Resenhas

Literatura | O homem que comeu o hospital, de Edmilson Mavie

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Autor: Edmilson Mavie

Editora: Fundação Fernando Leite Couto

Onde comprar: Fundação Fernando Leite Couto

Opinião

Confesso que demorei um pouco para ler este livro. Há obras que em certos momentos não se coadunam com o nosso estado espírito (ou vice-versa), e foi o que aconteceu com esta, a primeira vez que abri e explorei os primeiros dois contos.

Recentemente retornei à leitura. Desta feita, ela ocorreu num piscar de olhos. O escritor, tão naturalmente explorador do universo moçambicano onde se inspira para criar as suas histórias, transparece um contacto íntimo com a realidade à sua volta. Talvez, quem sabe, pela sua profissão. Ou por simplesmente ser um bom contador de histórias.

O vazio causado pela morte, a sede pelo poder, a ausência de uma mão mais provedora do sistema, as relações interpessoais, e por fim, o lado mais místico, e às vezes sinistro do próprio ser humano, são os elementos que compõem e ligam os cerca de 14 contos presentes nesta colectânea.

Contos como “o prognóstico”, “vencidos pela natureza” e “a fatalidade”, contam infortúnios comuns e visíveis na nossa sociedade, mas também desvelam-se como metáforas sobre questões mais complexas. O que seria um sistema médico incapaz de produzir um diagnóstico, ou então um mal-entendido onde um polícia acaba matando uma criança, senão uma conjuntura deficiente, onde todos nós acabamos por ser responsáveis pela tragédia?

Eis uma passagem do conto “a fatalidade”:

“o menino em mínimo movimento, rosto pálido e cianótico, estendeu o braço e abriu a mão com as moedas cintilando. E arrastando a voz em derradeiro momento lançou o mormente olhar à mãe e disse: – desculpa, mamã… é a polícia que só tem balas de matar”.

Relativamente a escrita de Edmilson, achamo-la elegante, acessível e poética. O autor conduz a sua narrativa de forma inteligente, pois consegue trazer um desfecho de certa forma inesperado a cada um dos seus contos. Vale ressaltar, entretanto, que logo no início percebe-se o tom das histórias a que se propõem contar. Outro aspecto interessante do livro, é a abertura de cada conto, que inicia com uma citação ou provérbio, para ambientar o texto.

A partir da segunda metade do livro, a escrita de Edimilson torna-se mais densa. Mais comovente, se nos permitirem. O conto que afigura-se mais colorido é o que dá título a obra. Aliás, o título nos parece ser exactamente o que sugere: uma provocação. Uma alusão aos nossos devaneios internos. E quem não os tem?

A capa e o título são sem dúvida impressionantes. Impossível não despertar a curiosidade para o que guarda o restante. A diagramação do livro é boa. A revisão, contudo, poderia ter sido um pouco mais atenta. Nada, entretanto, que retire o mérito da obra.

É uma leitura definitivamente recomendável.

A nossa pontuação: 4 em 5 estrelas

(Por VF da tripulação)

Dicas, Opiniões, Yummy Food

Food |Mimini de Peixe – Restaurante Sal & Grafia – Uma Deliciosa Gastronomia Moçambicana| Review

YUMMY FOOD

Na correria típica dos humanos, quando chega a hora das refeições, domina a pressa e procuramos um local de fácil acesso, observando sempre a relação qualidade/preço. Tanto para quem vem de visita e está num ritmo mais calmo, como para os residentes atarefados, Maputo oferece várias opções. Um dos primeiros lugares visitados pela nossa tripulação nesta cidade, foi o restaurante Sal & Grafia, na Fundação Fernando Leite Couto. Mal entramos, já damos um maravilhoso mergulho num bar de cocktails e de livros, e depois, adentramos numa colorida e fresca esplanada. Se estiver mau tempo, podemos optar pelo interior que é aconchegante, e de brinde ver alguma arte em exposição. A experiência é agradável. O Sr. Francisco, de sorriso incansável, assegurou que o serviço (prato do dia) fosse entregue em pouquíssimos minutos. Aliás, todo o pessoal do restaurante é impecável. Mas a verdadeira estrela do dia, foi e é sem dúvida o mimini de peixe.

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Menu das quartas-feiras, este prato é económico e vale a visita. A base de peixe, mandioca, molho de coco e especiarias, a suavidade do mesmo mantém-se intensa na memória. Alguém terá dito tratar-se de uma variação de um prato típico do Norte do país. O menu destaca-se também pelas interessantes propostas de doces tradicionais. O “memória da cozinha”, que envolve sorvete de malambe, linfete, fiosses e matoritori é uma boa aposta para quem gosta de sabores fortes. Confessamos que o doce não nos impressionou tanto, pois os fiosses tinham um caldo ligeiramente pesado (da próxima iremos pelo “delícia moçambicana”). Mas de resto, revelou-se uma boa aposta. Então já sabem, se estiverem pelas bandas, numa quarta feira e em busca de um local para almoçar, experimentem esta delícia gastronómica. Não se irão arrepender.

Sal & Grafia

A nossa pontuação: 4 em 5 estrelas

[Onde: Avenida Kim Il Sung, 951

Info: http://www.fflc.org.mz/por/Sal-Grafia]