Livros, Opiniões, Resenhas

Literatura | Bodas de Papel, de Daniel Moraes – Opinião

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Autor: Daniel Moraes

Editora: Rouxinol; 2018

Opinião

Foi uma óptima experiência e um grande prazer para nós entrar em contacto com a escrita de Daniel Moraes, no seu livro de estreia, Bodas de Papel. Ao apresentar-nos Michelle e Michael, logo de início numa situação delicada, o autor coloca-nos no impulso de saltar para a última página, deixando claro que o seu objectivo é arrancar algumas lágrimas do leitor.

A história começa quando Michelle, uma jovem dedicada exclusivamente à faculdade e ao trabalho, acaba desafiada a aceitar o amor de Michael, já que este não mede esforços para derrubar as muralhas que a outra havia edificado à sua volta nos últimos anos.

“A minha vida deu uma reviravolta agora e não sei qual será o meu próximo passo, mas tenho a certeza que não será para longe de você”. São passagens como estas, que revelam a sensibilidade no interior do protagonista Michael, assim como no do próprio autor.

Na sua proposta, Daniel revela uma narrativa bem estruturada, personagens com um bom grau de densidade psicológica, desde as centrais, às secundárias, com especial destaque à adorável Kelly e até a “negligente” médica Claudete. Daniel não é comedido na ambientação e nos detalhes que compõem o cenário da narrativa. É verdade que os detalhes às vezes se tornam um pouco “abundantes”, mas se isso é bom ou mau, depende da apetência de cada leitor em querer familiarizar-se com a vida do personagem.

O drama que dá essência à história é bastante plausível. A dificuldade enfrentada pelo casal é facilmente relatável e faz desabrochar no leitor uma grande empatia. Isto torna o livro fácil de ler. Amantes de uma história romântica, cheia de sensualidade e ousada na sua simplicidade, vão adorar a proposta. O mesmo tipo de ousadia e força encontramos no livro “Fica Comigo” de Noemia Amarillo. Daniel, entretanto, vai um pouco além ao aflorar com segurança conhecimentos médicos, tornando a leitura não só prazerosa, como também educativa. Ao chegarmos ao fim, o autor revela-se pretender ser tão dramático como Nicholas Sparks. Se realmente o faz, é algo que convidamos o leitor a descobrir.

A nossa classificação: 4 de 5 estrelas

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Literatura | Flashforward – e se pudéssemos ter uma visão do futuro? – opinião

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Autor: Robert J. Sawyer

Edição: 2010

Editora: Saída de Emergência

 

 

 

Sinopse

“Em Flashforward, é iniciada uma experiência científica que conduz ao inesperado: o mundo inteiro cai inconsciente por instantes e todas as mentes são projectadatas vinte anos no futuro. Quando a humanidade desperta, o caos impera por todo o lado: carros arruinados, cirurgias falhadas, quedas, destruição em massa e um elevado número de mortes. Mas esse é apenas o início. Passado o choque das visões, cada indivíduo tentará desesperadamente evitar ou assegurar o seu próprio futuro vislumbrado”

Opinião

O que o ser humano faria se tivesse uma visão do seu próprio futuro? Esta é a premissa básica que guia o enredo de Flashforward, romance que aborda uma experiência científica que acaba por provocar um desastre mundial, num cenário onde todos os seres humanos perdem a consciência durante cerca de 2 minutos. Nesse curto espaço, a humanidade faz um salto temporal e cada um dá por si a vislumbrar como será o futuro dali a 20 anos. Alguns ficam felizes. Outros, nem por isso.

Flashforward pode não ter a melhor escrita, mas o conceito proposto é dos mais brilhantes. O autor consegue facilmente prender a atenção do leitor. Sendo uma obra essencialmente de ficção científica, o tema é explorado de vários ângulos, inclusive na vertente do suspense, quando o personagem Theo Procopides, por exemplo, inicia uma incansável investigação para saber quem é o desgraçado que dali a 20 anos o vai matar.

A narrativa causa várias provocações filosóficas. Afinal de contas, podemos mudar o nosso destino? Ou o futuro já está traçado pelo universo e pelas leis da física? O que é que um governo normal faria se pudesse prever o futuro?

Flashforward foi adaptado para a televisão, numa das melhores séries de sempre, a qual carrega o mesmo nome. A série, contrariamente ao habitual, consegue em alguns aspectos ser melhor que o livro, ao explorar com mais profundidade o impacto deste conceito (previsão do futuro) nos relacionamentos e na vida pessoal. O livro o faz, mas superficialmente e com menos emoção.

A série, de igual modo, toma um rumo diferente do livro ao colocar Mark Benford (Joseph Fiennes), agente do FBI, como protagonista. No livro, os protagonistas são Llyod Simcoe e Theo Procopides, os dois cientistas responsáveis pelo evento. Na adaptação cinematográfica, as pessoas vem o seu futuro dali a 6 meses e não 20 anos, como no livro.

A diagramação e a paginação do livro são confortáveis e a leitura flui depressa. Recomendamos tanto o livro, como a série (já agora, pode conferir no link abaixo o trailer):

A nossa pontuação: 4 de 5 estrelas

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Literatura –|Risco calculado de “Robin Cook”| – Opinião

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Autor: Robin Cook

Edição: 1995

Editora: Publicações Europa-América; BR – Editora Record

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Sinopse:

 “Quando o neurocientista Edward Armstrong começa a sair com Kimberley Stewart, descendente de uma mulher que foi enforcada na época do julgamento das bruxas de Salem, aproveita a oportunidade para investigar uma das suas teorias preferidas: que o “demónio” em Salem em 1692 tinha sido uma droga alucinogénia consumida involuntariamente num cereal com fungos. Numa tentativa de demonstrar a sua teoria, Edward cultiva o tal fungo a partir de amostras colhidas na propriedade dos Stewart. Numa brilhante transformação do fármaco produzido artificialmente, o veneno torna-se no Ultra, um antidepressivo com capacidades terapêuticas verdadeiramente notáveis. Neste perturbante livro, Robin Cook criou mais uma fascinante história de suspense médico, em que se entrecruzam a ganância, o abandono da ética e a louca ambição.”

Opinião:

Robin Cook é um dos nossos autores favoritos. Alguns membros do nosso blog de vez em quando gostam de rabiscar histórias e uma das influências para isso, é o Sr. Robin Cook. Critérios para dizer se um livro é bom ou mau são subjectivos. Todavia, há sempre aquele que consegue fazer do leitor o próprio personagem. Que nos envolve com o aroma de pão a ser assado no forno, ou faz-nos sentir o terrivel frio no meio da neve. Obras assim tornam-se inesquecíveis. Risco calculado é uma dessas obras. O romance prendeu a nossa atenção desde o início, e foi uma das leituras mais agradáveis de sempre. O livro é dividido em duas épocas: a primeira, da inquisição e caça às bruxas (séculos XVI a XVIII), e a segunda, da modernização, onde a ciência evolui e domina a curiosidade do homem. Ao contrário do que pode parecer pela sinopse, o livro não trata de assuntos sobrenaturais. Quando muito, discute as implicações de algumas crenças e o impacto destas no nosso quotidiano. Como em muitas de outras obras suas, Robin Cook aborda o mundo da ciência e da ética. O autor explora também a dependência e a insegurança pessoal, mostrando até que ponto a ambição consegue quebrar o mais firme dos carácteres. Os personagens são honestos e credíveis, com óptimo desenvolvimento psicológico e uma larga dose de humor. A narrativa de Cook é normalmente preenchida por alguns termos técnicos um pouco complicados para quem não é da área, mas nada como um bom desafio não é verdade? É definitivamente um livro a apostar para quem gosta de um thriller.

Sobre o autor: “Médico e escritor, Robin Cook é largamente creditado como o introdutor do termo “médico” como um gênero literário. Por isso, 20 anos depois do lançamento de seu primeiro livro, “Coma”, ele continua a dominar a categoria que ele mesmo criou. Em cada uma de suas obras, Robin Cook busca escrever sobre os bastidores da prática médica actual. Explorou, entre outras coisas, a doação de órgãos, engenharia genética, a fecundação in vitro, pesquisas sobre drogas e transplantes de órgãos”.

A nossa pontuação: 5 em 5 estrelas.