e acabamos por nos esquecer que tudo isso não passa de mero fabrico da sociedade. Aliás, para cumprir agendas impostas por essa mesma sociedade, afundamos as nossas necessidades e prioridades e acabamos por nos perder no abismo. A verdade é que não existe beleza física possível, sem brilharmos por dentro. Não é errado gostar-se de extensões, ou de cabelos lisos, até porque tudo o que nos torna belas é desejável. Errado é fazerem-nos acreditar que o cabelo natural é feio. O filme desmistifica essas possíveis inverdades e revela de forma gratificante, a protagonista a assumir o seu verdadeiro eu, depois de muito rebuscar a sua alma.

Confira o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=3xh9XFxo2Hg

Imagens via Netflix.

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A nossa pontuação: 4 em 5 estrelas.

(por VF – da tripulação)

Livros, Opiniões

Literatura|”O barrigudo e outros contos” – Hélder Muteia”|- Opinião

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Título: O barrigudo e outros contos

Autor: Hélder Muteia

Editora: Alcance, edição de Maio de 2018

Opinião:

 A primeira vez que entrei em contacto com a escrita de Hélder Muteia foi no livro “Nhambarro, contos e crónicas”. Passam-se muitos anos e não lembro com precisão do seu teor (há não ser, talvez, o tom humorístico de alguns dos textos). Todavia, retive uma boa impressão. Foi por isso que busquei esta nova obra com grande expectativa.

O livro reúne cerca de trinta títulos. Ao contrário do que aconteceu com Nhambarro, esta obra remeteu-me à um sentimento mais melancólico do que qualquer outra coisa, pois o autor retrata de forma quase que exacerbada a dor e o sofrimento, com desfechos trágicos, um após o outro. Tirando esse senão, é uma leitura leve e rápida. A escrita do autor é agradavelmente acessível. Passo inclusive a citar Susana, uma moça simpática que estava no cabeleiro e que pediu-me para espreitar o livro. Leu um dos textos e comovida comentou: “é muito sentimental. Fala do nosso dia-dia”. Se não é função de um texto comunicar de forma emotiva com o leitor, então qual é?

Além de mostrar fragmentos do quotidiano e da realidade do país, alguns dos textos levam-nos a reflectir sobre circunstâncias problemáticas do nosso meio e a postura que adoptamos perante tais circunstâncias. Exemplos disso nos textos “se os homens fossem bons” (que aborda o fenómeno do linchamento), “a menina das pedras” (a história de uma criança que, como tantas outras, tem que trabalhar para poder estudar e sustentar a casa), “midinho” (a história de uma criança de rua), e “o homem feio” (retrato de intolerância / falsos padrões da sociedade).

Como leitora, também pude sentir diferentes nuances ao longo da obra. Os textos reservados para o fim são mais sólidos, com “Cármen” e “Balada para Susana” ricos em detalhes e imagens, a dialogarem connosco de forma bastante mais profunda, em comparação aos outros. De forma geral, apreciei a obra. A capa tem boa textura, arte minimalista que cumpre o seu objecivo. Diagramação satisfatória.

Sobre o autor: Hélder Muteia é membro fundador da AEMO, membro fundador do movimento literário Charrua e ocupou vários cargos no governo de 1994 a 2004. Desempenha actualmente funções de coordenador da FAO (ONU) para a África Central. Tem vários títulos publicados e obras traduzidas em inglês, francês, espanhol, italiano, russo e sueco.

A nossa pontuação: 3,8 em 5 estrelas.

(Por VF – da tripulação)