Outras maravilhas humanas

As monções e os templos do amor

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 Por: Jorge Ferrão

Índia aproveita a suavidade do inverno tropical, para alinhar os seus ideais, metas e objectivos. Estes períodos de transição, grosso modo, se imbuem de espíritos benignos, esperanças renovadas e certezas de um presente, que não pode ser futuro e muito menos passado.

Visitar India, não importam as razões, parece um sonho, longo e inacabado. Todos, sem excepção, queremos, um dia, desfrutar desse misticismo dos templos, contemplar a grandeza Gandhiana, mergulhar na sétima maravilha do mundo, imponente Taj Mahal, arrepiar com o inacreditável Ganges, lacrimejar as papilas gustativas com sabores picantes de caril dos ventos, reverenciar  a diversidade e a espiritualidades das línguas. Todos queremos provar o chá, com ou sem Massala, que não é apenas uma bebida, mas uma cultura milenar.

A Índia está segura que será o país mais populoso do mundo nos anos dois mil e vinte e dois mil e vinte e cinco. Igualmente, fará parte das cinco maiores economias do planeta. Estas perspectivas já remexem as posições políticas estratégicas geo-políticas. As monções se configuram generosas. A natureza tem sido benevolente. A India não procura parceiro, são estes que vasculham os caminhos que vão dar as Índias, como foi a rota milenar das sedas e especiarias.

Um pouco mais de 93 países e 600 convidados desdobram-se em explicações e conjecturas, sugerem modelos e roteiros para assegurar que não ficarão excluídos das rotas e círculos finais. Assegurar que as novas geometrias os incorporem. São sonhadores, políticos, governantes, estudiosos, generais e peritos que se antecipam a aurora do novo gigante.

Os mares foram os responsáveis e a principal via de ligação entre os nossos povos e países. O oceano Índico serviu de berço e estrada de civilizações, segredos, partilhas e amizades. Os ventos, em particular, as monções, facilitaram as rotas e interações.

Mares e ventos, com todo o secretíssimo que os tipificam e com os misticismos que os rodeiam, são a base de uma sociedade de conhecimento, ancestral, porém eficaz e perene. Portanto, mesmo que não conheçamos a Índia física, a conhecemos de forma cultural, nutricional, espiritual e comercial. Conhecemos a Índia como nos conhecemos a nós mesmos e, só os indianos, conseguem falar, com tanta fluência, as nossas próprias línguas.

Moçambique representa a sexta maior diáspora indiana no mundo, com cerca de vinte e cinco mil (25.000) cidadãos de origem indiana residentes no interior e litoral do país.

Este longo percurso respalda as actuais relações diplomáticas, comercias, formação e de cooperação entre os dois povos e países. Os povos indianos aqui residentes, não serão, jamais, tidos como uma diáspora, mas como uma extensão das restantes comunidades que aqui se instalaram e constituem a matriz étnica, cultural e racial moçambicana. Só em 2016 a Índia investiu cerca de dois biliões de dólares, colocando-se como o terceiro maior parceiro de exportação de Moçambique e, sétimo maior parceiro de importação.

Moçambique e Índia também se associaram a duas questões estratégicas na actualidade. Em primeiro lugar a questão demográfica e, em segundo lugar as mudanças climáticas. Estes são os desafios da actualidade, pois, as economias, num período de grandes mudanças tecnológicas, precisam de se adaptar. A estabilidade social dos nossos povos e países, depende da melhoria das condições sociais e, do bem-estar dos jovens e dos nossos povos.

Neste período caracterizado pela constitucionalização da ordem global, a Índia também nos ensina a manejar as ferramentas da interdependência, multilateralismo, cooperação regional e Internacionais. Tudo sem clichés. Tira o maior proveito da ciência, não apenas para a governação, mas e principalmente, para a própria segurança nacional e bem-estar societário.

No final, Taj Mahal, esse majestoso mausoléu, localizado na cidade de Agra, foi construído em mármore branco, entre os anos de 1630 e 1652. Neste período mais fresco recebe mais de 50000 visitantes diários.

Todos ganham desse turismo de grande intensidade e baixo rendimento. Porém, ganham mais ainda os intermédios. Esse segmento que fica alheio a tudo e todos e encaixa receitas fabulosas.

Neste pós-neoliberalismo, sobrevivem os visionários e audazes. Porém, só se tornam eternos, os que amam o próximo, seus familiares e seus povos. As monções carregam amor e os amores são sinónimos de novos tempos.

categoria: maravilhas humanas

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Outras maravilhas humanas

12 Factos que você desconhece sobre Moçambique

4 mins – leitura

Quem acompanhou o episódio de estreia do “desabafo de uma qawwi” aqui no blog, sabe que Moçambique foi o primeiro lugar onde a nossa qawwi aterrou. O país está localizado no Sudeste de África e é banhado pelo oceano índico. Fala-se dele. Muito e pouco. Coisas boas. Outras nem tanto. Mas hoje, reunimos factos e curiosidades, que provavelmente você não saiba sobre este país. E se sabe, vale a pena revê-los 🙂

Iniciemos então o ranking do nosso top 12 de hoje?

12 – Joana Balaguer morou em Moçambique

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Alguém lembra-se da Jacqueline de malhação (temporada de 2005)? Em determinada altura, a ex-actriz de malhação morou em Maputo, capital de Moçambique. O artigo abaixo descreve a rotina dela durante essa época e as impressões que teve.

 

 

 

Imagem via revista Ego

http://ego.globo.com/gravidez/noticia/2014/02/morando-na-africa-joana-balaguer-fala-sobre-carreira-nao-larguei-nada.html

11- A primeira dama de Cabo Verde é Moçambicana

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Imagem via WACC

Chama-se Lígia Fonseca e nasceu em Moçambique, na cidade da Beira, a 24 de Agosto de 1963

10 – A primeira e única pessoa no mundo a ser primeira dama de dois países diferentes é moçambicana

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Imagem via Raymond Suttner

Graça Simbine Machel, política e activista dos direitos humanos, foi a primeira-dama de Moçambique, quando casou-se com Samora Machel, o primeiro presidente de Moçambique, morto em 1986 e foi a primeira dama da África do Sul, quando casou-se com Nelson Mandela, em 1998, o primeiro presidente negro da África do Sul, falecido em 2013. Pelos casamentos, segundo o Guinnes Book, Graça Machel tornou-se a única pessoa no mundo a ser primeira-dama de dois países diferentes.

http://www.guinnessworldrecords.com/world-records/first-female-to-be-first-lady-of-more-than-one-country/

9 – Tema de músico moçambicano fez parte da trilha sonora de “The Pledge”

O tema “Nwahulwana” do músico Wazimbo é mundialmente conhecido. Entre outras razões, o mesmo foi escolhido para fazer parte da trilha sonora do filme americano “The Pledge” (A Promessa), de 2001. Veja a cena onde corre a música:

8 – Beyoncé é fã dos Tofo Tofo

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Parece um fairytale. A cantora norte americana Beyoncé viu no youtube a dança dos Tofo Tofo e ficou deslumbrada. Jurou para si mesma que tinha de ter aquela coreografia no videoclip de “who runs the world”. Custasse o que custasse. Para isso, mandou chamar os melhores coreógrafos do país, mas nenhum deles foi capaz de reproduzir a mágica coreografia. Sem grandes opções, colocou a sua equipe em busca dos Tofo Tofo, e por fim encontrou-os. Em Moçambique.

 “What’s your name?” – perguntaram eles à anfitriã, quando chegaram aos Estados Unidos.

 “I’m Beyonce” – respondeu simpática, a estrela do R&B.

 “My English is bad, but my will is good”[1] – foi um dos comentários do representante dos dançarinos que levou os internautas ao rubro. Não é para menos, é muito talento e muita graça!

 Confira a história neste vídeo.

https://www.youtube.com/watch?v=UEdFczGMo98

[1] O meu inglês é mau, mas a minha intenção é boa.

7 – Moçambique mencionado em musical da Broadway

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Imagem via Trib.com

Trata-se de “the Addam’s Family”, um maravilhoso musical da Broadway, estreado em 2010, que conta a história da família mais esquisita de todos os tempos. Um dos temas do musical, intitulado “Crazier Than You”, tem algo bastante interessante na letra. Provavelmente mais para fins estéticos e de rima, mas mesmo assim, não é todos os dias que o nome do país escala à Broadway.

“I wanna climb Mt. Everest go to Mozambique”[1] canta o personagem Lucas à namorada Wednesday, num palco repleto de estrelas, luas e mãos que se movem sozinhas. Querido Lucas, nós também queremos!

 Confira a música aqui:

[1] Quero escalar o monte Everest, ir à Moçambique.

6 – Moçambique serve de cenários para vários sucessos de bilheteria de Hollywood

Filmes como “Ali” (Will Smith), “A Intérprete” (Nicole Kidman) e Blood Diamonds (Leonardo Dicaprio) tiveram cenas filmadas em Moçambique. Aliás, os actores protagonistas não são as únicas celebridades da TV que visitaram o país. Reinaldo Gianecchini, Alexandre Borges, Priscila Fantin e Bruno Lopes, actores brasileiros, também estiveram muito recentemente em Moçambique.

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Imagem via Sapo

5 – Cineasta moçambicano foi nomeado júri nos Óscares

CINEASTAMOCAMBICANOEMHOLLYWOODImagem via jornal o país

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, responsável pela atribuição das estatuetas Óscar, convidou este ano (2018) o cineasta moçambicano, Pedro Pimenta, a ser membro do júri. Saiba mais no artigo abaixo.

http://opais.sapo.mz/cineasta-mocambicano-pedro-pimenta-na-academia-de-hollywood

4 – Anantara Medjumbe Island Resort – hotel de ilha mais bonito do mundo

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Imagem via CNN Travel

E por falar em Leonardo Dicaprio, dizem que quando ele visita Moçambique, passa férias numa ilha discreta, sem que ninguém se sequer se aperceba. Verdade ou não, o facto é que algumas praias do país são simplesmente espetaculares. O resort de uma das ilhas do arquipélago das Quirimbas, no norte do país, foi listado em 2º lugar, no top 15 da CNN, de resorts de praias mais bonitos do mundo! Confira as restantes ilhas no artigo abaixo.

https://edition.cnn.com/travel/article/most-beautiful-island-hotels/index.html

3 – Galinha a zambeziana em 12º lugar na lista das melhores comidas do mundo

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Imagem via CNN Travel

Pois é, um dos melhores pratos do mundo, segundo a CNN, é o moçambicano frango à zambeziana. Para ver as outras comidas, confira o artigo abaixo.

https://edition.cnn.com/travel/article/world-best-food-dishes/index.html

2 – Moçambique tem a maior ponte suspensa de África

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Imagem via Sicnoticias

A ponte inaugurou no último sábado (10 de Novembro de 2018) e é actualmente a maior ponte suspensa do continente africano.

https://pt.euronews.com/2018/11/09/mocambique-inaugura-maior-ponte-suspensa-de-africa

https://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2018-11-09-Maior-ponte-suspensa-de-Africa-vai-ser-inaugurada-em-Maputo

1 – Floresta virgem

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Imagem via Jornal Notícias

Já imaginaram um lugar, nos dias de hoje, inexplorado e intacto pelos humanos? Esse lugar existe. Trata-se de uma floresta virgem, encontrada este ano (2018) por cientistas e pesquisadores. A floresta está escondida no topo do monte Lico, na Zambézia, província de Moçambique e foi descoberta pelo professor Julian Baylis, da Universidade de Oxford, através do Google Earth.

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Imagem via The Guardian

Mais detalhes nos links abaixo:

http://www.jornalnoticias.co.mz/index.php/tecnologias/78816-cientistas-descobrem-floresta-virgem-na-provincia-da-zambezia

https://www.theguardian.com/world/2018/jun/17/mozambique-mount-lico-rainforest-new-species

Então? Alguém está a pensar em visitar Moçambique? Sabem de outros factos e curiosidades que deviam estar aqui? Deixem os vossos comentários e não se esqueçam de seguir-nos no facebook: https://www.facebook.com/qawwi.reviews

Dicas, Opiniões, Yummy Food

Food |Mimini de Peixe – Restaurante Sal & Grafia – Uma Deliciosa Gastronomia Moçambicana| Review

YUMMY FOOD

Na correria típica dos humanos, quando chega a hora das refeições, domina a pressa e procuramos um local de fácil acesso, observando sempre a relação qualidade/preço. Tanto para quem vem de visita e está num ritmo mais calmo, como para os residentes atarefados, Maputo oferece várias opções. Um dos primeiros lugares visitados pela nossa tripulação nesta cidade, foi o restaurante Sal & Grafia, na Fundação Fernando Leite Couto. Mal entramos, já damos um maravilhoso mergulho num bar de cocktails e de livros, e depois, adentramos numa colorida e fresca esplanada. Se estiver mau tempo, podemos optar pelo interior que é aconchegante, e de brinde ver alguma arte em exposição. A experiência é agradável. O Sr. Francisco, de sorriso incansável, assegurou que o serviço (prato do dia) fosse entregue em pouquíssimos minutos. Aliás, todo o pessoal do restaurante é impecável. Mas a verdadeira estrela do dia, foi e é sem dúvida o mimini de peixe.

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Menu das quartas-feiras, este prato é económico e vale a visita. A base de peixe, mandioca, molho de coco e especiarias, a suavidade do mesmo mantém-se intensa na memória. Alguém terá dito tratar-se de uma variação de um prato típico do Norte do país. O menu destaca-se também pelas interessantes propostas de doces tradicionais. O “memória da cozinha”, que envolve sorvete de malambe, linfete, fiosses e matoritori é uma boa aposta para quem gosta de sabores fortes. Confessamos que o doce não nos impressionou tanto, pois os fiosses tinham um caldo ligeiramente pesado (da próxima iremos pelo “delícia moçambicana”). Mas de resto, revelou-se uma boa aposta. Então já sabem, se estiverem pelas bandas, numa quarta feira e em busca de um local para almoçar, experimentem esta delícia gastronómica. Não se irão arrepender.

Sal & Grafia

A nossa pontuação: 4 em 5 estrelas

[Onde: Avenida Kim Il Sung, 951

Info: http://www.fflc.org.mz/por/Sal-Grafia]