Cinema (Filmes / Séries), Opiniões, Resenhas

Cinema | amores interplanetários, inter-raciais e interculturais

Como o diário de uma qawwi está num mês bastante cor de rosa, decidimos nesta resenha explorar as histórias de romances interculturais e inter-raciais. Ninguém melhor do que a própria qawwi, que é uma ET do planeta Stefanotis, e Will, que é um humano do planeta terra, para falarem de diferenças interculturais e interplanetárias quando se trata de amor, não é verdade? Mas há alguns filmes que também conseguem celebrar esta diversidade com bastante estilo, mostrando o óbvio: somos todos diferentes, mas somos todos iguais. Vamos conferir o nosso top 10?

10. Avatar (2009)

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Aclamado pela crítica, este filme de ficção científica dirigido por James Cameron ocorre no futuro (2154) e é baseado num conflito em Pandora, um planeta que orbita o sistema Alpha Centauri. Neste planeta, os colonizadores humanos e os Na’vi, nativos humanoides, entram em guerra pelos recursos do planeta e a continuação da existência da espécie nativa. No meio disto tudo, nasce o amor entre um humano e uma Na’vi.

Trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=5PSNL1qE6V

9. Thor (2011)

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O romance entre deuses (deusas), semi-deuses e humanos(as) sempre foi amplamente explorado pelo cinema e pela literatura. A mitologia nórdica, por exemplo, inspira alguns filmes do universo Marvel, como Thor. No início desta longa saga, Thor é um deus irresponsável que acaba sendo banido de Asgard, a sua terra natal. Ao tentar recuperar o seu martelo e voltar para casa, conhece a cientista Jane, uma simples humana. Asgard e o planeta Terra estão em dimensões completamente diferentes. Pode o amor entre o deus e a humana sobreviver?

8. Something new – Algo Novo (2006)

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Com dois actores cheios de química, esta belíssima comédia romântica foca-se não apenas num relacionamento inter-racial, como nos valores culturais, sociais e tradicionais de algumas famílias afro-americanas.

Trailer:

7. Guess who – A Família da Noiva (2005)

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Percy Jones, um homem negro e de personalidade forte, fica contrariado ao saber que a sua filha, Theresa, está noiva de um homem branco. Guess Who é um remake de Guess Who is coming for dinner (1967), mas ao contrário da versão original dramática que era uma crítica social à época, Guess Who de 2005 retrata de forma bem humorada a vida de vários casais, numa comédia de encher o coração de gargalhadas.

Trailer:

6. Save the last dance – Ao ritmo do hip-hop (2001)

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A trama relata a história de Sara Johnson, uma jovem que sonha em ser uma bailarina de balé. Ao chegar à Chicago após a morte da mãe, Sara ingressa numa escola frequentada maioritariamente por estudantes negros. Nessa escola, conhecerá Derek Reynolds, pelo qual apaixona-se e quem a ensinará a dançar hip-hop.

Trailer:

5. Bride and Prejudice – Noiva e Preconceito (2005)

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Baseado no livro de Jane Austen, Orgulho e Preconceito, Bride and Prejudice é uma mistura de Bollywood e Hollywood, que traz a história de Lalita Bakshi, uma jovem indiana que vive em Amritsar, e de Will Darcy, um estrangeiro que Lalita conhece numa festa. Lalita acha o Sr. Darcy muito arrogante por desrespeitar a cultura indiana. Resta saber se essa impressão permanecerá para sempre.

Trailer:

4. My Greek fat wedding – Casamento Grego (2002)

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Toula Portokalos (Nia Vardalos) é grega. Ao ter aulas de informática numa universidade, acaba por apaixonar-se por um professor de inglês, que é completamente o oposto do desejo de seu pai, ou seja, um genro grego.

Trailer:

3. The Little Mermaid – A Pequena Sereia (1989)

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Baseado num dos contos de Hans Christian Andersen e produzido pela Disney, a animação traz a história de Ariel, filha mais nova do Rei Tritão, comandante dos sete mares. Ariel sempre teve curiosidade sobre a vida dos humanos, mas é proibida pelo pai de aproximar-se destes, pois segundo o rei Tritão, os humanos sao bárbaros.

Na actualidade, Ariel talvez não seja exactamente um bom modelo para as jovens, já que em nome de um amor ela vende a própria voz e perde a sua essência. Porém, há muitas razões para assitir-se a esta animação, inclusive a mensagem de que o amor vence as diferenças entre mundos opostos, e a soberba música do filme, que até hoje anima crianças e adultos no mundo inteiro.

Trailer:

2. Pocahontas (1995)

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Clássico querido pelos amantes da Disney, faz um retrato ficcional do encontro histórico de Pocahontas com o inglês John Smith e os colonos em Jamestown que chegaram a partir da Virginia Company.

Trailer:

  1. Bend it like Beckam – Joga como Beckam (2002)

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Com uma maravilhosa trilha sonora (e a estreia de Keira Knightley, hoje grande atriz), este filme é acima de tudo, um caso típico de girl power. A película narra a história de uma família indiana que vive em Londres e tenta educar, de maneira tradicional, a filha que é apaixonada por futebol, revelando um intenso choque de culturas. Quando Jess é forçada a fazer a escolha entre a tradição e o seu amado desporto (e tambem o bonitão treinador inglês), a sua família terá de decidir se permitirá que a filha faça da vida uma corrida atrás de uma bola de futebol.

Trailer:

Cinema (Filmes / Séries), Dicas, Opiniões, Uncategorized

Cinema | Always a Witch – Siempre Bruja (Seriado 2019) – Opinião

siempre_bruja_0.jpgImagem via Netflix

Opinião

A magia e a bruxaria são temas aos quais a indústria cinematográfica não se cansa de recorrer. Deve ser por alguma razão. E ora vejamos, numa mistura entre magia e viagens no tempo, não parece sobrar espaço para uma receita falhada.

Assim, o trailer e a sinopse da nova série espanhola despertaram todos os nossos sentidos: uma bruxa de muitos séculos passados, viaja ao futuro nos dias de hoje, para salvar o amor da sua vida e ao mesmo tempo derrotar um perigoso inimigo.

A série desenlaça logo nos primeiros minutos, onde descobrimos que, afinal, Cármen Eguilaz (Angely Gaviria) é uma escrava acusada de bruxaria e de ter enfeitiçado o seu amo, com quem vive um romance proibido, sendo condenada à pena de morte e queimada na fogueira, como acontecia na época da inquisição. O seu amado, não suportando perdê-la, tenta salvá-la, mas acaba morto a tiro. Assim, enquanto arde na fogueira, Cármen consegue viajar ao futuro, para cumprir uma missão que lhe foi dada por um poderoso bruxo, com a promessa de no fim da missão, poder regressar ao momento em que o amado ainda está vivo e salvá-lo.

A opinião crítica latina sobre esta série é surpreendentemente confusa. Enquanto a audiência parece feliz em ver na TV uma poderosa protagonista Afro-Latina num seriado deste género, muitos torcem o nariz ao romance que impulsiona a trama, ou seja, a história de amor entre uma escrava e o seu senhorio. Nós, sinceramente, não vemos o porquê deste “plot” ferir tanto as sensibilidades e ser alvo de uma crítica feroz, quando está dentro de um contexto histórico que, no final das contas, não deixou de existir. O passado não se apaga, mas com ele podemos aprender a não repetir os erros.

Agora, se formos a falar de como comporta-se esta personagem que sai dos anos 1600 e chega ao futuro, aí sim, podemos ter bastante para questionar.

Eis o que achamos que foi executado de forma muito pobre nesta série: histórias que envolvem viagens no tempo, normalmente envolvem certo cepticismo da personagem que se vê num mundo diferente. Mas nesta série, a bruxa Cármen Eguilaz chega ao futuro e já vai marchando para a universidade, sem grandes dificuldades e sem ficar abismada com a modernidade a sua volta, nem com o tratamento igual entre pessoas (mais uma vez, ela vem da época da escravatura). Será que estava a evitar-se um cliché? Talvez, mas os lugares comuns, às vezes têm certa razão de ser, e aqui fizeram alguma falta.

Tirando este ponto que é uma espécie de falling flat para a expectativa dos telespectadores, a série é leve e mantém um bom ritmo, mostrando com sucesso o desenvolvimento de Cármen como figura feminina cheia de força, transformando-se num modelo a seguir. “Nós somos escravas, mas a senhora também é escrava. É escrava do seu marido, da sua religião e da sua sociedade. Se o preço para eu ser livre é casar-me, então não me caso”, é algo mais ou menos assim que lança Cármen Egulilaz, a dada altura, dotada pelo conhecimento dos seus direitos.

Destaque vai também para John-Kyi (Dylan Fuentes) que abrilhanta a série nos momentos em que esta precisa de um ar mais fresco.

A primeira temporada tem apenas 10 episódios, e para entretenimento geral, é uma série em que se pode apostar.

Confira o trailer:

A nossa classificação: 3 de 5 estrelas

 

Livros, Resenhas

Literatura – | Recados da Alma de “Bento Baloi” | – Opinião

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Título: Recados da Alma

Autor: Bento Baloi

Editora: Fundação Fernando Leite Couto (Moçambique); Ideia Fixa (Portugal)

Compre aqui: Wook

Sinopse:

Um jovem jornalista recebe papéis de um velho comerciante durante a cobertura à operação de salvamento de vítimas das cheias do vale do rio Save. Durante a leitura, o jornalista descobre nos papéis já amarelecidos autênticos retratos de várias vidas: o ambiente agitado de Lourenço Marques; o calor suburbano ao redor; a electrizante dinâmica dos bailes nocturnos (dos juke boxes aos gira-discos de 45 rotações).

Os terríveis «mabandido» estão à solta semeando pânico: «você é mufana de quem?» – perguntam. Há troca de mensagens subversivas. Fala-se à boca pequena dos rapazes de Mondlane e Machel. Do futuro. Mafalda e Eugénio revelam o seu amor num golpe inesperado, que acaba transformando as suas vidas no frenesim do 7 de Setembro e 21 de Outubro. Almas estilhaçam-se e espalham-se pela metrópole. Há revelações surpreendentes. A deusa «Afrodite» conspirará a favor? Ou será que o vaticínio da velha «nyamussoro» de Homoíne sobre o espírito dos brancos concretizar-se-á? A luta continua! É a palavra de ordem que atravessa o tempo.

Opinião:

Disse o escritor Luiz Ruffato numa ocasião, que começar uma leitura é como iniciar uma jornada por uma caverna escura. Ao fim da jornada, regressando à luz, somos uma pessoa diferente da que entrou na caverna. É isso que acontece-nos ao passear por “Recados da Alma”: uma experiência transformadora.

Com uma escrita leve e primorosa, o autor ambientou este romance de época / histórico, em Moçambique e em Portugal, e como pano de fundo usou a história de amor entre Mafalda e Eugénio. A tentativa de enlace  desenrola-se a meio de preconceitos sociais, na difícil época de transição do colonialismo à independência em Moçambique. Mas Recados da Alma não é, nem de longe, apenas uma história de amor. São recados de vozes de vários fragmentos num vasto horizonte temporal, que marcam a realidade do povo moçambicano e do povo português. São histórias do quotidiano, tão verdadeiras e tão intrinsecamente ligadas a nós, que fascinam e vão fascinar leitores de todas as gerações. Não poderia haver forma mais agradável de compreender o passado e o presente destes dois países: com um nível de detalhe aprofundado e rigor na pesquisa, o autor relata factos reais em forma de episódios emotivos, ligeiros, às vezes cómicos e outras vezes dramáticos, tão arrebatadores que fazem-nos devorar as páginas de um só fôlego. Todos os personagens são memoráveis. Aliás, é através de personagens equilibradas e amorosas como Eugénio e Simões, ou então de outras verdadeiramente tridimensionais como Zé Mundoni, Lopes, Original e a própria Mafalda, que o narrador mostra-nos que os desafios para uma melhor condição humana, passam pela tolerância, amor, pontes, alianças e amizade. Entre pessoas, entre países.

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A diagramação e a paginação da obra estão impecáveis. Graças a um excelente trabalho a este nível, é bastante fácil detectar a mudança de vozes/ pontos de vista, dos diferentes narradores. Num primeiro olhar, a capa não parece falar tão claramente sobre o género apresentado, mas ao longo da leitura, as razões para a escolha tornam-se bastante óbvias.

Então já sabem, recomendamos vivamente a leitura desta obra, que consideramos um grande triunfo da literatura moçambicana. Abra o seu coração e embarque numa inesquecível viagem, com os mabandido, os dragões da morte, os regressados, os amantes Eugénio e Mafalda, e os seus deuses africanos e europeus. Se por ventura este livro for adaptado ao cinema (tem toda a pinta para isso), será certamente a vivas cores. E como realça o misterioso narrador Castro, o amor permanecerá, “numa simbiose de almas em que a história escrever-se-á a preto e branco”.

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 Sobre o autor: Bento Baloi nasceu em 1968 no Vieira, um bairro de lata dos subúrbios da cidade de Maputo. É jornalista há 30 anos. Fez iniciação literária escrevendo contos e poemas publicados em páginas de especialidade de revistas e jornais moçambicanos. Dedicou parte significativa da sua carreira ao teatro escrevendo, dirigindo e interpretando papéis em peças, tanto de palco como de rádio. São da sua autoria as peças de teatro «Lágrimas»; «Grito Humano»; «Adão e Eva, Ámen»; «Alarme»; «Katina P, o Flagelo», entre outras. Escreveu os bailados «O Filho do Povo» e «Raízes e Percursos», encenados pela diva da coreografia moçambicana, Pérola Jaime. «Recados da Alma» é o seu romance de estreia e foi publicado pela primeira vez, em Moçambique pela Fundação Fernando Leite Couto, em Novembro de 2016.

A nossa pontuação: 5 em 5 estrelas.

(por VF – da tripulação)

Livros, Opiniões

Literatura |”Em busca do mar certo” de Cri Essencia|Opinião

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Título: Em Busca do Mar Certo

Autora: Cri Essência

Editora: Alcance

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Sinopse

 “Após a morte da mãe, ainda que sem dinheiro para continuar com os estudos, decidiu não voltar para Moçambique. Preferiu navegar por marés desconhecidas, em busca do pico mais alto da sua existência. Sabia que voltar para casa era um dado adquirido, mas tencionara adiar tal regresso, para que não tivesse de se confrontar com o irmão, na luta pela herança que a mãe deixara. Longe do luxo a que se habituara, ajoelhando-se para limpar casas de banho de outrem, encontrou amor próprio numa nova dimensão.”

Opinião:

Uma capa esmerada é meio caminho para se conquistar um leitor. Esta premissa funcionou bem na ilustração desta capa, a qual captou de imediato a nossa atenção na prateleira da livraria. O romance (semi-biográfico), traz-nos a história de Paula Chonguene, uma corajosa moçambicana de coração aberto e malas cheias de esperanças, que decide aventurar-se pela Europa, experimentado os caminhos incertos de um imigrante. Desde a feitiçaria como motivo de desavenças familiares, até aos preconceitos e choques entre culturas quentes e frias, a autora confronta com honestidade crua, os dramas e os buracos negros dentro das nossas sociedades.

Há muitos personagens que compõem o mundo de Paula Chonguene, mas alguns  acabam por tornar-se silenciosos ou distantes ao longo da trama. Miguel e James são  exemplos. Todavia, o afastamento de James (par romântico de Paula) parece servir para permitir o desenvolvimento da protagonista.

Durante a narrativa, percebem-se também algumas pausas em que a protagonista mergulha em reflexões e analisa do seu ponto de vista a condição de quem vive na diáspora e os desafios que enfrenta, a condição de uma mulher que busca independência, e por fim, a condição do próprio ser humano. As reflexões fazem uma incursão pela história dos países europeus que a protagonista visitou, o posicionamento destes com relação aos estrangeiros, rumando à debates teológicos e de ideologias sobre o comunismo vs individualismo. Embora estes momentos desviem-se um pouco do foco principal do romance, não comprometem a leitura, pois estão inseridos no contexto e no ambiente íntimos à protagonista.

Faltou uma melhor diagramação na obra, mas tirando isso, adoramos conhecer Paula Chonguene, uma mulher inteligente, difícil, amorosa e batalhadora, que aprecia vinhos, e que tem uma bagagem valiosa por partilhar (sem falar do final surpreendente do romance, licorzinho para aquecer o coração dos leitores mais românticos como nós).

Sobre a autora: Cri Essência nasceu em Maputo e estudou na Escola Secundária Francisco Manyanga. É jurista pela Universidade de Lisboa, mestrada pela University of Groningen e actualmente residente em Londres.

A nossa pontuação: 4 em 5 estrelas.

(A tripulação de Linan)